Dentre os pacientes com Doença Residual Mínima (DRM) positiva após o tratamento de reindução, 93% atingiram remissão molecular com tratamento de blinatumomabe versus 23% para aqueles tratados com quimioterapia padrão.
Dados publicados no
The Journal of the American Medical Association (JAMA) trouxeram uma nova
perspectiva de tratamento e sobrevida para os pacientes pediátricos com um tipo
agressivo de câncer - a Leucemia Linfoblastica Aguda infantil, ou LLA infantil
- um câncer de sangue que afeta os glóbulos brancos em formação do e interfere
na produção de todas as outras células sanguíneas - e está entre os tipos mais
frequentes de câncer entre crianças e adolescentes.¹
O estudo 20120215 de
fase 3, avaliou a eficácia, segurança e tolerabilidade da molécula
blinatumomabe em pacientes LLA de células B em primeira recaída de alto risco,
quando há o reaparecimento da doença após o primeiro tratamento e demonstrou
que dos pacientes que apresentavam DRM positiva após o tratamento de reindução,
93% dos que receberam blinatumomabe atingiram remissão molecular em
comparação a apenas 24% dos paciente do grupo que receberam apenas
quimioterapia padrão.
Realizado pela Amgen,
uma das maiores empresas de biotecnologia do mundo, o estudo multicêntrico e randomizado
buscou comparar o tratamento de blinatumomabe com quimioterapia padrão antes do
transplante de medula óssea para pacientes em primeira recaída de alto risco. Após
uma mediana de 22,4 meses de acompanhamento, 69% dos pacientes tratados com
blinatumomabe estavam vivos e sem eventos em comparação com 43% dos pacientes
tratados com quimioterapia. A estimativa de sobrevida global (SG) de 36 meses
no grupo blinatumomabe foi de 81,1% versus 55,8% no grupo de quimioterapia, e a
SG mediana não foi atingida.
Apesar de ser
considerado raro quando comparado ao câncer em adultos, correspondendo entre 2%
e 3% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, o câncer
infanto-juvenil é a principal doença que causa a morte em jovens de até 19 anos
e, anualmente, cerca de 12 mil crianças e adolescentes tem suas vidas
interrompidas por essa doença. "A leucemia linfoblástica aguda é o tipo de
câncer mais comum em crianças. Infelizmente, aproximadamente 15% das crianças
com LLA-B de alto risco recaem após a quimioterapia de primeira linha. Neste
contexto, há uma necessidade de novas opções de tratamento para esses
pacientes, e os resultados do estudo trazem um cenário promissor", explica
Dr. Claudio Galvão, presidente da SOBOPE (Sociedade Brasileira de Oncologia
Pediátrica).
No grupo blinatumomabe
versus grupo de quimioterapia, a incidência de eventos adversos graves (EAs)
foi de 24,1% vs 43,1%, respectivamente, e a incidência de eventos adversos de
grau 3 ou superior foi 57,4% vs 82,4%. Nenhum evento adverso fatal foi
relatado. Os eventos adversos (EAs) mais comuns no braço de tratamento com
blinatumomabe foram pirexia (81,5%), náusea (40,7%; 1 grau ≥ 3), dor de cabeça
(35,2%), estomatite (35,2%) e vômitos (29,6%; grau ≤ 2).
"Os resultados do
estudo demonstraram que a nova molécula foi mais eficaz, associada a menos
toxicidades graves em comparação com a quimioterapia", disse o pesquisador
do estudo, Franco Locatelli. "A quimioterapia tem sido usada como
tratamento para pacientes com LLA antes do procedimento de transplante de
medula óssea e esta abordagem sendo apenas parcialmente eficaz e associada a
toxicidade relevante."
Também foi publicado
no JAMA um estudo de fase 3 do Children’s Oncology Group (COG) avaliando a
mesma droga e demonstrou que o tratamento resultou em toxicidades menos graves,
taxas mais altas de remissão de DRM, maior probabilidade de prosseguir o
transplante de medula óssea e a melhora na sobrevida global.
Este cenário conduz um
ambiente favorável para centenas de famílias, considerando que ao descobrir a
LLA infantil, tanto pacientes e familiares arcam não apenas fisicamente, mas
também emocionalmente com a doença e as consequências clínicas e sociais da
doença. "A possibilidade de mais drogas disponíveis também traz um
potencial aumento da chance de superação da doença. A humanização desta
jornada, assim como lutarmos para todos terem acesso ao melhor tratamento, é
essencial para que os pacientes sejam atendidos tanto pelo protocolo já
ministrado no país como também por drogas, como a apresentada no estudo, que
tem potencial de mudar o tratamento de pacientes com uma doença mais
agressiva",explica Dr. Claudio Galvão
O blinatumomabe
pertence a uma nova classe de medicamentos, os anticorpos monoclonais
biespecíficos, com um mecanismo de ação inovador chamado BiTE®, que possibilita
que o anticorpo monoclonal se ligue a dois tipos diferentes de células; de um
lado se liga a uma célula do sistema imune do paciente e do outro lado se liga
à célula tumoral. Com isso, o medicamento estimula que o próprio sistema imune
do paciente produza mais células sadias e ataque as células tumorais.
Amgen
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