Perda rápida de gordura na face após uso de canetas emagrecedoras aumenta busca por soluções para flacidez, falta de volume e aspecto cansado; especialista explica os procedimentos mais indicados.
O uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e
Mounjaro, medicamentos injetáveis à base de análogos de GLP-1, tem crescido de
forma significativa no Brasil e no mundo. Pesquisa recente do Instituto
Locomotiva mostrou que 24% dos brasileiros já utilizaram esse tipo de medicação
e que, em 1 a cada 3 domicílios do país, há pelo menos um morador que faz ou já
fez uso das chamadas “canetas emagrecedoras”. Junto com a perda rápida de peso,
surge um novo comportamento nos consultórios: pacientes que buscam
procedimentos estéticos faciais para tratar os efeitos dessa redução no
rosto.
A diminuição da gordura facial pode evidenciar sulcos,
acentuar a flacidez e provocar um aspecto mais cansado ou envelhecido, o que
tem levado homens e mulheres a procurarem soluções complementares. Segundo a
cirurgiã-dentista pós-graduada em Harmonização Orofacial Adriana Fabres, esse
impacto é uma consequência natural do emagrecimento. “Quando há perda de peso
significativa, especialmente de forma mais acelerada, o rosto também perde
volume. Isso pode alterar o contorno facial e destacar estruturas que antes não
eram tão evidentes, como olheiras, linhas de expressão e flacidez”, explica.
Esse fenômeno da perda de volume facial causada por
emagrecimento rápido, popularmente chamado de “ozempic face”, ganhou
visibilidade internacional e passou a ser amplamente discutido em redes sociais
e veículos de comunicação. Apesar do nome, especialistas reforçam que não se
trata de um efeito colateral isolado de um medicamento específico, mas de uma
resposta do organismo à perda de gordura, que pode acontecer com qualquer
processo de emagrecimento mais intenso.
Quais procedimentos ajudam a recuperar a harmonia facial?
Diante dessas mudanças, cresce a procura por procedimentos
que atuem na reposição de volume e na melhora da qualidade da pele. Entre os
mais indicados pelos especialistas para estas situações estão o preenchimento
com ácido hialurônico, os bioestimuladores de colágeno, a toxina botulínica
(botox) e protocolos voltados à regeneração da pele, como o microagulhamento.
Cada técnica atua em uma camada e com um objetivo específico, o que torna
essencial a avaliação individualizada.
“O preenchimento ajuda a devolver suporte estrutural,
principalmente em regiões como maçãs do rosto, têmporas e sulcos, que ficam
mais evidentes com o emagrecimento. Já os bioestimuladores atuam estimulando a
produção de colágeno, o que melhora a firmeza ao longo do tempo. O botox entra
para suavizar linhas de expressão que acabam ficando mais marcadas após a perda
de volume”, detalha a Dra. Adriana.
Além disso, a especialista explica que protocolos combinados
costumam potencializar os resultados, já que cada procedimento atua em
diferentes camadas da face. “O ácido hialurônico, por exemplo, é aplicado em
planos mais profundos para reposicionar estruturas e também em camadas mais
superficiais para refinamento de contornos. Já técnicas como o microagulhamento
estimulam a renovação celular, contribuindo para textura e viço”, explica.
“Quando associamos mais de uma abordagem de forma planejada,
conseguimos não apenas recuperar volume, mas melhorar a qualidade da pele como
um todo, respeitando a anatomia e evitando resultados artificiais”, complementa
a especialista.
Mais do que estética: impacto na autoestima e na imagem
Além das mudanças físicas, o impacto na percepção da própria
imagem também é um fator relevante. “Muitos pacientes relatam estranhamento ao
se verem no espelho após o emagrecimento, especialmente quando o rosto passa a
aparentar mais cansaço ou envelhecimento do que o esperado para a idade”,
destaca Dra. Adriana, explicando ainda que esse desalinhamento entre o
resultado corporal e a aparência facial tem sido um dos principais motivadores
da busca por procedimentos.
“É comum que o paciente esteja satisfeito com o corpo, mas
se incomode com o rosto. O objetivo dos procedimentos não é reverter o
emagrecimento, mas equilibrar essa imagem, trazendo mais harmonia e uma
aparência mais condizente com o que a pessoa sente”, afirma a especialista.
Planejamento e tempo certo fazem diferença no resultado
Outro ponto fundamental é o momento certo de iniciar cada
procedimento. De acordo com a Dra. Adriana, o ideal não é esperar “emagrecer
tudo”, apenas aguardar uma estabilização do peso para realizar uma intervenção
estética mais estruturada. Isso permite um planejamento mais preciso e evita a
necessidade de correções frequentes.
“Quando o peso ainda está em queda, o rosto continua
mudando. Por isso, é importante respeitar esse tempo do corpo. No entanto,
podemos começar cuidando da flacidez da pele, com bioestimuladores de colágeno
como o Sculptra e a estética regenerativa, com PDRN e exossomos. Esse plano de
tratamento pode durar de 3 a 6 meses”, explica.
Segundo a especialista, após essa etapa, pode-se dar
sequência à estruturação da face com os preenchimentos em pontos estratégicos,
de acordo com as queixas do paciente, a sua personalidade e o formato de seu
rosto.
A especialista também reforça que são muitas camadas de um
protocolo que vai restaurar a jovialidade do rosto, tudo seguindo etapas. “A
harmonização facial precisa ser conduzida com cautela. O foco é devolver
equilíbrio ao rosto, sem exageros e respeitando as características individuais
de cada paciente”, completa.
Principais indicações após emagrecimento
- Bioestimuladores de colágeno: ativam a produção natural
de colágeno, melhorando a firmeza, a espessura da pele e a sustentação de
forma progressiva;
- Estética regenerativa (PDRN, PN e exossomos): estimulam renovação celular
e colágeno, melhorando textura, poros, viço e qualidade da pele;
- Botox (toxina botulínica): reduz a contração muscular, suavizando rugas
de expressão que ficam mais aparentes após a perda de gordura facial;
- Preenchimento com ácido hialurônico: repõe o volume
perdido e devolve suporte estrutural ao rosto, especialmente em maçãs do
rosto, têmporas e sulcos, ajudando a reduzir o aspecto de “rosto
derretido”;
·
Planejamento individualizado: associando diferentes técnicas de forma estratégica, respeitando
o grau de emagrecimento, a flacidez e o momento do paciente para garantir
resultados naturais.
Dra. Adriana Fabres Barcellos -
cirurgiã-dentista em Vitória (ES), com 28 anos de atuação e pós-graduação em
Harmonização Orofacial pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO-ES). Após
trajetória na odontopediatria e no serviço público, passou a atuar com
harmonização facial a partir de 2019, com foco em atendimento humanizado, redução
de dor e resultados graduais, preservando a individualidade de cada paciente.
Também desenvolve uma mentoria voltada a profissionais de saúde sobre
harmonização facial humanizada.
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