Apesar de todos estarmos desprevenidos quando se
trata do começo de uma guerra, este conflito armado entre Israel e Hamas não é
uma total surpresa para quem acompanha o histórico. Essa briga por território
já é uma questão antiga, pois ambos querem ter o total domínio da região da
Palestina.
O fato é que essa guerra traz risco para os investidores. Do ponto de vista da
economia, o conflito ocorre em uma área próxima com capacidade de produção de
petróleo e os países da região têm interesses e se veem implicados nas
motivações da guerra para muito além da economia.
Por enquanto, o preço do petróleo segue relativamente estável, mas coloco aqui
a seguinte pergunta: até quando? Porque de uma hora para outra, o Irã pode
decidir mudar a sua postura e engajar no conflito, o que poderá afetar a
produção e consequentemente o preço da commodity.
Focando só no petróleo, se o preço subir, nós brasileiros sentiremos a guerra
no bolso. Os combustíveis vão aumentar e os preços dos alimentos também,
afetando a inflação de maneira geral. Isso é mais um freio para uma economia
que ainda não se recuperou totalmente da guerra da Ucrânia, quando as cadeias
de fornecimento foram fortemente afetadas.
Você deve se questionar onde as empresas entram neste cenário. É preciso
entender de uma vez por todas que sempre teremos incertezas afetando nossos
planos, se não é uma guerra, é uma decisão do governo, uma decisão do STF sobre
o julgamento de uma ação relativa a imposto, entre tantas outras. O ponto é: a
incerteza veio para ficar e já faz tempo.
O problema é que as organizações ainda não entenderam o valor de trabalhar com
ciclos de planejamento de curto prazo. Isso não quer dizer abandonar o ciclo
anual, mas inserir o ciclo curto em seu processo de gestão. Trabalhar com
planos de curto prazo baseados em resultados fornece capacidade de adaptação às
organizações frente às incertezas.
Neste sentido, entram os OKRs - Objectives and Key Results (Objetivos e
Resultados Chaves) -, com os seus ciclos trimestrais e mentalidade de geração
de impacto, não de executar tarefas. Essa ferramenta pode ser muito útil para
lidar com os fatores externos, justamente porque permitem ajustes constantes no
plano de execução, tendo em vista problemas internos e também externos.
Sejamos sinceros, conseguir estar minimamente preparado para lidar com fatores
externos é crucial para que sua empresa não vire de cabeça para baixo diante de
momentos de adversidades. É claro que muitos destes acontecimentos são
imprevisíveis, mas é possível prever o andamento da estratégia, se bem
estruturada.
Afinal, sempre teremos diversos planos, mas se não estivermos mirando nos
resultados que queremos alcançar, continuaremos fazendo as mesmas coisas, ou
executando em dezembro um plano traçado em janeiro, que já não faz mais sentido
e que, muito possivelmente, não trará os resultados que desejamos. Ou seja, se
não mudarmos essa mentalidade, os resultados esperados nunca chegarão.
Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/
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terça-feira, 21 de novembro de 2023
Mais uma guerra: como estar preparado para lidar com os fatores externos?
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