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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Dispositivos conectados podem ser o elo fraco da segurança, alerta Esey

 

Para a Eseye, que estará presente na Exposec 2026, a conectividade
deixou de ser apenas uma camada de transporte de dados e passou
 a integrar a própria arquitetura de segurança.
 (créditos: Tasha Kostyuk)

Avanço de IoT em operações críticas amplia superfície de ataque e exige nova abordagem para conectividade, gestão de dispositivos e proteção da operação


O avanço acelerado de dispositivos conectados em operações críticas está transformando o parque de IoT em um novo ponto de vulnerabilidade para as empresas. O alerta é da Eseye, empresa global de conectividade IoT e orquestração de eSIM, que vê crescer a distância entre a expansão das aplicações conectadas e a maturidade com que muitas organizações ainda tratam a segurança desses ativos.

 

Sensores, câmeras, gateways, rastreadores, terminais e equipamentos de borda passaram a ocupar funções cada vez mais centrais em setores como logística, utilities, infraestrutura, varejo, indústria e mobilidade. Ao mesmo tempo em que ampliam visibilidade operacional, automação e capacidade de resposta, esses dispositivos também expandem a superfície de ataque e criam novos pontos de fragilidade entre dispositivo, rede, plataforma e operação.

 

Um estudo global divulgado pela Eseye em 2025 mostrou que 75% das empresas sofreram ao menos um incidente de segurança envolvendo IoT no último ano, ante 50% no levantamento anterior da companhia. Em paralelo, um estudo global de 2026 da Palo Alto Networks identificou um aumento de 332% nos dispositivos e serviços de OT expostos à internet, totalizando quase 20 milhões de ativos observáveis publicamente. Já o Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 64% das organizações já consideram ataques cibernéticos motivados por geopolítica em suas estratégias de mitigação de risco. No mesmo relatório, a América Latina e o Caribe aparecem com apenas 13% de confiança na capacidade de resposta dos países da região a grandes incidentes contra infraestrutura crítica.

 

“O mercado avançou muito na adoção de dispositivos conectados, mas ainda existe uma assimetria importante entre a velocidade dessa expansão e a maturidade da proteção desses ativos. Em muitas operações, o dispositivo IoT continua sendo tratado apenas como ponto de coleta ou transmissão de dados, quando, na prática, ele já faz parte da superfície crítica da empresa. É aí que o risco aumenta”, afirma Ana Carolina Bussab, CEO da Eseye para a América Latina. Segundo a executiva, o problema não está apenas no hardware, mas em todo o conjunto de decisões que sustenta a operação conectada: autenticação, conectividade, segmentação, gerenciamento remoto, atualização de firmware, visibilidade sobre comportamento anômalo e governança da base instalada. Em ambientes distribuídos, fragilidades nessas camadas podem comprometer não só a segurança digital, mas a continuidade do negócio.

 

Para a Eseye, a conectividade deixou de ser apenas uma camada de transporte de dados e passou a integrar a própria arquitetura de segurança e resiliência operacional. Isso inclui visibilidade do parque instalado, inteligência para escolha e gestão de redes, proteção da comunicação, atualização remota, controle de comportamento e redução de exposição em ambientes distribuídos. “Segurança em IoT não pode mais ser tratada como um apêndice do projeto. Em operações críticas, ela precisa estar presente desde a arquitetura do dispositivo até a forma como a conectividade é gerenciada em campo. Quando isso não acontece, abre-se espaço para ataques, indisponibilidade, perda de dados e comprometimento da operação”, acrescenta Ana Carolina.

 

Nesse contexto, a Eseye defende uma abordagem que combina conectividade celular resiliente, orquestração de eSIM, gestão centralizada da base instalada e camadas de segurança para IoT celular, com foco em reduzir exposição, aumentar visibilidade e sustentar continuidade operacional em ambientes distribuídos. A proposta da empresa é permitir que organizações monitorem, protejam e gerenciem dispositivos conectados com mais controle sobre comportamento, conectividade e risco, do dispositivo à nuvem.

 

A expectativa é que esse debate tende a ganhar ainda mais relevância à medida que crescem AIoT, automação distribuída, videomonitoramento inteligente, telemetria em escala e sistemas conectados voltados a infraestrutura crítica. Nesses contextos, proteger o dispositivo conectado passa a significar proteger a própria operação. “Quanto mais inteligentes e distribuídas se tornam as operações, maior é o custo de tratar segurança e conectividade como camadas separadas. O mercado está entrando em uma fase em que proteger o IoT significa proteger a operação”, conclui Ana Carolina.

 

A Eseye e suas soluções voltadas à segurança de dispositivos conectados estarão presentes na Exposec 2026, que acontece de 1 a 3 de junho de 2026, estande E54, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo. O evento deve reunir debates sobre segurança eletrô nica, cibersegurança, IoT, infraestrutura crítica e tecnologias conectadas. 



Eseye
www.eseye.com/pt-br


Caminhos para a igualdade salarial entre homens e mulheres

A decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, de 14 de maio de 2026, que reconheceu a constitucionalidade da Lei 14.611/2023, a chamada Lei da Igualdade Salarial, especialmente no trecho que obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgarem relatórios de transparência remuneratória ao Ministério do Trabalho e Emprego, merece ser celebrada pelo avanço que representa no combte a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Mas sua efetividade concreta ainda dependerá da capacidade do Estado, das instituições e da sociedade de impedir que a norma se transforme apenas em mais um mecanismo formal incapaz de alterar estruturas históricas. 

O ministro relator, Alexandre de Moraes, fundamentou a constitucionalidade da lei nos princípios da isonomia e da vedação à discriminação previstos na Constituição Federal, articulando-os com a Convenção 100 da Organização Internacional do Trabalho e com os objetivos fundamentais da República. A conclusão é juridicamente irretocável: não há como sustentar a promessa constitucional de uma sociedade livre, justa e solidária enquanto persistirem desigualdades salariais fundadas em gênero. 

Superada a discussão sobre a validade da norma, inicia-se agora a etapa mais difícil: a de sua plena efetividade. É justamente nesse terreno que se travam as disputas sociais, políticas e ideológicas que cercam toda legislação destinada a alterar relações consolidadas de poder econômico e social. 

O artigo 4º da Lei 14.611/2023 prevê que, identificada desigualdade salarial entre homens e mulheres a partir dos relatórios enviados pelas empresas, deverá ser elaborado plano de ação com metas e prazos para mitigação das disparidades. O desenho legislativo é sofisticado porque utiliza a transparência como mecanismo de coerção reputacional antes mesmo da imposição de sanções pecuniárias. 

A experiência internacional, entretanto, demonstra que a simples publicidade dos dados não basta. O Reino Unido adota desde 2017 sistema semelhante de gender pay gap reporting e, embora tenha produzido avanços relevantes, os índices de desigualdade seguem elevados. Estudos recentes indicam que, mantido o ritmo atual, ainda seriam necessárias décadas para o fechamento integral da diferença remuneratória entre homens e mulheres. A própria avaliação institucional britânica reconhece que os relatórios possuem eficácia limitada quando desacompanhados de mecanismos robustos de fiscalização e indução de mudanças estruturais. A Organização Internacional do Trabalho também aponta que o principal obstáculo continua sendo a segregação ocupacional, isto é, a concentração feminina em funções historicamente menos valorizadas e pior remuneradas. Transparência é condição necessária, mas está longe de ser suficiente. 

É precisamente nesse ponto que a perspectiva de gênero deve deixar de ser mero recurso retórico e passar a operar como método efetivo de interpretação jurídica, fiscalização administrativa e formulação de políticas públicas. 

A desigualdade salarial não constitui um desvio episódico do mercado de trabalho. Ela é expressão de uma arquitetura social que historicamente destinou às mulheres o trabalho de cuidado não remunerado, os cargos de menor prestígio e os limites invisíveis dos chamados tetos de vidro. E essa estrutura se aprofunda quando gênero e raça se combinam. 

O 3º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego revela que mulheres negras recebem, em média, R$ 2.864,39, enquanto homens não negros recebem R$ 4.745,53, diferença superior a 52%. Não se trata apenas de um teto de vidro. Trata-se de um teto mais baixo construído sobre um chão muito mais desigual. A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE confirma que mulheres negras seguem ocupando, de maneira desproporcional, os estratos inferiores da hierarquia corporativa, inclusive em espaços de direção e gerência. A desigualdade salarial, portanto, repercute para além da renda imediata: impacta aposentadorias, acesso a crédito, patrimônio e mobilidade social intergeracional. 

Qualquer política séria de combate à discriminação remuneratória precisa reconhecer raça como variável estrutural. Caso contrário, corre-se o risco de produzir igualdade apenas para as mulheres que já se encontram mais próximas dos espaços de poder. 

O STF não validou a interpretação de que a mera publicação dos relatórios encerra a obrigação empresarial. Embora a multa administrativa recaia sobre o descumprimento do dever de divulgação, o plano de ação previsto pela legislação possui finalidade concreta e prazo determinado. Empresas que utilizarem esses instrumentos apenas como estratégia protelatória ou simbólica devem se sujeitar às sanções cabíveis, inclusive às previstas na Consolidação das Leis do Trabalho para práticas discriminatórias. 

Ao rejeitar os argumentos das confederações patronais, que invocavam liberdade econômica, autonomia empresarial e proteção de dados para afastar a obrigação de transparência, o Supremo exerceu de maneira clara sua função contramajoritária. E o fez em consonância com a melhor tradição do constitucionalismo social brasileiro. 

Na formulação doutrinária de Mauricio Godinho Delgado, os direitos fundamentais são prerrogativas estruturantes da própria existência digna da pessoa humana, sendo o Direito do Trabalho um dos instrumentos mais relevantes de distribuição de renda e poder na sociedade capitalista. Entre os princípios constitucionais trabalhistas sistematizados pelo autor, destacam-se justamente o princípio da não discriminação e o princípio da igualdade material, ambos diretamente mobilizados pela Lei 14.611/2023 e pela decisão do STF que a confirmou. 

Não se trata da igualdade meramente formal, satisfeita pela declaração abstrata de que todos são iguais perante a lei. Trata-se da igualdade substantiva, que exige ações concretas do Estado e também das empresas para reduzir desigualdades reais e históricas. 

Para a advocacia trabalhista, o julgamento inaugura uma nova fronteira de atuação. Os relatórios de transparência poderão servir como relevante fonte probatória em ações de equiparação salarial, planos de ação descumpridos poderão fundamentar demandas coletivas e a interpretação constitucional agora reafirmada pelo STF deverá orientar negociações coletivas voltadas à promoção da equidade de gênero e raça. 

Para a sociedade, contudo, o maior desafio apenas começou. A verdadeira medida do sucesso da Lei da Igualdade Salarial não estará nas páginas do Diário Oficial nem nos votos do Supremo Tribunal Federal, mas na capacidade de fazer com que, ano após ano, os números dos relatórios contém uma história diferente da que o país ainda insiste em reproduzir. 


Marcelise Azevedo - advogada e sócia do escritório Mauro Menezes & Advogados


Levantamento da Wise revela custo de vida ao redor do mundo

  • Nova plataforma Cost of Living da Wise oferece uma busca detalhada por país ou cidade, e tipos de gastos
  • Os EUA, país com maior comunidade brasileira no exterior, está entre os lugares mais caros para se viver; custo é três vezes maior que do Brasil
  • O Paraguai é o terceiro país mais procurado pelos brasileiros que querem morar no exterior e é o mais acessível
  • Entre os destinos mais desejados para intercâmbio, a Austrália tem custo de vida similar aos EUA, e Irlanda é o mais caro


A Wise, empresa global de tecnologia que está construindo a melhor forma de movimentar e gerenciar dinheiro ao redor do mundo, realizou um levantamento sobre o custo de vida em diversos países e cidades do mundo. Os dados estão disponíveis na nova plataforma da empresa, a Cost of Living, e considera despesas como moradia, alimentação, transporte e serviços.

O levantamento mostra que os Estados Unidos - país com a maior comunidade brasileira no exterior, passando de mais de dois milhões de pessoas (fonte: Relatório Consular Anual do Ministério das Relações Exteriores) -, têm um custo de vida médio mensal, para uma pessoa, de R$14.439*. Este valor é quase três vezes maior que o custo de vida no Brasil. Gastos com moradia nos Estados Unidos representam 63% do total do custo de vida, com aluguel médio mensal de R$ 8.374.

Mas os dados compilados pela Wise mostram que a variação do custo de vida por cidade é grande. Morar em Nova York, por exemplo, tem um custo médio mensal de R$ 30.048, enquanto em Boston ele é de R$ 24.617 e em Miami de R$ 21.896.

Em Portugal, segundo país com maior comunidade brasileira, a média mensal de gastos é de R$ 8.775, mas em Lisboa este valor sobe para R$ 12.100. Custos com moradia sobem de 60% na média nacional para 68% na capital. No país, as compras de supermercado representam o segundo maior custo (16%).

O Paraguai, que concedeu cerca de 23,5 mil autorizações de residência a brasileiros em 2025, tem um custo de vida médio de R$4.610, o menor valor entre os dez países com maiores comunidades brasileiras no exterior. Na cidade de Asunción o valor aumenta para R$ 5.671,50.

 

Confira abaixo a média mensal de custo de vida, para uma pessoa, nos dez países com maiores comunidades brasileiras no exterior:

- Estados Unidos: R$14.439
- Portugal:R$ 8.775
- Paraguai: R$4.610
- Reino Unido: R$12.134
- Japão: R$7.017
- Espanha: R$ 8.879
- Alemanha: R$ 10.255
- Itália: R$ 8.864
- Canadá: R$ 11.848
- França: R$ 9.294

Custo de vida nos países mais desejados para intercâmbio
 

Morar fora do país também pode ser temporário, para a realização de um intercâmbio, por exemplo. E, para realizar esse sonho, as escolhas dos brasileiros se espalham pelos continentes, e os custos de vida também variam.

Segundo dados da Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio (Belta), a América do Norte lidera entre os destinos mais procurados, com o Canadá em primeiro lugar, seguido dos Estados Unidos. Entre os dois países, a plataforma Cost of Living da Wise mostra que o Canadá tem custo mais em conta, de R$ 11.848, 22% mais barato que nos EUA.

Na Europa, Reino Unido e Irlanda são muito procurados, mas o segundo se destaca como o país com maior custo de vida entre os mais desejados para intercâmbio: R$ 15.711, mais que os Estados Unidos. Na cidade de Dublin o valor sobe para R$ 18.570.

Indo para a Oceania, a Austrália se destaca em procura e em custo de vida. Quinto país mais desejado, tem um custo de vida de R$ 14.178, similar aos EUA.


Veja abaixo a média mensal de custo de vida, para uma pessoa, nos dez países mais procurados pelos brasileiros para intercâmbio:
 

- Canadá: R$ 11.848
- Estados Unidos: R$14.439
- Reino Unido: R$12.134
- Irlanda: R$ 15.711
- Austrália: R$ 14.178
- Malta: R$ 10.746
- Nova Zelândia: R$ 11.177
- Alemanha: R$ 10.255,00
- Espanha: R$ 8.879,00
- França: R$ 9.294,00

Para quem mora no exterior, o gerenciamento do dinheiro no dia a dia faz toda a diferença, sobretudo para as pessoas que enviam ou recebem dinheiro em outra moeda, por conta de salário ou remessas de dinheiro para a família. Com uma conta global como a Wise, que disponibiliza mais de 40 moedas, é possível converter dinheiro de maneira fácil e econômica, para fazer transferências ou gastar com o cartão. A transparência sobre todos os custos envolvidos nas transações também é um diferencial para o controle dos gastos, dando clareza sobre qual é o valor final que cairá na conta, algo especialmente importante para intercambistas e pessoas que dependem de previsibilidade financeira em outro país.
 

* valores em reais de acordo com a cotação da moeda em 20 de maio de 2026 na plataforma Cost of Living. Os custos indicados são estimativas médias para uma pessoa e estão sujeitos a alterações de acordo com cidade, perfil de consumo, período, ou mudança e variações de preços locais.


Entre custo e retorno: A conta (ainda incompleta) da IA corporativa


Estamos vivendo um momento de “déjà vu” corporativo em 2026. Assim como na grande migração para a nuvem, em 2020, o mercado hoje corre para abraçar a Inteligência Artificial (IA) com o mesmo fôlego e, por vezes, a mesma falta de planejamento. O “hype” é inegável: 77% das empresas brasileiras declaram familiaridade com agentes de IA, segundo um estudo. Entretanto, o abismo entre o saber e o fazer é profundo. Enquanto o vocabulário dos gestores está em dia, a execução prática ainda patina em experimentações que nem sempre encontram o caminho do balanço financeiro. Para que a IA gere negócios de fato, precisamos transitar da fase da curiosidade para a fase da métrica.

 

Os números ajudam a dimensionar esse descompasso. Um levantamento com cerca de 300 implementações corporativas apontou que aproximadamente 95% dos pilotos de IA não geram impacto mensurável em P&L. Em paralelo, outros dados indicam que 29% das empresas da Fortune 500 já possuem algum produto de IA em produção. As duas estatísticas não se contradizem: elas medem coisas diferentes. Estar em produção significa uso ativo; gerar negócio implica impacto financeiro verificável. Entre um e outro, há um intervalo que ainda não foi plenamente resolvido pelas organizações.

 

Esse intervalo também aparece nos dados brasileiros. Embora 77% das empresas declarem familiaridade com agentes de IA, apenas uma fração implementa casos reais – como geração de dashboards (43% conhecem, 14% usam) ou automação de relatórios (35% conhecem, 8% usam). A familiaridade avançou mais rápido do que a execução. E, sem execução consistente, não há geração de receita ou ganho operacional relevante.

 

Ao mesmo tempo, onde a IA funciona, os resultados podem ser expressivos, ainda que menos frequentes do que a narrativa sugere. Um importante estudo dos EUA analisou 51 implementações bem-sucedidas e identificou padrões importantes: 61% tiveram tentativas fracassadas anteriores, e 77% enfrentaram desafios ligados a custos invisíveis, como mudança de processos, qualidade de dados e governança. Ou seja, o valor existe, mas ele é caro, iterativo e depende menos da tecnologia em si do que da capacidade organizacional de absorvê-la.

 

Assim como ocorreu na migração para a nuvem, a IA está criando uma camada de consumo – de dados, processamento e, principalmente, custo. O uso de modelos de linguagem em larga escala (LLMs) implica despesas recorrentes, muitas vezes em dólar, que nem sempre estão sob controle ou governança clara. Em um cenário em que “cada área vira tecnologia”, o risco de um novo “shadow IT”, agora alimentado por IA, cresce, pressionando budgets e dificultando a mensuração de retorno.

 

A própria economia da IA ajuda a explicar essa tensão. Diferentemente do software tradicional, em que o custo marginal por usuário tende a zero, a IA tem custo direto por uso. Cada interação consome infraestrutura – tokens, energia, processamento. Isso transforma o usuário em carga computacional (“workload”) e desafia modelos clássicos de monetização. Não por acaso, pesquisas indicam que empresas já gastam, em média, mais de US$ 60 mil por mês com IA, com dificuldade de mensurar ROI em quase metade dos casos. O crescimento do uso, especialmente com agentes que executam tarefas contínuas, tende a ampliar essa complexidade.

 

Ainda assim, há sinais concretos de geração de valor. Avaliações apontam que funções mais expostas à IA já apresentam prêmio salarial médio de 56%, refletindo ganho de produtividade e escassez de talento qualificado. No nível organizacional, casos específicos mostram reduções significativas de custo e ganho de eficiência, como automações que substituem processos inteiros. Mas esses exemplos ainda são mais exceção do que regra e, muitas vezes, não capturam o custo total envolvido na transformação.

 

O que precisa evoluir para que os dados sobre geração de negócios sejam mais robustos? Três frentes se destacam. A primeira é governança – especialmente de dados e consumo de IA, com práticas equivalentes ao FinOps, agora aplicadas a modelos e tokens. A segunda é clareza de propósito: projetos que começam pelo problema de negócio, e não pela tecnologia, tendem a gerar mais valor, como mostram estudos sobre modelos baseados em habilidades. A terceira é maturidade cultural, que envolve desde a capacitação das equipes até a redução do medo e o redesenho de processos.

 

Há uma mudança estrutural em curso: a transição da IA como ferramenta para a IA como infraestrutura de execução. Isso muda a forma de medir valor. Não se trata apenas de quantos usuários utilizam IA, mas de quanto trabalho ela executa, e com que impacto econômico. Enquanto essa métrica não se consolida, o mercado continuará convivendo com uma dualidade: uma tecnologia amplamente adotada, porém ainda em busca de sua tradução mais consistente em geração de negócios.


 

Gabriela Camano - Business Director no Brasil da GFT Technologies


Entre memórias e praias, Cairu convida viajantes a mergulhar em uma viagem pelo Brasil colonia

Ilha de Tinharé, onde fica Morro de São Paulo, local no qual visitantes encontram
 fortalezas históricas, farol centenário e antigas rotas ligadas à navegação colonial.
 (Crédito: TripAdvisor)


Conventos, fortalezas, igrejas centenárias e ruas históricas do arquipélago baiano revela experiências que unem o turismo histórico ao turismo de praia


 

Muito além das paisagens paradisíacas de Morro de São Paulo e Boipeba, o arquipélago de Cairu guarda um lado ainda pouco explorado por muitos viajantes: um dos conjuntos históricos e culturais mais ricos do litoral brasileiro. Entre igrejas erguidas há mais de quatro séculos, conventos coloniais, fortalezas militares e vilas preservadas pelo tempo, o destino baiano se consolida também como uma experiência de turismo histórico e cultural.

Formado por 26 ilhas, Cairu é considerado o único município-arquipélago do Brasil e reúne heranças da colonização portuguesa, tradições afro-indígenas e cenários que ajudam a contar capítulos importantes da formação histórica do país. Caminhar pelas ruas estreitas da sede histórica, observar casarões antigos e visitar construções erguidas entre os séculos XVII e XVIII é como percorrer um museu a céu aberto cercado pelo mar da Costa do Dendê.

A experiência histórica começa na Cidade Alta de Cairu, onde o visitante encontra ruas de pedra, ladeiras coloniais e construções religiosas que permanecem preservadas há séculos. Ali está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, cuja construção começou em 1610 e que hoje é considerada um dos símbolos históricos mais importantes do arquipélago.


Memorial de Nossa Senhora do Rosário, dentro da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário,
reúne acervo raro de peças produzidas entre os séculos XVI e XIX.
 (Crédito: Prefeitura Municipal de Cairu)

Além da arquitetura colonial portuguesa, a igreja abriga o Memorial de Nossa Senhora do Rosário, um museu de arte sacra com peças produzidas entre os séculos XVI e XIX. Imagens religiosas esculpidas em barro, madeira e gesso ajudam a revelar a influência da fé católica na ocupação da região e oferecem ao visitante uma imersão na memória cultural do litoral baiano.

O entorno da igreja reforça a sensação de retorno ao passado. Casarões antigos, caminhos de pedra e o silêncio das ruas históricas criam uma atmosfera que contrasta com o ritmo acelerado dos grandes centros urbanos e aproxima visitantes de um Brasil colonial ainda vivo na paisagem.


Convento de Santo Antônio: um mirante natural do arquipélago


vista panorâmica da orla de Cairu onde está a Igreja e o
 Convento de Santo Antônio, em Boipeba.
(Crédito: Marcos Sandes)

Outro ponto que atrai olhares de viajantes interessados em patrimônio histórico é a Igreja e Convento de Santo Antônio. Construído a partir de 1654 e tombado pelo IPHAN em 1941, o conjunto franciscano ocupa uma posição privilegiada na Cidade Alta e oferece vista panorâmica para o arquipélago. Parte das pedras utilizadas na construção teria sido transportada por embarcações entre as ilhas, revelando a complexidade logística da época colonial.

O conjunto preserva características marcantes da arquitetura franciscana portuguesa, com fachada sóbria, corredores internos, claustros, escadarias e detalhes em pedra trabalhada que atravessaram séculos. Em seu interior, o convento também abriga elementos artísticos e religiosos históricos, incluindo imagens sacras, altares e estruturas originais preservadas desde o período colonial.

Outro diferencial é a atmosfera silenciosa e contemplativa do espaço, cercado por ruas estreitas e antigas construções que ajudam a transportar visitantes para os primeiros séculos da colonização brasileira. A vista panorâmica do alto do convento se tornou um dos cenários mais emblemáticos da sede histórica de Cairu, unindo patrimônio histórico e paisagem natural em um mesmo lugar.

O local também ajuda a contar a influência da ordem franciscana na formação cultural e religiosa do litoral baiano, reforçando o papel de Cairu como um importante núcleo histórico do Brasil colonial.


Fortaleza do Morro de São Paulo ou Fortaleza de Tapirandu

 Vista aérea da Fortaleza de Tapirandu em Morro de São Paulo,
 um dos mais importantes monumentos militares do Brasil.
 (Crédito Alexi Lemoni)


Já em Morro de São Paulo, o turismo histórico encontra o cenário marítimo na Fortaleza de Tapirandu, um dos mais importantes monumentos militares históricos do Brasil. Construída a partir de 1630 para proteger a costa contra invasões estrangeiras, a fortaleza preserva cerca de 678 metros de muralhas voltadas para o mar e oferece uma das vistas mais emblemáticas do arquipélago.

Percorrer os caminhos históricos da fortaleza, observar antigos canhões e acompanhar o pôr do sol entre muralhas centenárias se tornou uma experiência que conecta patrimônio, paisagem e memória histórica em um mesmo roteiro. Além das muralhas, o espaço abriga remanescentes de antigos sistemas defensivos, guaritas, canhões históricos e estruturas que ajudam a contar como funcionava a proteção do litoral brasileiro durante o período colonial.

Atualmente, a fortaleza também se tornou um dos principais pontos turísticos de Morro de São Paulo, reunindo patrimônio histórico e uma das vistas panorâmicas mais conhecidas do arquipélago. O local é especialmente procurado no fim da tarde, quando visitantes acompanham o pôr do sol sobre o mar a partir das muralhas centenárias.

Próximo à Fortaleza, ainda existem caminhos históricos e áreas que remetem à antiga ocupação colonial da ilha, criando um contraste entre o passado militar da região e o cenário paradisíaco que hoje atrai turistas de diferentes partes do mundo.


Um farol admirado por Dom Pedro II

Construído no século XIX, o Farol do Morro permanece como um dos símbolos históricos
 e visuais mais marcantes de Morro de São Paulo. Hoje associado ao turismo e ao pôr do sol,
o local já teve papel essencial na orientação marítima da costa baiana.
(Crédito Alexi Lemoni)

Outro ícone histórico de Morro de São Paulo é o Farol do Morro, construído em 1855 para auxiliar a navegação marítima na costa baiana. Localizado em uma das áreas mais altas da ilha, o farol se tornou um dos cartões-postais mais conhecidos do arquipélago e integra o cenário histórico formado pela Fortaleza de Tapirandu e pelas antigas rotas marítimas da região.

Além da importância para a navegação durante o período imperial, o local também oferece uma das vistas panorâmicas mais procuradas por visitantes, especialmente no fim da tarde, quando o pôr do sol transforma o mirante em um dos pontos imperdíveis de Morro de São Paulo.

O farol também carrega registros ligados à visita de Dom Pedro II à ilha, em 1859. Em anotações de seu diário, o imperador descreveu a estrutura como um farol “de primeira classe”, demonstrando admiração pela importância e pela modernidade do equipamento de navegação para a época.

O acesso ao farol acontece por caminhos cercados por vegetação e antigos percursos da vila, permitindo ao visitante uma experiência que mistura natureza, patrimônio histórico e contemplação da paisagem costeira do arquipélago.


Cairu: cultura, descobertas e memórias

Grupo Zambiapunga em desfile que retrata bem a cultura africana presente
 no estado da Bahia. A manifestação artística é considerada Patrimônio Cultural
da Bahia e se espalhou pela Costa do Dendê.
 Fonte: livro Tinharé, Antônio Risério, 2003

Mas o turismo cultural de Cairu vai além das construções coloniais. A identidade histórica do arquipélago também se revela nas tradições preservadas pelas comunidades locais. Festas religiosas, procissões marítimas, samba de roda, manifestações populares como a Chegança (dança e auto popular do folclore brasileiro) e os Congos de Cairu (manifestação cultural, folclórica e religiosa centenária, exclusiva do município-arquipélago), além da forte relação das vilas com a pesca artesanal e os saberes passados entre gerações, ajudam a manter viva a herança afro-indígena e portuguesa da região.

Em vilas históricas como Cairu e Boipeba, o ritmo desacelerado, as ruas de areia e a ausência de automóveis em diversos trechos tornam a experiência ainda mais autêntica para viajantes que buscam conexões culturais, história e vivências locais.

Além da gastronomia típica marcada por sabores do litoral baiano, pratos tradicionais como moquecas de peixe e polvo, lambreta ao molho, siri catado, arroz de polvo, ensopados preparados com leite de coco e azeite de dendê, além de cocadas e beijus artesanais, ajudam a reforçar a identidade cultural do arquipélago. O artesanato produzido por moradores das ilhas e os festejos populares completam a experiência cultural do destino.

Entre igrejas centenárias, fortalezas à beira-mar e ruas coloniais cercadas por natureza exuberante, Cairu revela ao turismo brasileiro um convite para desacelerar e descobrir um lado histórico da Bahia ainda pouco conhecido.

O arquipélago de Cairu reúne elementos raros no turismo brasileiro: patrimônio histórico preservado, cultura viva, tradições centenárias e natureza exuberante convivendo no mesmo território. Mais do que um destino de praia, a região oferece experiências conectadas à história, à cultura e à identidade do litoral baiano. 

A valorização desse patrimônio faz parte das ações apoiadas pela ACEC - Associação Comercial e Empresarial de Cairu, entidade que atua no fortalecimento do turismo, do empreendedorismo local e do desenvolvimento econômico sustentável deste importante destino turístico brasileiro.

Como chegar ao arquipélago-município Cairu?

Chegar ao arquipélago baiano de Cairu é mais simples do que muitos imaginam. O acesso pode ser feito a partir de Salvador, com diferentes opções de trajeto que combinam transfer terrestre e marítimo, além de voos regionais e catamarãs regulares. Uma das formas é o traslado semi-terrestre, que une trecho de carro e travessias de lancha, com duração média de 3h a 4h. O mais rápido é o catamarã direto, saindo do Terminal Náutico da Bahia, que leva cerca de 2h30 a 3h, proporcionando uma chegada ao destino com a possibilidade de contemplar belas paisagens do litoral baiano.

Para quem parte de outras regiões do Brasil, o Aeroporto Internacional de Salvador concentra os principais acessos ao destino, tornando Cairu uma opção prática para quem deseja vivenciar praias paradisíacas, clima tropical e experiências autênticas em um dos cenários mais encantadores da Bahia.


Nova NR-1 entra em vigor amanhã, psiquiatra corporativo explica implantação

Especialista explica como adaptar de maneira prática e acessível as empresas às novas exigências que entram em vigor no próximo dia 26/05

 

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrará em vigor amanhã, 26 de maio de 2026, amplia o olhar sobre os riscos psicossociais no ambiente corporativo, vem despertando dúvidas em empresas de todos os portes. Segundo o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, especialista em saúde mental no trabalho, o principal desafio das empresas não é apenas cumprir uma norma, mas entender que fatores emocionais e cognitivos passaram a ter peso direto dentro da segurança ocupacional. 

“Durante muitos anos, as empresas olharam para segurança apenas como prevenção de acidentes físicos. Hoje entendemos que ambientes tóxicos, sobrecarga emocional, pressão excessiva, comunicação agressiva e jornadas desorganizadas também adoecem e comprometem desempenho, tomada de decisão e relações profissionais”, explica. 

Para o especialista, a boa notícia é que muitas adaptações podem começar de forma simples e sem grandes custos. “Não é necessário transformar a empresa da noite para o dia. Pequenas mudanças já reduzem desgaste emocional e melhoram o funcionamento coletivo”, afirma. 

Entre as medidas mais simples, Dr. Daniel destaca: 

  1. Criar pausas reais durante o expediente
    “Muitas pessoas passam horas seguidas em telas, reuniões e cobranças sem qualquer descanso mental. Pequenas pausas ao longo do dia ajudam o cérebro a recuperar foco, diminuir o cansaço e reduzir o estresse”, explica Dr. Daniel Sócrates.
  2. Evitar mensagens fora do horário de trabalho
    Segundo o psiquiatra, notificações constantes mantêm o cérebro em alerta o tempo todo. “Quando o profissional sente que precisa responder mensagens a qualquer hora, ele nunca descansa de verdade. Limites simples na comunicação já ajudam na ansiedade, no sono e na sensação de sobrecarga”, alerta.
  3. Organizar prioridades de forma clara
    “Muitas vezes o problema não é só excesso de trabalho, mas a bagunça nas demandas. Quando tudo vira urgente ao mesmo tempo, o cérebro entra em tensão contínua. Equipes com prioridades mais organizadas funcionam melhor e adoecem menos”, afirma.
     

Segundo Dr. Daniel Sócrates, adaptar-se à NR-1 não é apenas cumprir uma obrigação legal, mas investir em produtividade, ambiente saudável e prevenção de adoecimento. “Saúde mental deixou de ser apenas uma conversa sobre bem-estar. Hoje ela faz parte da segurança e da sustentabilidade das empresas”, finaliza.  



Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Economia prateada movimenta trilhões no Brasil, enquanto a publicidade ainda foca nos jovens

Especialista afirma que preguiça criativa, ausência de representação interna e medo de errar são alguns dos erros cometidos pelas empresas

 

O Brasil envelhece em uma velocidade sem paralelo histórico, o que a França levou um pouco mais de um século para atravessar, o país fará em pelo menos 45 anos, quando 37,8% da população terá 60 anos ou mais de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com um poder de compra que deve dobrar até 2044, a Economia Prateada não é mais uma tendência de futuro, mas uma emergência do agora para empresas que não pretendem “envelhecer mal” antes de seus próprios consumidores. 

Ainda que a população 50+ movimente em média o equivalente a 23% do consumo nacional de bens e serviços, com renda anual estimada em R$ 940 bilhões, como aponta a pesquisa levantada pela Data8, consultora voltada para a economia da longevidade da América Latina, as marcas ainda focam a maior parte de seus esforços nos Millennials e na Geração Z. 

De acordo com a docente de Administração e Marketing da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) campus Campinas, Mariana Munis, há duas razões principais para essa distorção: “a primeira é cultural, vivemos numa sociedade que cultua a juventude e trata o envelhecimento como tabu. A segunda é estrutural, as agências de publicidade têm menos de 10% de profissionais acima de 46 anos em seus quadros, segundo a (agência) VML. Como criar para um público que você não conhece, não ouve e não representa internamente?” questiona. 

O estereótipo do que é ser uma pessoa 50+ é um dos fatores que faz com que empresas escorreguem ao produzir campanhas e vender os seus produtos, sobretudo as que oferecem serviços digitais. O idoso não é avesso à tecnologia, ao menos 69,8% das pessoas idosas no Brasil têm acesso à internet, e movimenta R$ 15 bilhões por ano no comércio eletrônico, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) e estudo feito pela área de inteligência e mercado da TV Globo respectivamente. O gargalo está justamente na experiência do usuário (UX). 

A coordenadora do curso de Administração do Centro de Ciências e Tecnologia da UPM campus Campinas, Raquel Duarte Nadler, afirma que se essas empresas desejam estimular a compra desse público, que geralmente é um público fiel e tem maior renda, elas devem facilitar a usabilidade das plataformas tendo “uma adaptação para a jornada de compra desse público 50+, 60+, que muitas vezes precisa de uma letra maior, não gosta de um ambiente poluído e valoriza o relacionamento humano. Então, pensar em experiências mais híbridas, um contato telefônico, e-mail ou uma rede social que leve informações e dê dicas. Tentar trabalhar essas experiências, até para garantir a segurança desse consumidor”, explica. 

Pesquisas diversas apontam que envelhecer hoje não é como foi nos anos 1970, por exemplo, já que a medicina evoluiu, bem como a expectativa de vida, que saiu de 69,8 anos, para 76,6 (IBGE 2024). Essa “nova” população madura gasta com bens de consumo, viaja, empreende, frequenta academia, tem redes sociais, assiste a séries. Então quais possíveis razões que levam as marcas a não atualizarem a forma como mostram esses idosos? 

A professora Mariana Munis acredita que seja “por uma combinação de preguiça criativa, ausência de representação interna e medo de errar. Quando uma marca não tem pessoas maduras nas equipes que criam as campanhas, ela recorre ao estereótipo porque é o que conhece. O problema é que o estereótipo ofende, afasta e, do ponto de vista de negócio, desperdiça uma oportunidade enorme”.

Ela ainda afirma que esse público é muito crítico, muito sincero e muito fiel quando respeitado e “o mercado que entender isso mais cedo vai ter uma vantagem competitiva considerável no Brasil que está se formando agora. Um país que, em 2050, será o sexto país mais velho do mundo, e onde os prateados responderão por 35% de todo o consumo domiciliar privado. Quem não começar a conversa agora vai chegar tarde” finaliza Munis.

 

Conexões certas salvam vidas: os relacionamentos que transformam destinos e carreiras


No futebol, a gente aprende muito cedo que ninguém constrói nada sozinho. Um atacante só aparece bem na frente porque alguém pensou antes na jogada, um goleiro só se sustenta porque existe uma defesa organizada à sua frente, e um time que chega longe não é feito de talentos isolados, mas de conexões que funcionam de verdade dentro e fora de campo. 

Com o tempo, e principalmente vivendo tudo o que o futebol me trouxe, vitórias, pressão, lesões, mudanças de país e momentos de silêncio que ninguém vê, isso deixou de ser só uma lição do esporte e passou a ser uma leitura de vida. 

Tenho muito forte em mim, que conexões certas não são detalhe, elas sustentam pessoas. 

Na minha trajetória, houve momentos em que o físico não era o problema, mas o emocional pesava muito mais do que qualquer treino ou jogo. E nesses períodos, o que me manteve de pé não foi uma solução individual, foi gente. Foi a conversa que chegou na hora certa, o amigo que não tentou consertar nada, só esteve ali, o profissional que trouxe clareza quando tudo parecia confuso, a família que segurou a base quando o mundo parecia instável e os mentores que enxergaram caminhos que eu ainda não conseguia ver. 

Quando você entende isso na prática, percebe que uma rede de apoio sólida não é conforto, é estrutura de sobrevivência emocional. 

Essas conexões também têm outro papel que muitas vezes passa despercebido, elas ampliam a forma como a gente enxerga a própria vida. Quando você convive com pessoas que pensam diferente, que já passaram por outros caminhos ou que simplesmente estão em outro estágio da própria jornada, você começa a perceber que os problemas não são únicos e que existem soluções que não estavam no seu radar. E quando essas conexões são baseadas em propósito, elas não só somam, elas multiplicam, e o impacto deixa de ser individual e passa a ser coletivo. 

Existe ainda uma ideia muito presente, principalmente no esporte e no universo masculino, de que ser forte é suportar tudo sozinho, pois crescemos ouvindo que é preciso aguentar calado, esconder dor e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. 

Mas a vida real mostra outra coisa, e mostra que até os mais fortes precisam de apoio, e que pedir ajuda não tem relação com fraqueza, e sim com consciência. 

Hoje, olhando para além do campo e depois de ter passado pela transição de carreira, isso ficou ainda mais evidente para mim. A saúde emocional precisa ser tratada como prioridade em qualquer ambiente, seja no esporte, nas empresas, nas famílias ou na escola. O que estamos vivendo é uma crise silenciosa de desconexão, pois estamos mais conectados digitalmente do que nunca, mas, ao mesmo tempo, mais distantes em profundidade. Temos acesso a muitas pessoas, mas cada vez menos conversas verdadeiras. 

Talvez o grande desafio desta geração seja justamente reaprender a se conectar de forma real. 

Não precisa ser algo grandioso para ter impacto, as vezes é uma mensagem simples, uma ligação que você faz sem motivo aparente, um olhar mais atento para alguém que não está bem ou apenas a disposição de estar presente de verdade. 

Já vi isso mudar o rumo de pessoas, já vi isso evitar desistências silenciosas, já vi isso sustentar alguém quando tudo parecia perdido. 

No fim das contas, títulos passam, aplausos diminuem e a carreira vira memória, mas as pessoas certas permanecem, e são elas que te lembram quem você é quando você mesmo começa a esquecer, são elas que te ajudam a continuar quando a mente já não responde da mesma forma, e são elas que, muitas vezes sem saber, impedem que alguém desista no meio do caminho. 

Ninguém foi feito para atravessar a vida sozinho. E talvez essa seja uma das verdades mais simples e mais difíceis de aceitar.

Júnior Moraes - ex-jogador de futebol, mentor, palestrante, sócio da 94 Marketing Football e autor do best-seller “A Estratégia da Mente Blindada”.



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