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| Imagem com recurso IA |
Há um interesse crescente em temas relacionados à regulação do
apetite e à função de hormônios como o GLP-1, em especial entre pessoas que
relatam sentir fome mesmo após se alimentarem adequadamente. De acordo
com o Google Trends, vem aumentando as buscas pelo termo GLP-1.
A frase “não estou com fome, mas não consigo parar de comer” reflete uma
mudança no olhar sobre o comportamento alimentar: a discussão tem migrado da
“falta de disciplina” para o entendimento de que, em muitos casos, o corpo pode
ter perdido a capacidade de sinalizar saciedade com precisão.
Esse entendimento passa pelo GLP-1, peptídeo semelhante ao
glucagon tipo 1, um hormônio produzido no intestino após as refeições e
responsável por enviar ao cérebro a mensagem de que o organismo recebeu energia
suficiente. Também atua no controle da glicose, estimulando a liberação de
insulina e reduzindo a ação de hormônios antagonistas.
“O GLP-1 é como um mensageiro interno de equilíbrio. Quando
funciona adequadamente, ele informa ao cérebro o momento de parar de comer.
Quando esse circuito falha, o corpo entra em um modo de ‘busca constante por
energia’, o que contribui para a obesidade e o descontrole glicêmico”, explica
a endocrinologista e metabologista Dra. Cíntia Cercato.
Especialistas destacam que hábitos comuns da vida moderna, como
noites mal dormidas, níveis elevados de estresse e consumo frequente de
alimentos ultraprocessados, interferem diretamente na liberação e na ação desse
hormônio. Não raro, mesmo após refeições completas, o cérebro demora a receber
o “aviso de saciedade”.
Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade
(Abeso) e do Ministério da Saúde apontam tendência de crescimento de casos de
obesidade e diabetes tipo 2, fenômeno que tem despertado atenção da comunidade
médica para a importância da regulação metabólica como fator central para a
saúde.
Terapias baseadas em GLP-1 e a chegada de tratamentos
nacionais
Foi com base nesse mecanismo que surgiram os chamados agonistas
de GLP-1, terapias que atuam imitando a ação do hormônio natural e são
utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Elas ajudam o
organismo a retomar o equilíbrio fisiológico, sempre com acompanhamento médico
especializado.
No Brasil, esse avanço ganhou novo capítulo recentemente. Novo
Nordisk e Eurofarma fecharam parceria para distribuição da semaglutida
biológica também pela farmacêutica brasileira. As versões injetáveis semanais,
indicadas para casos específicos de diabetes tipo 2 e obesidade, ampliam o
acesso a terapias antes restritas a importações. Esse movimento sinaliza um
avanço importante para democratizar tratamentos modernos no Brasil, ampliando o
alcance de soluções inovadoras em saúde.
Segundo a Dra. Cíntia Cercato, essas terapias representam um recurso relevante no cuidado clínico, sobretudo para pessoas cujo organismo não responde adequadamente ao GLP-1.
Saciedade, comportamento e mudança cultural
Obesidade e diabetes são grandes desafios de saúde pública no
Brasil. Nas capitais do país, um em cada quatro adultos vive com obesidade,
condição que aumenta o risco de doenças graves, como infarto, AVC e diabetes
tipo 2. Estima-se que apresentem sobrepeso ou obesidade 70% a 80% dos 16
milhões de brasileiros com diabetes tipo 2, doença que é um dos principais
fatores de risco para eventos cardiovasculares, amputações não traumáticas e
insuficiência renal.
Os especialistas reforçam que o cuidado com a saúde vai muito além
do medicamento. Sono adequado, alimentação equilibrada, prática de atividade
física regular e atenção à saúde emocional são pilares essenciais.
Mais
do que uma discussão sobre emagrecimento, entender o papel do GLP-1 representa
uma mudança cultural: substituir a culpa pela ciência e interpretar melhor os
sinais que o corpo tenta e muitas vezes falha em comunicar.
Talvez,
para muita gente, a pergunta não seja mais “por que eu não consigo parar de
comer?”, mas sim: “o que meu corpo está tentando me dizer e não está
conseguindo?”.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023:
vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por
inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em:
15 set. 2025.
- INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION. IDF Diabetes
Atlas. IDF Diabetes Atlas 11th Edition - 2025 | diabetesatlas.org
- American Diabetes Association Professional Practice
Committee. 2. Diagnosis and Classification of Diabetes: Standards of Care
in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025 Jan 1;48(1 Suppl 1):S27-S49.
- American Diabetes Association Professional Practice
Committee. 10. Cardiovascular Disease and Risk Management: Standards of
Care in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025 Jan 1;48(1 Suppl 1):S207-S238.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. 8. Obesity and Weight Management for the Prevention and Treatment of Type 2 Diabetes: Standards of Care in Diabetes-2025. Diabetes Care. 2025 Jan 1;48(1 Suppl 1):S167-S180.
5.

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