Não é difícil subestimar a escala e a velocidade
das mudanças que ocorreram no século 20. Tivemos avanços científicos e
tecnológicos que impactaram significativamente nossas vidas, mas estamos
prestes a vivenciar um momento ainda mais intenso. Como líderes de uma Era
Digital, é nossa responsabilidade navegar nas mudanças com integridade e gerar
uma liderança positiva e impactante.
Atualmente, muitos trabalhadores estão suscetíveis
ao trabalho físico, baixas remunerações e poucas oportunidades de
desenvolvimento profissional e realização. É aí que entra a 4ª revolução
industrial, que deve criar oportunidades de reinventar o trabalho. Mas esta
revolução também nos desafia no desenvolvimento de novas habilidades.
A primeira revolução marcou a transição da produção
manual à mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850, trouxe a
eletricidade e permitiu a manufatura em massa. Também vieram novas tecnologias
e diferentes formas de trabalho. Muitos trabalhadores foram substituídos por
máquinas mas, em contrapartida, foram criadas novas possibilidade de acesso ao
estudo, que ainda não eram disponíveis para trabalhadores da agricultura das
áreas rurais.
A terceira revolução industrial aconteceu em meados
do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das
telecomunicações. A quarta revolução industrial, que também é chamada de 4.0,
traz a tendência à automatização total de postos de trabalho. Conforme comenta
Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial e autor do livro A quarta
revolução industrial, "estamos a bordo de uma revolução
tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos
e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será
diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes".
A quarta revolução industrial é uma transformação
tecnológica que envolve aspectos como a robotização, inteligência artificial,
impressão tridimensional, entre outros. Para Klaus, a automatização poderá
acabar com sete milhões de empregos até 2020. Países emergentes como China,
Índia e Brasil perderão mais empregos para as máquinas. Um dos nossos maiores
desafios será desenvolver a capacidade de transferir trabalhos físicos e
altamente analíticos para máquinas e robôs. Muitos governos e empregadores
estão incentivando seus estudantes a investirem em áreas como ciências,
matemática e engenharia. É uma forma de preparar mão de obra para a demanda
futura. Mas nós não precisaremos somente de engenheiros de software. Os
profissionais do futuro deverão ter algumas características essenciais. Entre
elas, agilidade para o aprendizado, habilidade de compartilhar e conectar
pontos; além de alta inteligência emocional e social para criar relações de
confiança com colegas, interna e externamente à organização O profissional do
futuro precisará entender de tecnologia mas, acima de tudo, deverá saber se
conectar com a sociedade e gerar progresso para todas as partes interessadas.
Conectividade é um produto da tecnologia e contribui para ambientes mais
inclusivos, onde colaboradores à distância podem participar ativamente de
processos e gerar soluções em conjunto.
E se os funcionários precisarão dessas
competências, você pode imaginar como serão os líderes? E o desafio de liderar
pessoas que não estarão necessariamente sentadas em um escritório? Será
imprescindível saber medir e recompensar pessoas em um ambiente virtual,
conectar e integrar colaboradores para gerar resultados.
As organizações e os líderes do futuro precisarão
contribuir com o desenvolvimento de seus funcionários. Caberá a nós a criação
de sistemas eficazes para requalificar as pessoas e torná-las capazes de se
sustentarem nesta nova realidade. Como líderes, precisaremos contribuir e
influenciar a sociedade para que a quarta revolução industrial não aumente as
diferenças sociais e possa, de fato, colaborar com a humanidade.
Luciana Gazzoni - interculturalista, especialista
em gestão de pessoas e liderança, consultora do Sistema Positivo de Ensino.
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