Há um ano, não esperávamos que as coisas iriam mudar tanto. Desde o começo da pandemia, o ABC salvou mais de 120 mil pessoas, mas, infelizmente, perdemos 4.700 vidas para a Covid- 19. Escancaramos as diferenças entre as classes socioeconômicas, entre os serviços particulares e os públicos, entre formais e informais.
No mesmo período do ano passado, não estávamos
preparados para os novos modelos de trabalho, como o home office. Havia
incertezas de como se proteger do contágio. O trabalho híbrido se tornou mais
conhecido, a máscara se consolidou como equipamento que evita contágio, não há
qualquer receio de desabastecimento de produtos e alimentos, houve passeata
para abrir escolas particulares, jovens começam a ser vítimas da Covid - 19. Os
pequenos empresários no último ano tentaram digitalizar seus negócios, alguns
conseguiram, mas não se adaptaram aos novos custos da operação on-line.
Descobrimos as lives das mídias sociais, houve momentos histéricos,
altíssima concorrência e pouco resultado prático.
Em 2020, a região recebeu mais de 1,7 bilhões de
reais em auxílio emergencial e os bancos privados aumentaram em 15% a oferta de
crédito nas suas carteiras. Mesmo assim, temos 1,6 milhão de desempregados e
mais de 40% da população economicamente ativa está negativada. Entramos em novo
lockdown com os mesmos problemas mal resolvidos, com menos auxílio emergencial
e sem nenhum fôlego de capital de giro. Os novos compradores digitais de 2020
consolidaram-se e, enquanto o varejo de rua padece, os marketplaces de venda
on-line batem recorde de faturamento. Falávamos em 45 milhões de
desbancarizados e, em 2020, regulamentamos a poupança social digital e
digitalizamos a população de baixa renda em aplicativos da Caixa Econômica
Federal e do Banco do Brasil. Só as contas digitais ultrapassam 60 milhões de
usuários.
Tivemos eleições municipais em um pleito onde
concorreram 56 prefeitos e 3,6 mil candidatos a vereador. Há um ano, não
falávamos em negacionismo tampouco polarizamos a discussão em quem segue as
recomendações técnicas-sanitárias contra a Covid-19 e quem não segue
recomendações. Em 2020, estimamos um PIB Regional próximo de R$ 122,7 bi, mas,
segundo estimativas, perdemos mais de 5 bi entre anos.
Somos mais de 2 bilhões de eleitores e temos apenas
três deputados federais e seis deputados estaduais com domicílio eleitoral na
região. Em 2020, a eleição municipal no ABC alcançou o maior índice de
abstenção desde a redemocratização.
No ano da pandemia nasceram mais de 27 mil crianças
e morreram 33 mil empresas. Nossa região ainda é expoente nos setores
automobilístico e farmacêutico, além de ter um setor de serviços moderno.
O varejo é o segundo que mais emprega na região, concentrando, em média, 12%
dos empregos formais e é o setor com maior percentual de vagas com escolaridade
de ensino médio e superior incompleto.
No entanto, 21,6 mil comércios fecharam neste
último ano e vivenciamos a desestruturação do polo metal-mecânico e
automobilístico, com a desativação de grandes plantas industriais. Se fôssemos
uma cidade única, teríamos muitos problemas, mas estaríamos no ranking dos
cinco maiores PIBs do Brasil. Lá se foi um ano.
Alexandre Coelho Damasio - presidente da CDL de São Caetano do Sul
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