Para
começar, vamos entender o que são “trends”: são as tendências do momento. O que
está em pauta e o que está viralizando nas redes sociais. E seguindo este
conceito, nas últimas semanas nos deparamos com uma trend, no mínimo, curiosa e
assustadora: A “trend do corretivo”.
Vídeos
de alunos inalando pó de corretivo, com o objetivo de simular a utilização de
entorpecentes, tomaram a internet, gerando preocupação em educadores, pais e
responsáveis.
Mas
o que está por trás dessas tendências? Porque situações destrutivas e que
suscitam riscos á saúde física e emocional, podem viralizar entre nossas
crianças e adolescentes? Qual o gatilho motivador faz com que eles busquem
acompanhar e fazer parte de tais “trends”?
Psicanaliticamente
falando, devemos lembrar que o ser humano possui o desejo inerente do
pertencimento. Uma necessidade de pertencer a alguma tribo ou a algum grupo.
Esses jovens e crianças ainda estão passando pelo processo de construção de sua
personalidade e tendem a ter mais aflorado esse desejo de fazer parte de algum
tipo de “comunidade”.
Motivo
pelo qual, os pais ou responsáveis devem manter uma rotina de diálogo, uma
comunicação aberta, uma escuta ativa, além da abertura da possibilidade e
flexibilização para que os filhos possam externar seus sentimentos e suas
emoções. Sem dúvida alguma, através do diálogo é possível investigar qual a
motivação leva esse indivíduo a se aventurar por ações coletivas duvidosas,
viralizadas nas redes sociais.
Um
outro aspecto, muito importante, tem chamado a atenção da psicopedagogia já há
algum tempo: a busca pela popularidade. Ser popular, ter a atenção de todos no
ambiente acadêmico, ser querido, ser o “bom” ou a “boa”, ou mesmo ser notado.
Um tipo de comportamento que denuncia sinais de autoestima baixa, complexo de
inferioridade ou fobia e neurose relacionados à rejeição.
E
ainda podemos levantar mais alguns questionamentos relacionados à motivação:
será que esse indivíduo não está buscando ser notado na escola, por não estar
sendo visto ou acompanhado em casa? Precisa chamar a atenção de seu entorno
pela impossibilidade de se expressar e ser compreendido por todos?
A
subjetividade mostra que muitas são as perguntas e diversas podem ser as respostas.
Mas, não podemos fechar os olhos ao que tem sido ofertado aos jovens. Pois,
visto toda a urgência e velocidade tecnológica que estamos vivenciando nos
últimos anos, existe uma necessidade iminente dos pais estarem atentos ao que é
consumido pelos filhos nas redes sociais.
Estão
se alimentando de que tipo de conteúdo? Estão gastando tempo e energia com que
tipo de informação? Esse controle mais presente, recheado de diálogo e
informação e sem imposições, é fundamental para que não sejam influenciados por
ações destrutivas que possam afetar seu equilíbrio físico e emocional.
Por
fim, o âmbito familiar é a base de construção do caráter, da personalidade, dos
valores e do comportamental de nossos adolescentes. Enquanto a escola faz a
complementação através de boas práticas de convivência, orientação sobre
posicionamentos, desenvolvimento cognitivo e foco diante da construção da
trajetória acadêmica deste ser humano.
Porém,
os perigos fazem parte da vida e a sabedoria está em fortalecer a comunicação,
a educação e a formação do caráter e do estado emocional desse indivíduo que,
muitas vezes clama por socorro, pede limites e acena por atenção e pela
possibilidade de poder posicionar sua voz em muitos momentos.
Basta
que estejamos dispostos a ouvir e atender aos apelos silenciosos. Desta forma,
podemos evitar a proliferação de um exército de adolescentes perdidos e sem
foco, afundados em abusos e excessos, consumidos através das redes sociais.
Dra. Andréa Ladislau – Psicanalista, graduada em Letras e Administração de Empresas,
pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise
Contemporânea. Possui especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. É
palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos
veículos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional de pessoas do
Brasil inteiro.
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