Expectativa de vida mais alta e tratamentos oncológicos podem estar
relacionados à maior taxa de mortalidade
As doenças cardiovasculares são as
principais causas de morte no Brasil. De acordo com o Cardiômetro da Sociedade
Brasileira de Cardiologia, somente em 2018, cerca de 54 mil pessoas já morreram
devido à complicações cardíacas. As mulheres são as principais vítimas: 60% dos
infartos no país ocorrem na população feminina, segundo informações do
Ministério da Saúde.
O cardiologista, Rodrigo Cerci,
coordenador do Serviço de Angiotomografia Cardíaca e diretor de Pesquisa e
Inovação da Quanta Diagnóstico e Terapia, conta que a maior expectativa de vida
entre o sexo feminino pode ser uma das explicações para a alta taxa de
mortalidade. “As doenças cardíacas costumam afetar mais as mulheres após a
menopausa e, como elas têm uma expectativa de vida maior, em determinado
momento, a taxa de mortalidade acaba ultrapassando às dos homens. E por ter um
infarto em idade mais avançada, pode ser mais fatal, pois, geralmente, nessa
fase acabam tendo outras doenças associadas”, esclarece.
O diagnóstico precoce ainda é a
melhor maneira de evitar complicações por doenças cardiovasculares, como o
infarto ou um AVC. “É importante que as mulheres incluam uma consulta ao
cardiologista em sua rotina de check-ups. Assim como elas fazem exames
preventivos de câncer de mama e câncer de colo de útero todos os anos, também
devem realizar exames para a detecção de fatores de risco e prevenção das
doenças cardíacas, pois, essas doenças matam mais do que os cânceres”, explica
o cardiologista. “Hoje, exames como o escore de cálcio, por exemplo, quando bem
indicado, já consegue detectar a aterosclerose antes mesmo da mulher ter
sintomas, o que permite um tratamento precoce e ajuda a evitar futuros problemas”,
acrescenta.
O cardiologista também alerta que
as mulheres devem ficar mais atentas aos sintomas de um infarto, que podem ser
atípicos. “Os sintomas clássicos de um infarto são dores ou sensação fortes de
pressão no peito que irradiam para o braço esquerdo ou pescoço, acompanhados de
suor excessivo e palidez. Mas, nas mulheres, esses sintomas podem ocorrer de
forma isolada, por isso, é fundamental procurar um serviço de emergência mesmo
quando só há uma dor forte no braço esquerdo, por exemplo”, detalha Dr. Rodrigo
Cerci.
Doenças cardíacas X câncer
A maior mortalidade por doenças
cardíacas também deve ser motivo de preocupação nas mulheres que desenvolvem
câncer de mama. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com dados do
programa Women's Health Initiative mostrou que, entre mulheres
com mais de 70 anos com um diagnóstico de câncer de mama localizado, a maior
causa de morte é de origem cardiovascular.
“Graças às campanhas contra o
câncer de mama e avanços na medicina, o diagnóstico do câncer tem sido cada vez
mais precoce, e aliado aos avanços no tratamento, o sucesso em curar o câncer
tem sido cada vez maior. Por outro lado, muitas mulheres têm um alto risco de
desenvolver doenças cardiovasculares durante tratamento do câncer de mama,
especialmente, aquelas em idade pós-menopausa. Isso é um problema que devemos
ficar atentos porque, em geral, muitas mulheres e médicos tendem a focar no
diagnóstico e tratamento do câncer e acabam deixando de lado o risco
cardiovascular”, alerta o diretor do Serviço de Cárdio-Oncologia da Quanta
Diagnóstico e Terapia, o cardiologista Miguel Morita.
A insuficiência cardíaca é uma das
doenças que pode ocorrer após um tratamento com quimioterapia. Ela provoca o
enfraquecimento do músculo do coração, que começa a ter dificuldade em bombear
sangue na quantidade suficiente para atender as necessidades de todo o
organismo. “Algumas medicações
usadas durante a quimioterapia ou a própria radiação da radioterapia podem
enfraquecer o coração. É claro que o objetivo dessas terapias é destruir o
câncer, mas, elas podem afetar células saudáveis também, como as do coração”,
afirma Dr. Morita.
A doença pode ocorrer tanto durante
quanto após o término da quimioterapia, especialmente, no primeiro ano. As
mulheres mais suscetíveis a desenvolver a doença são aquelas que já têm algum
problema cardíaco, como histórico de infarto do miocárdio e doença do músculo
cardíaco ou, ainda, se tiverem dois ou mais fatores de risco, como hipertensão,
diabetes, colesterol alto, tabagismo ou obesidade.
Já a radioterapia, principalmente
quando realizada no tórax, pode causar um entupimento das artérias coronárias
cinco ou dez anos após o tratamento ter sido finalizado. “O entupimento das
artérias pode provocar isquemia miocárdica, que é a falta de irrigação do
músculo cardíaco, dor no peito ou até infarto. Isso ocorre porque a radiação
usada para destruir o câncer pode atingir as artérias coronárias, alterando sua
estrutura”, revela Dr. Morita. Outros problemas, menos comuns, são doenças
das válvulas e do pericárdio, que é um ’tecido’ que envolve o coração.
O acompanhamento cardiológico
durante a quimioterapia ou radioterapia, principalmente nos casos de câncer de
mama, pode não só ajudar a tratar as doenças do coração como pode, também, influenciar
na própria terapia contra o câncer. “Um antecedente
de problemas cardiovasculares pode influenciar na seleção do tratamento contra
o câncer, como a escolha entre fazer ou não quimioterapia ou qual
quimioterápico usar, assim como, o aparecimento de sinais de cardiotoxicidade
durante quimioterapia podem afetar a continuidade desse tratamento. Como
resultado, a saúde do coração poderá influenciar diretamente o sucesso do
tratamento contra o câncer”, explica Dr. Miguel Morita.
Quanta Diagnóstico e Terapia
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