O dermatologista
Cristiano Kakihara fala sobre os destaques que foram apresentados durante a
Reunião Anual da Academia Americana de Dermatologia
O evento mais esperado do ano na área da
Dermatologia terminou na semana passada com novidades em tecnologias e produtos
para tratar a pele. Especialistas do mundo todo se reuniram em Orlando, no
estado americano da Flórida, numa série de painéis, palestras e workshops que
revelaram o que há de mais avançado em tratamentos.
O dermatologista Cristiano Kakihara começa
destacando os novos procedimentos para tratar o melasma. A doença se
caracteriza pelo aparecimento de manchas escuras na pele, normalmente no rosto,
mas pode ocorrer em outras áreas que ficam mais expostas ao sol, como braços e
colo. Pode afetar os homens, mas é nas mulheres entre 20 e 50 anos que o
melasma é mais comum. As causas da doença podem estar associadas à exposição
excessiva ao sol, uso de anticoncepcionais, herança genética e alterações
hormonais com origem em doenças ou na gravidez. Produtos cosméticos que irritam
a pele também podem piorar os episódios de melasma.
“Os antigos "peelings" químicos, que
estavam meio em desuso para o tratamento de melasma, como Jessner e ATA,
ressurgem com força total e, surpreendentemente associados, mostrando bons
resultados. Contudo, ocorre descamação e nem todos pacientes apresentam
melhora”, destaca o dermatologista sobre um dos temas apresentados no encontro.
Foi dado destaque também a necessidade de suplementação de vitamina D em
pacientes com melasma que fazem uso sistemático de filtro solar.
Outro tema de destaque foi o uso do ácido
tranexâmico, oral ou tópico, que vem apresentando bons resultados. Ele é um
inibidor da plasmina, enzima presente no sangue que reduz proteínas do plasma
sanguíneo. É usado há muitos anos na Medicina para evitar a quebra da fibrina,
com o objetivo de reduzir a perda de sangue. Agora, o ácido tranexâmico mostrou
que pode alterar as atividades dos queratinócitos, que formam as cinco camadas
da epiderme, e suas interações. A substância pode ser usada em associação com
LASER.
“Apesar dos bons resultados é preciso chamar a
atenção para a necessidade de acompanhamento médico atento no uso desse
produto, pois, mesmo sendo muito raro, ele pode vir a desencadear trombose
venosa profunda”, alerta Dr. Cristiano.
O uso de laser no tratamento do melasma
Os avanços no tratamento do melasma passam pelo uso
de novas tecnologias.
No encontro dos dermatologistas foram apresentados
diferentes tipos de equipamento. Os LASERs vasculares, como o pulsed
dye LASER, podem promover melhora de lesões do melasma, pois
há nesta doença excesso de vascularização e de fator de crescimento endotelial
vascular. Já os LASERs Q-switched Nd:YAG 1064 nm, com duração de pulso de
nanosegundos, fragmentam com eficácia o excesso de melanina e é o tratamento
mais consagrado no momento, com luzes, para o melasma; também foi citado no meeting
um novo laser chamado pulsed alexandrite LASER. Essa
tecnologia ainda não está disponível no Brasil mas pode ser importante para
tratar a doença, de acordo com o Dr. Cristiano.
“É um laser que promete ser um novo tratamento
eficaz para o melasma, por fragmentar a melanina”.
Outros temas de destaque do Meeting da AAD
Dermatite atópica - Um
produto tópico, contendo uma substância chamada crisaborole, que é inibidora da
fosfodiesterase 4, está em fase final de estudo para uma alergia muito comum em
bebês e crianças, a atopia ou dermatite atópica. Uma outra boa promessa para o
controle da doença que foi apresentada no evento é a medicação injetável
dupilumab, que é outra medicação que está prestes a ser lançada no mercado.
Acne - Durante o Meeting, foram dados alertas para que
os médicos fiquem atentos a alguns procedimentos. Um deles fala da
necessidade primordial de uma investigação hormonal em mulheres com acne severa
antes de iniciar o tratamento tópico clássico.
Câncer de pele - O
exame total e minucioso dos nevos melanocíticos (pintas) por médico
dermatologista tem alta sensibilidade na detecção do câncer de pele, de forma
que as lesões eram menores e estavam em estágios iniciais da doença. Eles
deixaram claro que os médicos dermatologistas têm maior capacidade de detectar
o câncer de pele carcinoma basocelular do que médicos não especialistas. lesões
cancerosas de carcinoma espinocelular foram diagnosticadas em menos de 60%
quando foram avaliadas por médicos não-dermatologistas;
Rosácea - Sobre a
rosácea foi apresentada uma nova medicação tópica, contendo oximetazolina, e é
o mais novo arsenal no tratamento da vermelhidão facial causada pela doença.
Sua ação dura até 12 horas.
Zika - Algumas
drogas, até então usadas para outras doenças em Medicina, como daptomicina,
mefloquina, ivermectina, metoxsalen, micofenolato mofetil, mebendazol,
ciclosporina, azatioprina, sertralina, entre outras, estão sendo testadas no
tratamento contra o vírus zika, com resultados variáveis. Foi mencionado que
80% dos pacientes infectados pelo vírus zika são assintomáticos. O vírus
permanece mais tempo no sêmen (181 dias), do que na saliva (47 dias), na urina
(15 dias) e no sangue (9 dias). Homens e mulheres que viajaram para áreas
endêmicas para zika devem esperar 6 meses para fecundar.
Queda de cabelos - Sobre
doenças que causam queda de cabelos, vários fatores costumam estar implicados,
como ação do estresse, da diidrotestosterona e de outros hormônios, radicais
livres (incluindo radiação ultravioleta, poluição, envelhecimento, toxinas),
inflamação, circulação comprometida e nutrição comprometida). Terapia com laser
de baixa potência tem apresentado bons resultados em diversas doenças do couro
cabeludo, por aceleração das mitoses celulares, estímulo de stem
cells e efeito anti-inflamatório.
Flacidez - Um novo
fio de sustentação está sendo lançado no exterior, com uma composição muito
próxima a um já existente no Brasil, com resultados também bons;
Uso da radiofrequência - Radiofrequência
injetável é o termo que está se usando no exterior para uma tecnologia em que a
radiofrequência não é aplicada sobre a pele, para estimular a produção de
fibras colágenas e elásticas, mas sim dentro da pele, por um instrumento, como
se fosse uma cânula de lipoaspiração. É um procedimento um pouco mais invasivo
do que os atuais, pois requer infiltração de anestésicos (como se fosse uma
cirurgia). Ainda não está disponível no Brasil.
Cristiano Kakihara - membro titular da
Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Dermatológica; médico dermatologista da Clínica Kakihara (São Paulo -
SP). Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de
Dermatologia/Associação Médica Brasileira. Professor de Curso de Especialização
de Cabelos e Unhas de serviço credenciado da Sociedade Brasileira de
Dermatologia e Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da
Educação: Universidade de Mogi das Cruzes.
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