O especialista em Implantodontia e Ortodontia, Rildo Lasmar, tira dúvidas sobre tratamentos odontológicos destinados a gestantes
Ao descobrir a gravidez, é necessário uma série de cuidados específicos, assim
como o acompanhamento pré-natal. Não menos importante, claro, deve-se estar com
as visitas ao dentista em dia.
O dentista e especialista em Implantodontia e Ortodontia, Rildo Lasmar, que
atende na SK Aesthetic, em São Paulo, contou quatro mitos e verdades envolvendo
a saúde bucal nesse momento tão importante na vida de uma mulher. Confira!
A gravidez estraga os dentes?
Mito. Um dos maiores mitos que existe em relação a este tema é que a gravidez
estraga os dentes da mãe. Existem alguns conceitos incorretamente assumidos
sobre a saúde bucal pela população durante esse período, especialmente aquele
sobre o enfraquecimento dos dentes, devido à perda de cálcio em favor do feto,
e o aumento do risco de cárie dentária.
O que acontece é que a ingestão alimentar mais frequente, com alto teor de
açúcares, em conjunto com a diminuição de cuidados de higiene oral e o pH
salivar mais ácido em consequência das náuseas e vômitos, podem aumentar o
risco de cárie.
É permitido usar creme dental e enxaguatórios fluoretados
Verdade. Durante a gravidez, é importante que as mulheres utilizem uma pasta
fluoretada e, em casos de elevado risco de cárie dentária, pode-se recomendar
também a utilização de enxaguatórios bucais fluoretados, mediante a indicação
do dentista.
Além das estratégias preventivas, o tratamento das lesões de cárie é
aconselhado antes ou durante a gravidez, de forma a diminuir eventuais
complicações e a ocorrência da transmissão dos microorganismos, responsáveis
pelo aparecimento da cárie dentária, para a criança.
A saúde bucal na gestação não deve ser deixada de lado
Verdade. A gravidez, por si só, já eleva a propensão a certos problemas bucais.
Isso porque as alterações hormonais fazem com que haja uma dilatação dos vasos
sanguíneos, tornando maiores as chances de inflamações, como a gengivite.
No mais, também por conta das variações nos hormônios, há a diminuição do fluxo
e do efeito protetor da saliva, o que aumenta a acidez na boca. Assim,
facilita-se a desmineralização dos dentes e a formação de cáries.
A grande preocupação, nesses casos, está relacionada ao fato das bactérias
serem capazes de atingir a corrente sanguínea da mãe, trazendo, assim, sérias
consequências para o feto.
Por isso, é preciso estar consciente sobre a importância da saúde bucal na
gestação: os cuidados com os dentes podem reduzir significativamente ou até
evitar a possibilidade de surgimento dessas complicações durante a gravidez.
Enfraquecimento dos dentes
Mito - Muitas pessoas acham que as gestantes enfrentam uma intensa
descalcificação nesse período, que levaria à perda de dentes. Contudo, isso não
é verdade!
O cálcio, responsável pela formação dos dentes, é proveniente da alimentação da
grávida e, por isso, é importante que seja seguida uma dieta balanceada.
Deve-se considerar também que os cuidados com a higiene bucal são muito
relevantes para evitar problemas dentários.
A higienização após a ocorrência de vômitos é fundamental
Verdade. Se há enjoos e ocorrências frequentes de vômitos, em especial, no
primeiro trimestre da gestação, é preciso cuidar ainda mais da saúde bucal.
Isso porque há um aumento do fluxo de ácidos provenientes do aparelho
digestivo, afetando os dentes e podendo danificá-los.
O uso de anestesia na gravidez é proibido
Mito. Se a gestante precisar de anestesia em determinado procedimento, ela
poderá ser aplicada. É preciso alertar o profissional sobre a gestação para que
use o anestésico adequado, que não contenha vasoconstritores — substâncias que
comprimem os vasos sanguíneos.
Vale enfatizar que, apesar de não serem proibidos, eles são indicados apenas em
situações de emergência, considerando que há o risco de ultrapassarem a
barreira da placenta e causar descolamento e alterações no feto.
É necessário buscar um dentista especializado para gestantes?
Mito. Até o quarto mês de gestação, são poucas as variáveis no tratamento em
comparação a um paciente em geral. E, após esse período, os procedimentos são
praticamente os mesmos. A recomendação, nesse caso, é que a mulher faça uma
consulta de rotina antes de engravidar, realizando todos os procedimentos
necessários, para ficar despreocupada com o tratamento durante o período de
gestação.
Mulheres devem interromper o tratamento odontológico durante a gestação
Mito. Obviamente, é essencial avisar ao odontologista sobre o período de
gestação. Isso porque a saúde da mãe, incluindo a bucal, influencia diretamente
no desenvolvimento do feto. Portanto, é essencial que o profissional alerte
para todos os cuidados necessários durante esse tempo.
O mais recomendado é que o tratamento siga, principalmente, entre a 13ª e a 21ª
semana de gestação (ou seja, o segundo semestre). Nos primeiros três meses, a
gravidez ainda é instável, e a mulher tem propensões a náuseas e vômitos. Já no
terceiro trimestre, há o surgimento de edemas, hipotensão e a dificuldade de
movimentação causada pelo tamanho da barriga.
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