Especialistas destacam a importância de reconhecer que é impossível absorver os milhares de conteúdos compartilhados a cada segundo na internet e redes sociais
O F.O.M.O, acrônimo em inglês para
"Fear of missing out", significa o medo de ficar de fora e perder uma
informação ou um conteúdo relevante. Este foi o centro do debate do webinar
Arena de Ideias desta quinta-feira (18). Como lidar com a atual realidade na
comunicação e como as pessoas devem interagir com a avalanche de informação e
conteúdo compartilhado na internet?
"Nós estamos cada vez mais
acelerados e superconectados. E a ansiedade dos usuários faz com que eles
acompanhem com a mesma velocidade esse mundo onde tudo é compartilhado. Vivemos
uma infodemia, um excesso de informação que vem de todas as formas e
direções", afirma a sócia-diretora da In Press Oficina, Patrícia Marins.
A expressão F.O.M.O. foi cunhada no
início dos anos 2000 pelo estrategista de marketing norte-americano, Dan
Herman. De lá para cá o conceito se popularizou e milhares de pessoas sentem a
necessidade de manter-se conectadas 24 horas por dia.
O cofundador e co-CEO da Forebrain,
Billy Nascimento, explica que a necessidade de buscar informação está presente
desde os primórdios da humanidade. Para ele, é fundamental reconhecermos que
não é possível absorver todas as informações despejadas na internet. E entender
que isso não é problema, mas uma situação que foge ao nosso controle.
"É claro que o nosso mundo atual a
busca de informação é uma necessidade e tem que fazer parte dos nossos desejos
e vontades. Mas não conseguimos controlar, ponto. Acho que é importante para
essa nossa dinâmica entender que não temos como saber de tudo. Não precisamos
ser super-heróis, não é isso que define quem nós somos", ressalta.
A CEO da consultoria em tendências e
inovação Spark:off, Andrea Bisker, admite sofrer com essa pressão de ficar fora
e tenta transformar isso em algo positivo. "O F.O.M.O nunca foi tão
presente em nossas vidas, mas temos que tomar muito cuidado porque acelera
ainda mais a nossa ansiedade. O J.O.M.O ("joy of missing out" ou
prazer em ficar por fora), é algo que eu persigo, porque para mim significa
equilíbrio", diz.
Nessa mesma linha, a diretora de
Curadoria e Conteúdo da In Press Oficina, Miriam Moura, destaca a necessidade
de transformar essa sensação de estar perdendo alguma coisa em algo positivo.
"É preciso fazer um conexão interior e depois dividir isso, porque senão o
mundo não vai andar. J.O.M.O é transformar o ‘F’ (de fear, medo em inglês) em
alegria, curtição de estar perdendo alguma coisa. Com isso vamos aprender a
conviver com esse ambiente de infodemia, mas administrar o melhor nosso
tempo", diz.
Excesso de conteúdo exige checagem
cautelosa das informações
A cada segundo milhares de informações
são despejadas em todos os canais de conteúdo da internet. Essa infodemia traz
um efeito colateral, ao aumentar os riscos de disseminação de fake news. Esse
efeito nefasto vai exigir das pessoas maior cuidado com o conteúdo
compartilhado nas redes.
"A fake news existe desde a
primeira revolução no século XV, quando surge a imprensa escrita. Essa questão
é uma das mais delicadas e estamos sentindo isso com as informações da
pandemia. Vai exigir um avanço na habilidade de checagem, que vai muito além
das agências de fact-checking. Passa por uma conscientização global",
afirma Miriam.
Para Patrícia, diante da enxurrada de informações que invade
a internet diariamente, "todos nós precisamos ter esse double check da
informação". Segundo ela, é importante "saber se estou de fato
buscando criar a minha bagagem crítica em cima de informações verdadeira".
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