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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Por que as varizes pioram com o calor?

 Especialista do CEJAM explica por que o calor intensifica inchaço, dor e sensação de peso nas pernas no verão e como aliviar os sintomas


Com a chegada do verão, queixas como pernas pesadas, inchaço ao fim do dia e veias mais aparentes se tornam frequentes, principalmente entre mulheres. Não é impressão: a temperatura mais elevada realmente agrava os sintomas das varizes, condição ligada à insuficiência venosa crônica, quando o sangue encontra dificuldade para voltar das pernas ao coração. 

A estação mais quente do ano costuma funcionar como um gatilho para o agravamento dos sintomas em quem já convive com o problema. Isso acontece porque o organismo reage às altas temperaturas de forma automática, alterando o funcionamento dos vasos sanguíneos, um processo que, nas pernas, pode sobrecarregar ainda mais a circulação venosa. 

Segundo o Dr. Raul Queiroz, médico da família e comunidade da UBS Jardim Valquíria, gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), o problema começa quando as válvulas das veias deixam de funcionar adequadamente. “O sangue se acumula nos membros inferiores, aumenta a pressão dentro das veias e isso leva à dilatação progressiva, com sintomas como dor, sensação de peso, inchaço e até alterações de pele”, explica. 

Durante o verão, esse quadro tende a se intensificar porque o corpo ativa mecanismos para regular a temperatura. “Nessas condições, ocorre vasodilatação, ou seja, os vasos sanguíneos se dilatam para facilitar a perda de calor. Isso reduz ainda mais a eficiência das válvulas venosas que já estão comprometidas, aumentando o refluxo do sangue e piorando os sintomas”, afirma o médico. 

O termômetro nas alturas também favorece a retenção de líquidos. “Há maior extravasamento de líquido para fora dos vasos, o que contribui para o edema, principalmente nos tornozelos e pés”, diz Dr. Raul.  

Essa combinação explica por que, no fim de um dia quente, as pernas parecem mais cansadas e doloridas. Em casos mais avançados, a circulação prejudicada pode levar a alterações de pele, escurecimento e até feridas. “A falta de oxigenação adequada favorece processos inflamatórios locais, o que deixa a pele mais frágil, aumenta a coceira e pode contribuir para o surgimento de úlceras”, alerta. 

Pessoas com histórico familiar de varizes costumam perceber mais os efeitos do calor, assim como gestantes, idosos, pessoas com obesidade e quem passa longos períodos em pé ou sentado. “Na gestação, por exemplo, há aumento do volume sanguíneo, alterações hormonais que dilatam as veias e compressão de vasos pelo útero, dificultando o retorno venoso”, explica o médico. No caso da obesidade, entram em cena fatores como aumento da pressão intra-abdominal, inflamação crônica e menor mobilidade. “Tudo isso reduz a eficiência da circulação nas pernas e potencializa os sintomas”, completa. 

Para mitigar os sintomas frequentes, o médico sugere algumas medidas cotidianas. “Elevar as pernas ao nível do coração sempre que possível, evitar roupas apertadas, não permanecer muito tempo em pé ou sentado e fazer duchas frias nas pernas ajudam bastante”. A hidratação também entra como aliada. “Embora não trate varizes, beber água adequadamente reduz a viscosidade do sangue, melhora a microcirculação e diminui a retenção compensatória de líquidos, o que auxilia no controle do edema”, explica. 

As meias de compressão seguem sendo uma das estratégias mais eficazes para evitar a progressão da insuficiência venosa, desde que indicadas por um profissional de saúde. O grau de compressão e o tamanho devem ser individualizados de acordo com a intensidade dos sintomas, localização das varizes e características de cada paciente. No verão, a recomendação é optar por modelos mais finos e respiráveis, que ajudam a manter o conforto e favorecem a adesão ao uso. 

A prática regular de exercícios físicos é incentivada. “Atividades como caminhada, bicicleta, fortalecimento da panturrilha, natação e hidroginástica ativam a chamada bomba muscular da panturrilha, que impulsiona o sangue de volta ao coração”, diz. O cuidado maior é com exercícios ao ar livre nos horários mais quentes e por períodos prolongados. 

Alguns sinais exigem avaliação médica imediata, por poderem indicar complicações como tromboflebite ou trombose venosa profunda. “Dor súbita e intensa em uma perna, inchaço assimétrico, vermelhidão, endurecimento da veia, falta de ar associada ou feridas que não cicatrizam são sinais de alerta”, destaca Dr. Raul. O calor, isoladamente, não causa trombose, mas pode agravar a estase venosa. Situações como longos períodos de imobilidade, viagens prolongadas e uso de hormônios também aumentam o risco. 

Além das mudanças de hábitos, há tratamentos modernos e de recuperação rápida para o problema, como escleroterapia com espuma, laser endovenoso e radiofrequência. “Essas intervenções devem ser avaliadas caso a caso, sempre em conjunto com o angiologista”, orienta.       

Para quem quer prevenir o surgimento ou a progressão das varizes, é recomendado se atentar aos sinais do corpo. “Educação em saúde é fundamental para que o atendimento aconteça antes que o quadro evolua para formas mais graves”, finaliza.       

 


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


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