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Divulgação Ceratocone causa um aumento da curvatura da córnea |
Oftalmologistas do Grupo Opty esclarecem as principais dúvidas sobre a doença ocular e advertem sobre importância de não coçar os olhos, fator de risco mais significativo para o desenvolvimento do ceratocone
Para conscientizar a população sobre prevenção e
tratamento, Junho Violeta é a campanha de alerta sobre o ceratocone, uma doença
ocular genética que danifica a estrutura da córnea e, de acordo com dados do
Ministério da Saúde, causa o comprometimento da visão de cerca de 150 mil
brasileiros ao ano. O hábito de coçar os olhos prejudica os olhos. E a falta de
informação e acompanhamento médico, pode agravar o problema ainda mais.
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Coçar os olhos é fator de risco mais significativo para o desenvolvimento do ceratocone Divulgação |
“Coçar os olhos com frequência pode causar danos na
estrutura da córnea, fazendo com que o ceratocone alcance estágios avançados e
prejudique ainda mais a visão. Daí ser o principal alerta da campanha Junho
Violeta. Embora seja uma doença genética, fatores comportamentais podem
agravá-la. Não é normal sentir coceira nos olhos o tempo todo, então, procure
um médico para resolver a causa do problema”, explica o especialista em
transplante de córnea Dr. André Ruppert, oftalmologista do HCLOE, empresa do
Grupo Opty em São Paulo. “Indiretamente, a pandemia e a orientação de não levar
as mãos aos olhos para evitar contaminação pelo novo coronavírus têm auxiliado
na redução desse hábito, mas é essencial que as pessoas levem essa prática para
toda a vida”, comenta.
Para esclarecer e informar sobre a doença,
conversamos com o Dr. Rodrigo T. Santos, especialista em Córnea, Ceratocone,
Lente de Contato e Cirurgia Refrativa, pela Universidade Federal de São Paulo
(UNIFESP). O oftalmologista é coordenador do Setor de Lentes de Contato do
Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), empresa do Grupo Opty. Confira abaixo
e tire suas dúvidas.
O que é ceratocone?
Ceratocone é o que chamamos de ectasia da córnea,
uma doença que causa um aumento da curvatura da córnea e da irregularidade do
astigmatismo, e também há um afinamento, que geram alteração na visão. Com
essas alterações, a córnea apresenta uma saliência, em um formato semelhante a
um cone.
É uma doença que tem mecanismos genéticos
associados, mas que depende da associação principal da alergia nos olhos, que
pode ser relacionada com a rinite alérgica e também com a alergia na pele
(dermatite atópica). Portanto, há a tendência genética do paciente e há o fator
externo, que leva à manifestação e progressão da doença.
Quais os principais sintomas? Existe um público
mais suscetível à doença?
Os principais sintomas são o embaçamento e a baixa
de visão. O perfil é de pacientes jovens: adolescentes e adultos jovens até os
30 anos, com associação de alguma alergia ou coceira nos olhos, por isso o
alerta da campanha Junho Violeta é para não coçar os olhos, como uma forma de
prevenir o ceratocone. Pessoas com Síndrome de Down também apresentam maior
predisposição.
A doença pode estar associada a outros problemas de
visão?
Na consulta, o que nos chama atenção, além desse
perfil de paciente, é a questão de a pessoa ter um astigmatismo alto que, mesmo
corrigido, não ocorre a melhora da visão. O desenvolvimento da doença é gradual
e a velocidade da progressão depende muito de cada indivíduo e da associação à
alergia. Quando o paciente tem o aparecimento do astigmatismo, continua coçando
os olhos e não procura o oftalmologista, a tendência é que a condição piore.
Há prevenção para a doença?
Sim, a melhor prevenção é evitar coçar os olhos,
como é o alerta principal da campanha Junho Violeta, e fazer consultas
regulares com seu médico oftalmologista. Com a pandemia de Covid-19, percebemos
que aumentou o cuidado das pessoas em não coçar os olhos. No consultório,
percebemos que, como as pessoas evitam mais levar as mãos aos olhos, houve
diminuição de casos de conjuntivite bacteriana e viral, que são contagiosas.
Esse cuidado também pode ter ajudado no caso do ceratocone.
A doença tem cura? Quais os tratamentos possíveis?
Há avanços recentes?
Infelizmente, o ceratocone não tem cura, mas há
vários tratamentos disponíveis. Fazemos a abordagem em dois aspectos. O
primeiro é sobre evitar a piora, ou seja, não coçar os olhos e tratar a
possível alergia ocular. Também temos que cuidar da rinite alérgica ou
dermatite atópica, que são alergias sistêmicas do organismo. Se o paciente
apresenta esses problemas, é necessário um enfoque multiprofissional, com o
acompanhamento de um alergista, otorrinolaringologista, pediatra ou
dermatologista, porque às vezes o tratamento ocular apenas não é tão
efetivo.
Se o oftalmologista perceber pelos exames que o
paciente está tendo uma piora das curvaturas, existe um tratamento chamado
crosslinking, que é uma cirurgia na qual o especialista faz uma raspagem do
epitélio (camada superficial da córnea) e vai pingando uma vitamina chamada
riboflavina. Essa vitamina penetra nas fibras de colágeno da córnea, na parte
mais interna. Na etapa final da cirurgia, expomos o paciente à luz ultravioleta
controlada, o que causa uma reação química de maior entrelaçamento dessas
fibras, provocando maiores ligações. Isso dá mais estabilidade e rigidez à
córnea, fazendo com que fique mais resistente ao processo de progressão.
Contudo, mesmo que o paciente tenha feito o crosslinking, é importante
orientá-lo a evitar coçar o olho. Se ele continuar com o processo alérgico
intenso e permanecer coçando o olho, o ceratocone pode aumentar.
O segundo aspecto da abordagem do ceratocone são os
tratamentos para a melhora da visão, para a reabilitação visual. Eu explico
didaticamente ao paciente que o tratamento do ceratocone é como se fosse uma
escada: a gente só vai para o nível superior, se aquele que a gente está não
for suficiente. Então, o primeiro passo é verificar como está a visão do
paciente com ceratocone, é realizar a refração, o exame para determinar o grau
dos óculos. Se ele alcançar uma boa visão, o paciente do ceratocone pode usar
óculos – às vezes, há um grau mais alto de miopia e ou astigmatismo –, mas se
der uma boa visão, é um passo importante. Porém, se a visão não for
satisfatória, a opção é realizar os testes de lentes de contato. Nesse caso,
para a melhora da visão de uma córnea irregular, há as lentes rígidas
fluorcarbonadas e as lentes esclerais. Ambas ajudam a corrigir a óptica do
ceratocone e permitem uma visão mais nítida, corrigindo o astigmatismo
irregular. Porém, quando o paciente retira a lente, ao final do dia, antes de
dormir, o ceratocone continua lá. As lentes são um artifício apenas para a
pessoa enxergar melhor. É sempre bom, se ele tiver óculos, usá-los também.
O terceiro degrau dessa escada é o anel
intraestromal, que ficou conhecido como anel de Ferrara. São segmentos de
material acrílico implantados dentro da córnea que promovem um estiramento
dessas fibras e um aplanamento da córnea na parte central, com isso diminuindo
os valores de curvatura, mas também ajudando a regularizar o astigmatismo,
permitindo uma melhora na visão. Porém, na maioria dos casos, às vezes é
necessário continuar usando os óculos de grau ou mesmo continuar uma adaptação
de uma lente de contato.
E, por último nessa escala, há o transplante de
córnea. Hoje há algumas técnicas mais avançadas, em que se retira apenas uma
camada da córnea, a parte anterior, o chamado transplante lamelar anterior. O
transplante é a última opção, quando o paciente já tem uma córnea com uma
curvatura muito extrema, um afinamento grande ou alguma cicatriz na córnea, ou
seja, casos em que não são indicados fazer o anel, ou em que a lente de contato
ou os óculos não tenham resolvido satisfatoriamente. A cirurgia de transplante
é muito importante, porém corre-se o risco de falência e rejeição. Por isso
deve ser usada como último recurso.
O que vem pela frente em termos de tratamento? Como
novas tecnologias podem auxiliar no combate à doença?
Nos últimos cinco anos, surgiram inovações em
lentes de contato, decorrentes de modelos diferentes, materiais novos e
acabamentos diferenciados. Nesse período também houve o lançamento de segmentos
de anéis de tamanhos de arcos diferentes, além de segmentos com diferença
progressiva de sua espessura. Com isso, temos conseguido melhorar bastante a
visão e a qualidade de vida dos pacientes. O surgimento do crosslinking, que
também é relativamente recente, possibilitou que muitos pacientes tivessem a
progressão da doença controlada e, com isso, evitou-se que eles necessitem do
transplante de córnea. Novas tecnologias estão sendo pesquisadas nas formas
diferentes de crosslinking, mas ainda aguardamos os estudos para verificar a
segurança e a eficácia.
Alguma última orientação para quem tem ceratocone?
Queria alertar que, infelizmente, muitos pacientes
com essa condição procuram o Google ou vão em médicos não especialistas e
acabam não tendo informações corretas. Acham que vão ficar cegos, que
ceratocone não tem tratamento, que terão de fazer transplante, que não vão mais
enxergar. Muitos são jovens, os pais ficam preocupados com o futuro
profissional e pessoal dos filhos. Em alguns casos, adolescentes entram em
depressão, por conta desse fato. Ao procurar um especialista capacitado, ele
vai dar a melhor abordagem para o problema e até sugerir, se for o caso, a
importância de um apoio psicológico, terapia de crise, para o paciente e para a
família. Então, o meu conselho é: faça consulta e exames de rotina com seu
médico oftalmologista, se necessário vá a um especialista em córnea e
ceratocone, porque há vários tratamentos para ajudar a melhorar a visão e a
qualidade de vida, evitando a progressão da doença. E lembrem-se de não coçar
os olhos!
Opty


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