Mara Leme Martins, VP do BNI Brasil e PhD em psicologia, traz uma profunda reflexão sobre o impacto do consumismo desenfreado durante a temporada de ofertas
A Black Friday, um
dos eventos de compras mais aguardados do ano, está se aproximando rapidamente,
e muitos consumidores em todo o mundo já estão fazendo planos para aproveitar
as ofertas tentadoras. De acordo com a pesquisa desenvolvida pela MField com
2.300 participantes, há uma crescente na expectativa de compra durante o
período. A pesquisa revelou um crescimento de 32,2% na população que planeja
comprar na Black Friday 2023 com relação ao ano passado.
Para a psicóloga
Mara Leme, que é PhD. e VP da BNI Brasil, este frenesi de compras também traz
consigo um perigo silencioso: o vício em compras. “À medida que os descontos
inundam as lojas e sites, é necessário que as pessoas lembrem da importância de
um consumo consciente, evitando gastos desnecessários e compreendo a causa do
desejo desenfreado”, enfatiza.
A Black Friday,
originalmente uma tradição norte-americana, conquistou o mundo com sua promessa
de descontos incríveis em uma variedade de produtos. No entanto, para muitos, o
evento se tornou uma oportunidade para ceder a impulsos de compras exageradas
e, em alguns casos, desenvolver um vício em compras.
Esse fenômeno é
conhecido como "oniomania", que pode resultar em dívidas esmagadoras
e estresse financeiro, trazendo impactos também para a saúde mental e
psicológica de quem passa pela situação. “A dependência psicológica refere-se a
um estado de mal-estar que se manifesta após a pessoa interromper o uso daquilo
que vicia, nesse caso, as compras. Ou seja, deixar de comprar algo irá promover
uma reação negativa no cérebro. E, na situação contrária, ao comprar acontecerá
uma diminuição da tensão, da ansiedade, elevação da euforia e outras sensações
agradáveis. Porém, o cérebro condiciona esses efeitos à presença contínua do
objeto vicioso", explica a psicóloga.
Comprar em excesso
pode levar a sérias consequências, e o vício em compras pode ter impactos emocionais
e psicológicos, causando sentimentos de culpa, ansiedade e depressão.
Para enfrentar
esse problema, a especialista recomenda algumas medidas. Confira:
1.
Defina um orçamento: “Antes de começar
a comprar na Black Friday, estabeleça um limite de gastos realista. Cumpra esse
orçamento rigorosamente para evitar gastos excessivos”, ensina.
2.
Faça uma lista de desejos:
“Planeje com antecedência o que você realmente deseja comprar e mantenha-se
fiel a essa lista. Evite ceder à tentação de adquirir itens não planejados”,
sugere a psicóloga
3.
Esteja ciente dos gatilhos emocionais:
“Muitas vezes, o vício em compras está relacionado a emoções negativas, como
estresse ou solidão. Esteja atento aos momentos em que você sente vontade de
comprar para lidar com emoções difíceis”, comenta.
4.
Busque apoio se necessário: “Se
você acredita que tem um problema real de vício em compras, não hesite em
procurar ajuda profissional. Terapia e aconselhamento podem ser fundamentais
para superar esse desafio”, aconselha a psicóloga.
5. Use
a Black Friday de forma consciente:
“Aproveite as ofertas da Black Friday de maneira consciente, aproveitando os
descontos sem comprometer seu bem-estar financeiro”, completa.
A Black Friday é
uma oportunidade emocionante para fazer compras com desconto, mas é fundamental
lembrar que o verdadeiro significado das festas de fim de ano não está nos bens
materiais que adquirimos. “Nesta Black Friday, lembre-se de que o vício em
compras é um perigo real, mas com consciência, autodisciplina e apoio, você
pode desfrutar das ofertas sem cair nas armadilhas do consumismo desenfreado. O
verdadeiro valor da temporada de compras está na busca por um equilíbrio
saudável entre o desejo de comprar e a necessidade de ser financeiramente
responsável”, conclui Mara Leme Martins.
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