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Emagrecer raramente é uma decisão isolada. Alimentação, lazer,
horários e nível de atividade física fazem parte de uma rotina que, na maioria
das vezes, é dividida com outra pessoa. Ainda assim, muitos casais tentam
atravessar o processo de forma desigual, com um mudando hábitos enquanto o
outro mantém o mesmo padrão. O resultado costuma ser desgaste, frustração e
abandono precoce. Quando a mudança acontece a dois, o cenário tende a ser
diferente.
Segundo o cirurgião geral Gabriel Almeida (CRM 180956), que também
atua no acompanhamento de pacientes em emagrecimento, o ambiente é determinante
para a constância. “Quando o casal está alinhado, a casa deixa de ser um
obstáculo e passa a ser um facilitador. A alimentação muda, a rotina se ajusta
e o esforço não fica concentrado em uma só pessoa”, explica.
Casais compartilham hábitos e gatilhos. Se apenas um tenta seguir
um plano alimentar ou manter uma rotina de exercícios enquanto o outro continua
com comportamentos antigos, o processo se torna mais difícil. Convites para
comer fora, compras no mercado e momentos de lazer acabam funcionando como
testes constantes de resistência. Quando há engajamento mútuo, esses mesmos
fatores passam a colaborar com a mudança.
Além do impacto emocional, existem ganhos práticos evidentes.
Planejar refeições juntos, organizar horários de treino ou caminhar em dupla
reduz decisões impulsivas e facilita a adesão ao longo do tempo. O compromisso
deixa de ser apenas individual e passa a envolver a relação. “Existe um senso
de responsabilidade compartilhada. A pessoa pensa duas vezes antes de desistir
porque sabe que não está sozinha nesse caminho”, afirma Gabriel Almeida.
Outro ponto importante é a forma como o casal lida com os momentos
de dificuldade. Oscilações de peso, cansaço e pequenos deslizes fazem parte do
processo. Quando isso acontece em um projeto conjunto, o erro tende a virar
ajuste, não abandono. “Em vez de cobrança, surge apoio. Em vez de culpa, surge
reorganização”, resume o médico.
Histórias reais ajudam a ilustrar esse efeito. Casais que
emagrecem juntos relatam que a mudança não se limita ao corpo. A rotina se
transforma, novos hábitos se consolidam e o cuidado com a saúde passa a fazer
parte da dinâmica da relação. Muitos afirmam que a virada aconteceu quando
entenderam que, assim como ganharam peso juntos ao longo dos anos, também
precisariam mudar juntos para que o resultado fosse sustentável.
Para Gabriel Almeida, um dos principais erros é tratar o
emagrecimento como um desafio individual dentro de uma rotina compartilhada.
“Quando não há conversa e alinhamento, o processo vira fonte de conflito.
Quando existe acordo, o emagrecimento deixa de ser um peso e passa a ser um
plano”, afirma.
No fim, emagrecer em casal não é sobre controle ou comparação, mas sobre criar um ambiente mais favorável à mudança. Quando o apoio mútuo entra em cena, a saúde deixa de ser uma meta solitária e passa a ser um projeto construído a dois, com mais consistência e menos desgaste ao longo do caminho.

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