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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Licença menstrual: avanço necessário ou solução paliativa?

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Projeto de Lei reacende debate sobre saúde feminina e produtividade; especialista alerta para necessidade de diagnóstico e tratamento qualificado


A discussão sobre a PL da licença menstrual ganha força no Brasil e coloca em pauta um tema que afeta diretamente a saúde e a carreira de milhões de mulheres. A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados, em outubro de 2025, e que agora segue para análise no Senado, prevê até dois dias de afastamento mensal para trabalhadoras que enfrentam sintomas incapacitantes durante o ciclo. Embora considerada um avanço, especialistas apontam que a medida é insuficiente diante da complexidade das condições que envolvem o período menstrual.

Para a Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, a menstruação deveria ser um processo fisiológico tranquilo. “Quando há dor intensa, cólicas frequentes, sangramento excessivo ou enxaquecas incapacitantes, não se trata de algo normal. São sinais que precisam ser investigados”, afirma. Segundo a médica, muitas mulheres acabam acreditando que o sofrimento faz parte da condição feminina, o que atrasa diagnósticos e compromete a qualidade de vida.

Entre as doenças que agravam os sintomas estão a endometriose, responsável por cólicas severas, fadiga e sangramentos aumentados, e a adenomiose, mais comum na perimenopausa, quando ocorre a chamada dominância estrogênica. Ambas podem impactar diretamente a produtividade, o convívio social e até a fertilidade. “Esses quadros exigem acompanhamento médico qualificado. A licença menstrual pode aliviar momentaneamente, mas não resolve o problema na raiz”, explica Ana Maria.

Segundo a especialista, é fundamental diferenciar uma cólica leve de uma dor incapacitante. Quando os sintomas exigem medicação constante, internação para uso de medicamentos venosos ou provocam sangramentos abundantes que comprometem o dia a dia, a licença pode ser necessária. 

Para um diagnóstico mais assertivo, exames como: ressonância magnética com contraste e preparo intestinal da pelve e abdome, ou ultrassom transvaginal com preparo intestinal realizado por médico especialista em endometriose, são considerados primordiais. “Sem esses exames, muitas mulheres permanecem sem diagnóstico e continuam sofrendo em silêncio”, alerta.

A médica também chama atenção para o preconceito que pode surgir no ambiente corporativo. Segundo ela, há risco de empresas evitarem contratar ou manter funcionárias que utilizem a licença com frequência, reforçando estigmas já existentes contra mulheres no mercado de trabalho.

Por isso, o ideal seria garantir às mulheres acesso a diagnóstico e tratamento adequados, incluindo mudanças no estilo de vida, alimentação anti-inflamatória, atividade física, reposição hormonal e, em casos graves, bloqueio do ciclo menstrual. “Sem investigação, o sofrimento se repete mês após mês. A licença é uma ajuda, mas paliativa. O que as mulheres merecem é atendimento de qualidade para não terem sua vida e carreira comprometidas”, conclui.

 

Dra. Ana Maria Passos - Com mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), a Dra. Ana Maria Passos atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Com pós-graduação em Nutrologia e em Longevidade Saudável, ela traz um olhar atento à alimentação equilibrada e à suplementação, focando na prevenção e nos cuidados para um envelhecimento saudável. Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos. É uma fonte confiável para entrevistas, artigos e conteúdos sobre saúde feminina, buscando ampliar o acesso à informação e promover qualidade de vida por meio de acompanhamento médico regular e terapias inovadoras.

 

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