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terça-feira, 16 de março de 2021

Um ano de pandemia na região do ABC

Há um ano, não esperávamos que as coisas iriam mudar tanto. Desde o começo da pandemia, o ABC salvou mais de  120 mil pessoas, mas, infelizmente,  perdemos  4.700 vidas para a Covid- 19. Escancaramos as diferenças entre as classes socioeconômicas, entre os serviços particulares e os públicos, entre formais e informais.

No mesmo período do ano passado, não estávamos preparados para os novos modelos de trabalho, como o home office. Havia incertezas de como se proteger do contágio. O trabalho híbrido se tornou mais conhecido, a máscara se consolidou como equipamento que evita contágio, não há qualquer receio de desabastecimento de produtos e alimentos, houve passeata para abrir escolas particulares, jovens começam a ser vítimas da Covid - 19. Os pequenos empresários no último ano tentaram digitalizar seus negócios, alguns conseguiram, mas não se adaptaram aos novos custos da operação on-line. Descobrimos as lives das mídias sociais, houve momentos histéricos, altíssima concorrência e pouco resultado prático.

Em 2020, a região recebeu mais de 1,7 bilhões de reais em auxílio emergencial e os bancos privados aumentaram em 15% a oferta de crédito nas suas carteiras. Mesmo assim, temos 1,6 milhão de desempregados e mais de 40% da população economicamente ativa está negativada. Entramos em novo lockdown com os mesmos problemas mal resolvidos, com menos auxílio emergencial e sem nenhum fôlego de capital de giro. Os novos compradores digitais de 2020 consolidaram-se e, enquanto o varejo de rua padece, os marketplaces de venda on-line batem recorde de faturamento. Falávamos em 45 milhões de desbancarizados e, em 2020, regulamentamos a poupança social digital e digitalizamos a população de baixa renda em aplicativos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Só as contas digitais ultrapassam 60 milhões de usuários.

Tivemos eleições municipais em um pleito onde concorreram 56 prefeitos e 3,6 mil candidatos a vereador. Há um ano, não falávamos em negacionismo tampouco polarizamos a discussão em quem segue as recomendações técnicas-sanitárias contra a  Covid-19 e quem não segue recomendações. Em 2020, estimamos um PIB Regional próximo de R$ 122,7 bi, mas, segundo estimativas, perdemos mais de 5 bi entre anos. 

Somos mais de 2 bilhões de eleitores e temos apenas três deputados federais e seis deputados estaduais com domicílio eleitoral na região. Em 2020, a eleição municipal no ABC alcançou o maior índice de abstenção desde a redemocratização.

No ano da pandemia nasceram mais de 27 mil crianças e morreram 33 mil empresas. Nossa região ainda é expoente nos setores automobilístico e farmacêutico, além de  ter um setor de serviços moderno. O varejo é o segundo que mais emprega na região, concentrando, em média, 12% dos empregos formais e é o setor com maior percentual de vagas com escolaridade de ensino médio e superior incompleto. 

No entanto, 21,6 mil comércios fecharam neste último ano e vivenciamos a desestruturação do polo metal-mecânico e automobilístico, com a desativação de grandes plantas industriais. Se fôssemos uma cidade única, teríamos muitos problemas, mas estaríamos no ranking dos cinco maiores PIBs do Brasil.  Lá se foi um ano.

 


Alexandre Coelho Damasio - presidente da CDL de São Caetano do Sul 


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