Pesquisar no Blog

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Cresce o número de suicídios no Brasil e a medicina ocupacional pode mudar esse quadro

O País teve em média 44 suicídios por dia. Invariavelmente são relacionados às doenças mentais, que podem ser diagnosticadas e tratadas com um eficiente programa de medicina ocupacional

 

Segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho último, o número de suicídios no Brasil cresceu 11,8% em 2022 na comparação com 2021.

Em 2022, foram 16.262 registros, uma média de 44 por dia. Em 2021, foram 14.475 suicídios. Em termos proporcionais, o Brasil teve 8 suicídios por 100 mil habitantes em 2022, contra 7,2 em 2021.

Esse tema ganha ainda mais importância no mês de setembro, quando vigora a campanha Setembro Amarelo®, a maior campanha anti estigma do mundo! Em 2023, o lema é “Se precisar, peça ajuda!” e diversas ações já estão sendo desenvolvidas.

Embora os números estejam diminuindo em todo o mundo, os países das Américas vão na contramão dessa tendência, com índices que não param de aumentar, segundo a OMS. Sabe-se que praticamente 100% de todos os casos de suicídio estavam relacionados às doenças mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se esses pacientes tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e informações de qualidade.


Causas e fatores de risco associados ao suicídio

O suicídio é um assunto complexo e multifacetado, e as causas podem variar de pessoa para pessoa. É importante ressaltar que o suicídio é um problema de saúde mental sério, e não há uma única causa que o explique completamente.

Ricardo Pacheco, médico, gestor em saúde e presidente da Oncare Saúde e da ABRESST - Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho lembra que os transtornos mentais estão entre as principais causas. “Muitas pessoas que cometem suicídio sofrem de transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar, transtorno de ansiedade, esquizofrenia, entre outros. Essas condições podem tornar difícil para a pessoa lidar com o estresse e as emoções, aumentando o risco de suicídio”.

Mas esse ato extremo também pode ser desencadeado por outros fatores, como ele descreve: “Sentir-se desesperançado, impotente ou sem perspectiva de melhora em situações de vida difíceis pode ser um fator de risco para o suicídio. Isso pode ser agravado pela falta de apoio social ou familiar. É preciso considerar também a história de tentativas anteriores, pois indivíduos que já tentaram o suicídio no passado têm um risco aumentado de tentativas subsequentes. O abuso de álcool, drogas ilícitas ou medicamentos prescritos também é um fator de risco importante, pois pode diminuir os impulsos inibitórios e aumentar a impulsividade” alerta o médico.

Outros fatores podem levar pessoas mais suscetíveis ao suicídio, como a solidão e o isolamento social, que podem contribuir para sentimentos de desespero e desamparo, tornando alguém mais vulnerável. “Traumas significativos, como abuso sexual, violência, perda de entes queridos ou eventos traumáticos na infância, podem aumentar o risco. Ter fácil acesso a armas de fogo, medicamentos letais ou outros meios de suicídio pode aumentar a probabilidade de uma tentativa bem-sucedida. Dificuldades financeiras graves podem causar estresse intenso e desesperança, tornando-se um fator de risco. Além de expectativas culturais ou sociais não realizadas, como pressões acadêmicas, estigmas, discriminação ou ostracismo podem contribuir; ou problemas de identidade de gênero e orientação sexual, em que indivíduos LGBTQ+ podem enfrentar um risco aumentado devido à discriminação, rejeição familiar e falta de apoio social”, afirma o presidente da Oncare.


O papel da medicina ocupacional na prevenção dos transtornos mentais

A medicina ocupacional desempenha um papel fundamental na prevenção, diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais que podem levar ao suicídio, principalmente quando relacionados ao ambiente de trabalho.

De acordo com o gestor em saúde da Oncare, a medicina ocupacional pode ajudar a identificar os fatores de risco no ambiente de trabalho. “Fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais, como estresse crônico, assédio, sobrecarga de trabalho, falta de apoio social, entre outros. Ao reconhecer esses fatores, é possível implementar medidas preventivas”, afirma.

Ele lembra que a medicina no trabalho pode colaborar na implementação de programas de prevenção de transtornos mentais no ambiente laboral. “Isso pode incluir a promoção de um ambiente de trabalho saudável, estratégias para gerenciar o estresse e a sobrecarga de trabalho, bem como a conscientização sobre saúde mental. Profissionais de medicina ocupacional podem conduzir avaliações regulares da saúde mental dos funcionários para identificar problemas precocemente. Isso pode envolver questionários de saúde mental, entrevistas clínicas e observação de comportamentos no trabalho”, observa.

O médico ressalta que quando um transtorno mental é identificado, a medicina ocupacional pode ajudar a encaminhar os funcionários para tratamento adequado. “Isso pode incluir a consulta a um psicólogo, psiquiatra ou terapeuta, dependendo da gravidade do problema. Para os trabalhadores que estiveram afastados devido a transtornos mentais, a medicina ocupacional pode desempenhar um papel importante no apoio ao retorno gradual ao trabalho, com adaptações no ambiente laboral e acompanhamento para garantir que o funcionário se reintegre de maneira saudável. Esse suporte pode promover a educação e a conscientização sobre saúde mental no local de trabalho, com treinamento para funcionários e gestores sobre como reconhecer os sinais de problemas de saúde mental e como oferecer apoio adequado. Pode ainda desempenhar um papel importante no monitoramento contínuo da saúde mental dos funcionários, para garantir que as medidas de prevenção e tratamento sejam eficazes e que o ambiente de trabalho permaneça saudável” afirma Ricardo Pacheco.


Programa Bem-Estar Emocional da Oncare Saúde

A Oncare Saúde dispõe de várias soluções para a Campanha Setembro Amarelo, com palestras, acompanhamento profissional, atividades e dinâmicas em grupo e oficinas práticas para orientar sobre os possíveis sintomas e como procurar a ajuda específica para tratar a doença.

Tem também o Programa Bem-Estar Emocional: um canal de atendimento focado no suporte para situações de crise, com o objetivo de ajudar na motivação e crescimento, onde os trabalhadores serão atendidos por um psicólogo qualificado, que trabalhará aspectos e características como autoconhecimento, instabilidade emocional, ansiedade, baixa autoestima, depressão, frustração, inquietude, além de incentivar a lidar com sentimentos negativos e falta de perspectiva.

Os psicólogos da Oncare são qualificados para prestar todo o suporte necessário na promoção do bem-estar emocional e da qualidade dos seus colaboradores.

A medicina ocupacional desempenha um papel crucial na promoção da saúde mental no local de trabalho, prevenindo transtornos mentais, identificando problemas precocemente e facilitando o acesso ao tratamento adequado. Isso não apenas beneficia a saúde dos funcionários, mas também contribui para um ambiente de trabalho mais produtivo e saudável.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados