Levantamento
interno da Moda Comunica, agência especializada em marketing para moda, aponta
que o aumento de investimentos em conteúdo, mídia e tecnologia não tem se
traduzido em crescimento proporcional de vendas. Especialistas alertam que a
falta de estratégia, processos e leitura de negócio está no centro do problema
Divulgação
O início de 2026 encontra o mercado de moda
brasileiro diante de um paradoxo cada vez mais evidente: nunca se
investiu tanto em marketing digital, produção de conteúdo e tecnologia, e nunca
foi tão difícil transformar a visibilidade em crescimento consistente.
Segundo dados consolidados pela Moda
Comunica, agência especializada em marketing digital para
marcas de moda, a maioria das empresas do setor ampliou seus investimentos em
redes sociais, campanhas pagas, produção audiovisual e ferramentas digitais nos
últimos dois anos. No entanto, os resultados financeiros não acompanharam esse
movimento na mesma proporção.
A análise, baseada na observação de padrões
recorrentes em marcas atendidas entre 2023 e 2025, revela que mais de 70%
das empresas chegam a 2026 com comunicação ativa, estética bem trabalhada e presença
digital constante, mas sem clareza estratégica sobre posicionamento, objetivos
e métricas de negócio.
“O que vemos é um mercado extremamente produtivo do
ponto de vista operacional, mas pouco estratégico”, afirma Beatriz
Illipronti, fundadora da Moda Comunica. “As marcas estão
fazendo muito — postando, investindo, aparecendo — mas sem uma lógica clara de
construção de valor. Isso gera desgaste, desperdício de recursos e frustração
com os resultados.”
Conteúdo em excesso,
estratégia em falta
Um dos principais gargalos identificados no
levantamento é a priorização do volume de conteúdo em detrimento da estratégia.
Em grande parte das marcas analisadas, o esforço está concentrado na frequência
de postagens e na estética visual, enquanto decisões estruturais — como
narrativa de marca, diferenciação e coerência entre comunicação e produto —
ficam em segundo plano.
De acordo com a Moda Comunica, mais de 60%
das marcas de moda avaliam o sucesso de suas ações principalmente por métricas
de engajamento, como curtidas e alcance, mesmo quando esses
números não se refletem em crescimento de vendas ou fortalecimento de marca.
“Existe uma confusão perigosa entre visibilidade e
resultado”, explica Beatriz. “Engajamento pode ser um indicador importante, mas
quando ele se torna o único norte, as marcas passam a tomar decisões
desconectadas do negócio.”
O custo invisível do improviso
Outro ponto de atenção é o impacto financeiro do
improviso na comunicação. A ausência de processos claros, planejamento de médio
e longo prazo e alinhamento entre marketing e gestão faz com que muitas marcas
operem em ciclos constantes de tentativa e erro.
Esse modelo gera custos invisíveis, como
retrabalho, campanhas mal aproveitadas, lançamentos que não performam e perda
de consistência na construção da marca. “O marketing acaba virando um centro de
gasto, e não um ativo estratégico”, diz Beatriz.
Um mercado em transição
Para a especialista, 2026 tende a ser um ano de
transição para o setor. Marcas que insistirem apenas em aumentar investimento
sem rever estratégia correm o risco de estagnar. Por outro lado, aquelas que
conseguirem estruturar processos, alinhar comunicação e negócio e tomar
decisões mais racionais terão vantagem competitiva.
“O mercado de moda amadureceu rápido, mas de forma
desordenada. Agora, a conta chegou. O próximo passo não é fazer mais, é fazer
melhor”, conclui Beatriz Illipronti.
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