Dependência do smartphone pode ser
considerada até mesmo uma doença se você não souber impor limites a si mesmo
Não há dúvida que hoje o smartphone é o acessório mais importante
que carregamos em nossas vidas. Sem ele ficamos sem comunicação com nossos
familiares, amigos e não conseguimos ter acesso nem mesmo às notícias e às
redes sociais. Para muitos, viver sem um celular é algo praticamente
impossível.
Esse alto grau de dependência, por si só, não pode ser considerado
uma doença. Há que se diferenciar exatamente o que é necessidade e utilidade do
que é dependência. Somente a partir do momento que alguma coisa – ou a falta
dessa coisa – começa a fazer mal em nossas vidas é que podemos estar diante de
um quadro grave e que requer tratamento psicológico.
Nomofobia: a dependência do telefone celular
Considerado um dos males modernos, a nomofobia é o termo utilizado
para descrever aquelas pessoas que não conseguem ficar longe dos seus
smartphones. O termo vem da expressão em inglês “no mobile phone fobia”, que em
tradução direta significa algo como “medo de não ter um telefone celular”.
No entanto, existe uma linha tênue para compreender quando o
celular deixa de ser um acessório importante em nossas vidas para praticamente
virar uma extensão do nosso corpo. Com o início do uso do celular cada vez mais
cedo por parte das crianças, é natural que elas cresçam e alimentem ainda mais
essa dependência.
Compreendendo o uso do celular em nosso organismo
Além de saciar as necessidades naturais para as quais ele foi
criado, o uso contínuo de smartphones pode despertar uma série de gatilhos e
sintomas nas pessoas, estimulando a dependência. Em nível neurobiológico
falamos de um sistema de recompensa cerebral, que estimula comportamentos de
manutenção da vida.
Assim, temos necessidade de comida, de sexo, de proteção, entre
outras coisas, e recebemos sinais do corpo nos informando que “precisamos”
daquilo. No caso da dependência de smartphones, a sensação é exatamente a
mesma. Nosso corpo “precisa” usar o aparelho e ver as novidades para que se
sinta saciado.
Em um primeiro momento você pode julgar que tudo isso é um
exagero, mas em médio e longo prazo passa a ser possível perceber sintomas
relacionados a falta ou excesso de uso de um smartphone. Eles incluem fadigas,
problemas oculares, dores musculares, tendinites, cefaléias e distúrbios do
sono, por exemplo.
5 sintomas que mostram que você pode estar viciado em celular
Obviamente, qualquer diagnóstico depende sempre do auxílio de um
médico ou de um psicólogo, mas em linhas gerais podemos dizer os “viciados” em
celulares apresentam sintomas muito parecidos com os daqueles que têm algum tipo
de dependência química. Abaixo listamos três deles:
Fissura – pode ser percebida quando você passa a usar o celular como um
meio para se sentir melhor quando não está bem. Por exemplo, se você fica
triste, imediatamente pensa em pegar o celular para ver as redes sociais até
que a sensação passe – ou diminua.
Abstinência – ocorre quando você fica preocupado por não
estar com o smartphone no seu bolso. Nesses casos, você fica ansioso,
imaginando que estão tentando entrar em contato com você, por meio de ligações
ou mensagens, mas você está impedido de responder. Outra situação comum é
dificuldade em desligar o aparelho em situações onde isso se faz necessário,
como no avião.
Consequências negativas – é quando o uso do celular
começa a prejudicar a sua vida pessoal. Você se atrasa porque ficou no celular;
gasta valores acima do que pode pagar com a conta telefônica; reduz a sua
produtividade no trabalho ou nos estudos para ficar mandando mensagens; entre
outras situações.
Perda de controle – a partir do momento que você
passa a ficar mais tempo no celular, deixa de observar tudo aquilo que acontece
à sua volta. Seus amigos e familiares já não conseguem mais manter uma conversa
com você e muitas vezes você deixa até mesmo de dormir apenas para passar o
tempo de olho na telinha.
Tolerância – quando os cenários descritos acima estão
ocorrendo, você se perde com relação à quantidade de tempo que passa olhando
para o celular. Seu tempo de uso aumenta progressivamente e você se torna cada
vez mais infeliz por conta disso. Contudo, não consegue reduzir o tempo gasto
de forma alguma sem que haja sacrifício.
Não saber a hora de parar pode ser perigoso
Além de tudo que já mencionamos aqui com relação aos malefícios
que o uso excessivo do celular pode causar à sua saúde, há também que se levar
em consideração outros perigos que você corre quando não consegue se conter
para usar o aparelho. Sabemos que os smartphones estão hoje entre os itens mais
visados pelos bandidos.
Usar um celular em público, em muitas circunstâncias, pode ser uma
espécie de chamariz para que pessoas mal-intencionadas tentem roubar você.
Mesmo que você tenha um seguro
para celular, algo que vai fazer com que você economize bastante caso seja roubado,
ainda assim há a dor de cabeça que situações como essas trazem.
O real é mais importante que o virtual
Independente da circunstância, é importante observar que o mundo
real é mais importante do que tudo aquilo que se passa no mundo virtual. Quando
você deixa de prestar atenção naquilo que está à sua volta – seus amigos, seus
familiares, os dias de sol ou o seu trabalho – e se concentra apenas no que vê
pela telinha do celular, é sinal que alguma coisa está errada.
Se você se sente dessa maneira – ou se as pessoas insistentemente
dizem para você que algo está passando dos limites – a melhor maneira de
resolver o problema é procurando ajuda especializada. Médicos e psicólogos
estão hoje bastante familiarizados com problemas como esse – ele é mais comum
do que você imagina – e podem ajudar bastante na sua recuperação.
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