90% dos brasileiros descartam viajar para a Copa do Mundo
50% da população
prevê piora na economia e 57% têm como maior desejo "ganhar mais
dinheiro"
O Brasil inicia 2026 sob pressão financeira e clima
de cautela: 39% dos brasileiros começam o ano endividados sendo 30% com dívidas
acima de R$15 mil e 50% acreditam que a economia vai piorar.
É o que revela uma pesquisa inédita da Hibou, instituto especializado em
monitoramento e insights de consumo. O cenário se reflete em um consumo mais
racional, foco em ganhar mais dinheiro, investir em saúde e qualificação
profissional, manter viagens no radar como válvula de escape emocional e
descartar, quase unanimemente, a ideia de viajar para acompanhar a Copa do
Mundo.
Pessimismo econômico e a
herança das dívidas
O cenário macroeconômico é visto com desconfiança: 50% dos
brasileiros acreditam que a economia vai piorar em 2026,
enquanto apenas 25% esperam melhora e outros 25% acreditam na estabilidade.
Esse pessimismo reflete diretamente no bolso: 39% da população começará o
ano com dívidas. O dado mais alarmante reside no valor desses
débitos: entre os endividados, 30% devem mais de R$15.000,01 e
28% possuem pendências entre R$2.000,01 e R$5.000,00. Apenas 12% dos
brasileiros afirmam que começarão 2026 com dinheiro sobrando.
"O brasileiro entra em 2026 em um modo de sobrevivência
estratégica. Há uma consciência clara de que o cenário econômico é hostil, o
que gera um movimento de 'economizar tudo que posso', desejo expressado por 48%
da população. No entanto, o desejo de consumo reprimido por dívidas altas cria
uma tensão entre a necessidade de quitar débitos e a vontade de realizar sonhos
de consumo duráveis", analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.
O sonho da conta cheia e do
corpo ideal
Quando questionados sobre os desejos para o próximo
ano, "Ganhar mais dinheiro" lidera com folga a lista de 57% dos
brasileiros. Na sequência, aparecem o desejo de
"Emagrecer" (45%) e "Reformar a casa" (35%).
Na vida pessoal, a busca pela qualidade de vida é o norte de 68% dos
respondentes, que pretendem exercitar corpo e mente. Esse foco na saúde
reflete-se no lazer, onde 72% planejam manter atividades físicas regulares.
O paradoxo das viagens e o
distanciamento de ver a Copa pessoalmente
Mesmo com as finanças apertadas, o
brasileiro não abre mão de viajar: para 10% a experiência é
"libertadora". 41% planejam realizar várias viagens ao longo de
2026. O avião é o meio de transporte preferido de 76%, e o
destino internacional atrai 47% dos viajantes, superando praias desertas (41%)
e cidades históricas (38%). Curiosamente, o maior evento esportivo do ano não
empolga: 90% afirmam que não pretendem viajar para assistir aos jogos da Copa
do Mundo da FIFA 2026.
Carreira online e a busca por
novos desafios
No âmbito profissional, o brasileiro aposta na
educação digital para driblar a crise. 28% planejam estudar online para se qualificar
e 21% pretendem finalizar algum estudo em andamento, como faculdade, idiomas ou
pós-graduação. O desejo de mudança também é forte: 19% buscam novos desafios
mudando de área de atuação e 17% querem participar de cursos para gerir melhor
seus próprios negócios ou equipes.
Consumo consciente e promoções
no radar
A estratégia de consumo para 2026 será pautada pela
cautela e pela busca de valor. 44% buscarão promoções para comprar melhor e 19%
usarão cupons com mais frequência. O e-commerce segue
consolidado, com 32% mantendo as compras online, enquanto 27% adotam o modelo
híbrido entre lojas físicas e digitais. No que diz respeito a bens duráveis, o carro (28%)
e o imóvel (23%) permanecem no topo das intenções de aquisição para os próximos
18 meses.
Segurança e Meio Ambiente sob
desconfiança
A percepção de piora não se restringe à economia. Para 48%
dos brasileiros, o meio ambiente vai piorar em 2026. A segurança
pública também é vista negativamente por 45% da população, que
acredita em um agravamento da situação. Na educação e na saúde, a maioria
acredita que as coisas ficarão "iguais" (43% e 47%, respectivamente),
mas o otimismo é tímido: apenas 18% esperam melhora na educação e 20% na saúde.
"O brasileiro não espera que o governo ou o
cenário externo facilitem sua vida. Ele está assumindo o controle através da
educação online e do autocuidado. A viagem, por exemplo, deixou de ser um luxo
para se tornar uma ferramenta terapêutica de saúde mental, essencial para
aguentar um cotidiano que 35% descrevem como cansativo devido ao calor e à
rotina", completa Ligia Mello.
Verão em família e o desafio
com os filhos
35% admitem que o calor gera desânimo,
mas 34% adoram os dias mais longos. Para os 16% que
possuem filhos em idade escolar, o recesso de janeiro e fevereiro será caseiro:
52% planejam fazer mais atividades dentro de casa, embora 43% ainda tentem
viajar por alguns dias com os pequenos. No fim, a expectativa é de um ano de
"Superação" (2%) e "Trabalho" (2%), mas com os olhos fixos
na "Vitória" (4%)
Metodologia:
A pesquisa "Expectativas 2026" foi
realizada pela Hibou, instituto especializado em monitoramento e insights de
consumo, entre os dias 15 e 17 de dezembro de 2025. O levantamento contou com
uma amostra de 1.501 respondentes maiores de 18 anos, das classes ABCDE, via
painel digital, cobrindo todo o território nacional. A margem de erro é de 2,5%
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