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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Perigo no quintal: como o veneno de sapo pode causar intoxicação grave e até óbito em cães e gatos

Especialista do CEUB explica como identificar sinais de emergência e agir rapidamente nos primeiros socorros


Com a chegada do verão e dos períodos mais quentes e úmidos, a presença de sapos nos jardins e quintais torna-se mais frequente e, com ela, aumenta um risco silencioso para os animais de estimação: a intoxicação por bufotoxina, substância presente na pele desses anfíbios. Diferentemente de animais peçonhentos que atacam ativamente, os sapos liberam a toxina apenas quando são pressionados ou abocanhados. Por curiosidade e instinto, os cães são as principais vítimas desse tipo de acidente doméstico, embora gatos também possam ser afetados. 

A professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabiana Volkweis, explica que o veneno é liberado por glândulas localizadas na pele do anfíbio. “A toxina é rapidamente absorvida pela mucosa da boca do animal”, afirma. Os sintomas costumam surgir quase de imediato: “Como o veneno entra direto na corrente sanguínea, o quadro pode evoluir de uma simples irritação para uma emergência neurológica ou cardíaca em poucos minutos”.

 

Sinais de alerta: como reconhecer a intoxicação

Para facilitar a identificação, a especialista descreve os sintomas conforme a gravidade do quadro:

  • Leves: irritação intensa na boca e salivação excessiva (sialorreia).
  • Moderados: vômitos, fraqueza, andar cambaleante, aumento da frequência cardíaca e incontinência urinária ou fecal.
  • Graves: convulsões, pupilas dilatadas, dificuldade respiratória, mucosas arroxeadas e incapacidade de se manter em pé.


Primeiros socorros: o que fazer imediatamente

Ao suspeitar que o animal teve contato com um sapo, orientação é agir sem demora. “A primeira medida é lavar a boca do animal com água corrente em abundância para remover o excesso de toxina”, explica Fabiana Volkweis. O cuidado essencial é manter a cabeça do pet voltada para baixo, evitando que ele engula a água da lavagem, o que poderia agravar a intoxicação. 

Mesmo que o animal apresente apenas salivação, procure atendimento veterinário com urgência. "A velocidade do socorro é decisiva para o prognóstico. O animal precisa ser monitorado por um médico-veterinário, pois a bufotoxina pode causar arritmias e danos severos ao sistema nervoso central", finaliza a professora do CEUB. Manter quintais limpos, reduzir focos de umidade, supervisionar os pets à noite e evitar iluminação que atraia insetos e, consequentemente, sapos, ajuda a diminuir o risco desse tipo de acidente.


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