As moendas das usinas
de cana-de-açúcar começam a girar e espalham esperança de dias melhores, geram
empregos, garantem renda e dão exemplo de sustentabilidade ambiental. A safra 2017/2018
promete demonstrar o vigor do setor e consolidar a importância desta cadeia
produtiva tão virtuosa e motivo de orgulho para nós do Estado de São Paulo.
Neste ano, a colheita
tem um ingrediente mais do que especial que abre ótimas perspectivas para os
canaviais, a regulamentação do RenovaBio, assinada no dia 14 de março pelo
presidente Michel Temer, em Ribeirão Preto, durante o seminário realizado pela
Datagro.
O RenovaBio é uma das
mais importantes iniciativas brasileiras para alcançar uma matriz energética
mais limpa. Sua importância pode ser medida pela velocidade em que o texto foi
aprovado na Câmara dos Deputados: apenas 12 dias. Além de ter sido aprovado por
aclamação no Senado Federal.
Uma rapidez que tem
toda razão de ser por se tratar de uma iniciativa essencial para o crescimento
econômico do Brasil. Ele estimulará o investimento privado em biocombustíveis,
induzindo a eficiência energética na sua produção e uso, e reconhecendo a
capacidade de cada biocombustível promover descarbonização.
Esta construção foi
elaborada com amplo diálogo com a sociedade civil e todos os setores econômicos
envolvidos. Raras vezes se observou tanto apoio e convergência de diferentes
setores da sociedade, inclusive com destacada atuação do governador Geraldo
Alckmin em favor de sua aprovação.
A primeira safra
colhida tendo o RenovaBio como uma realidade será moída em um cenário com muito
mais confiança no futuro. Isso orienta e incentiva os investimentos. Passamos a
ter um mecanismo que reconhece a eficiência energética e ambiental na produção
sustentável de biocombustíveis.
Isso traz ganhos de
produtividade e reduz os custos de produção e os preços aos consumidores. Esta
inovadora legislação, sem subsídio, sem intervenção, e sem a criação de um novo
tributo, vai trazer organização e eficiência. É por isso que a defendemos tão
veementemente até sua aprovação e regulamentação.
Essa ideia agora
realidade faz parte de uma visão estratégica para trazer maior eficiência para
a energia em transporte, com veículos mais eficientes e emissões cada vez
menores, e, mais importante, acessíveis aos consumidores.
A previsão da maior
parte das empresas especializadas para a safra é de que ela atinja a moagem de
585 milhões de toneladas, queda de 22,14 milhões de toneladas em relação às
607,14 milhões de toneladas processadas na safra anterior.
Esta diminuição
resulta, sobretudo, da ligeira retração na área disponível para colheita e da
retração esperada na produtividade agrícola do canavial a ser colhido no ciclo
2017/2018 - de aproximadamente 1,5%. Esse recuo decorre da estagnação da área
cultivada e da maior renovação do canavial com plantio de 18 meses.
Além disso, a projeção
para a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana é
de 134,40 kg na safra 2017/2018, contra 133,03 kg verificados no último ano.
Do volume total de
matéria-prima a ser processada, a estimativa é que 46,99% deverão ser
destinados à produção de açúcar. Com isso, a fabricação projetada é de 35,20
milhões de toneladas de açúcar, ligeira queda de 1,20% no comparativo com as
35,63 milhões de toneladas registradas na safra 2016/2017.
Esse cenário conta
ainda com desafios a serem superados, como o aumento da produtividade agrícola,
eficiência industrial e fortalecimento do cooperativismo e associativismo. É
preciso também uma melhor gestão do canavial - incluindo smart farming,
inovação em insumos e economia circular para garantir a sustentabilidade.
Necessitamos ainda de
uma forte integração da pesquisa e desenvolvimento públicos e alianças com o
setor privado. Nós da Secretaria de Agricultura e Abastecimento já demos um
passo importante no dia 15 de março, em Ribeirão Preto, quando promovemos, no
Centro de Cana do IAC, o simpósio “Integração da Pesquisa Pública com
Cana-de-Açúcar no Brasil”.
Reunimos especialistas
de renome interessados em discutir temas como a situação atual e as
perspectivas para o setor sucroalcooleiro, melhoramento genético e
biotecnologia na cana e o sistema de produção atual e as novas tecnologias para
a cultura.
Neste momento de
RenovaBio regulamentado, a integração da pesquisa acontecendo e a
característica vontade de trabalhar do nosso produtor, tenho certeza de que a
safra 2017/2018 será umas das mais marcantes e promissoras para as moendas
brasileiras.
Boa safra!
Arnaldo Jardim - secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo e deputado federal PPS/SP (licenciado)
Nenhum comentário:
Postar um comentário