Marca positiva deixada no momento da saída pode ser motivo para futuro retorno de um colaborador demissionário
Empresas estão investindo em políticas
de gestão de pessoas que levam em conta, inclusive, o cuidado no momento de
saída dos colaboradores, a chamada política de offboarding. São
medidas de desligamento humanizado que muitas vezes geram outro movimento: o de
pessoas que saem e depois de um tempo retornam para os antigos locais de
trabalho.
Em livre tradução, offboarding
significa desembarque, e é uma expressão utilizada para políticas que geram
menor impacto principalmente em casos de demissões. As políticas de
desligamento são um dos critérios de avaliação de certificação para boas
empresas empregadoras. A certificação internacional Top Employer, por
exemplo, leva em conta a capacidade de atrair e reter talentos, medidas para
entrada (onboarding) e desligamento, entre outros critérios
que deixam o colaborador satisfeito e motivado. A escolha, por exemplo,
do local e do momento certo para a conversa são detalhes que encerram o
ciclo do colaborador de forma mais transparente e empática.
Trajetórias que agregam
Para Francielli Coelho, o momento de
pedir desligamento foi de muita tranquilidade, o que a deixou com uma impressão
positiva. Ela começou a trabalhar no Grupo Marista em 2015, como assistente
administrativo. Graduada em Administração e com especialização em Gestão
Empresarial, passou por diversas funções e gerências, até que, no início de
2021, optou por pedir demissão. “Sempre tive um diálogo muito transparente com
meus gestores. Quando saí, trabalhei como corretora de imóveis, mas não me
adaptei à nova função e comecei a pensar em como eu trabalhava com brilho nos
olhos no emprego anterior”, conta.
A saudade do antigo local de trabalho a
fez se inscrever em novo processo seletivo, nove meses após seu desligamento.
“Sabia que tinha deixado as portas abertas, mas fiquei muito surpresa com a
forma acolhedora que fui recebida de volta quando me inscrevi para uma vaga na
diretoria de Negócios. O fato de já conhecer o grupo, a forma de trabalho e os
caminhos, fez muita diferença nesse retorno”, conta Francielli, que hoje atua
como executiva de Negócios.
Já William Bueno dos Santos passou mais
tempo fora: três anos longe da mesma empresa, até retornar. Hoje, coordenador
de Desenvolvimento Organizacional no Grupo Marista, já havia trabalhado em
outras funções na área de recursos humanos da empresa, entre 2012 e 2015,
quando resolveu mudar de emprego. “No momento em que surgiu uma nova
oportunidade, fiquei dividido, mas sentia que precisava de outra experiência,
atuar em áreas diferentes, e por isso aceitei o desafio. Porém, hoje sinto que
foi uma decisão acertada porque aprendi muito nas outras duas empresas pelas
quais passei e, retornando, desenvolvi com mais sucesso a minha carreira”,
conta. Foi em 2018 que William recebeu o convite para retornar ao Grupo Marista.
“Senti voltando para casa, retomando as coisas com as quais me conectava, os
propósitos fortes do Grupo, e voltei para uma função mais estratégica,
diferente da qual saí. Então, é uma nova fase”, relata.
Sensibilidade e transparência
O desligamento humanizado deve ser um
momento de reforçar os valores da instituição, de acordo com a gerente de
Gestão e Talentos do Grupo Marista, Lúcia Pinto Coelho. “O desligamento,
principalmente quando fruto de uma demissão, nunca é uma tarefa fácil, mas deve
ser o menos traumático possível. É um momento para o gestor agradecer o
trabalho do colaborador, o que ele somou à equipe e que deve ser realizado da
forma mais respeitosa possível”. De acordo com Lúcia, os líderes de área
precisam ser capacitados para essa tarefa e ficar atentos aos detalhes,
principalmente no momento da demissão, como escolher o local adequado para a
conversa, pesquisar se não é próximo de datas importantes para o colaborador,
como aniversários da família, além de evitar datas marcantes, como nas
proximidades do Natal.
E mais, os feedbacks sobre a
atuação da pessoa são fundamentais, pois, dessa forma, nem empregador nem
empregado são pegos de surpresa no momento do desligamento. “É claro que uma
pessoa pode decidir seguir novos caminhos, novos desafios, mas, geralmente,
quando o diálogo é claro e os processos realizados com transparência, esses
desligamentos ocorrem sem grandes problemas, e o colaborador pode um dia
voltar”, comenta Lúcia.
A capacitação dos gestores para esse
momento ainda inclui a comunicação sobre os direitos do trabalhador, os motivos
da saída – no caso de demissão – e os próximos passos que ele deve seguir para
o processo de desligamento.
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