Para
o Dr. Prof. Rabino Samy Pinto, incluir cursos que apresentem as diversas
posições políticas ajudará na criação de debates sinceros, respeitosos e com
rigor cientifico
Recentemente, foi criado um curso na Universidade de
Brasília (UnB) na área de graduação das ciências políticas com o título “O
Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, o lançamento da disciplina
teve um desdobramento em outras instituições de ensino, que pretendem incluir o
assunto no currículo. Um exemplo é que alguns professores da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) preparam um curso livre sobre o mesmo
tema. A Universidade Federal do Ceará (UFC) e as federais da Bahia (UFBA) e
Amazonas (UFAM) também abordaram o Impeachment de Dilma Rousseff. A iniciativa
foi duramente criticada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, que lamentou
o uso do espaço público para promoção de militância político-partidária.
Para o Dr. Prof. Rabino Samy Pinto, assim como não existe
uma escola sem partido, não existe uma universidade sem partido. “Acreditar
numa instituição educacional apartidária é crer em uma ilusão, uma utopia. O
que precisamos é um amadurecimento político das instituições, deixar mais claro
as propostas. Penso que o professor titular da cadeira da UnB, Luiz Felipe
Miguel, fez o seu dever. É óbvio que há uma leitura para a defesa de
determinados partidos e uma crítica para outros. E eu não vejo aqui nenhum
problema com isso, a não ser de deixar cada vez mais transparente para a
sociedade brasileira que precisamos terminar com esse disfarce de discurso
imparcial”, comenta.
Quando se olha as ementas do novo curso da UnB se verifica
uma visão bilateral, em que a universidade tira a responsabilidade sobre o tema
da matéria, ao deixar claro que a disciplina é facultativa, não obrigatória.
“Termino chamando atenção também às referências
bibliográficas do curso. É notório que não há o discurso da imparcialidade e
que voltamos a assistir mais um caso de utopia. Em favor da liberdade, da
democracia e da justiça social o Brasil, através das suas universidades,
precisa ter cursos de visão esquerdista, de visão liberal, e de direita, para
dar oportunidade para se criar um debate sincero, respeitoso, com rigor
científico e que possibilite que os alunos tenham uma visão unilateral de
compreensão do mundo e dos processos políticos”, completa o Dr. Prof. Rabino
Samy Pinto.
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