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| iStock CO ASSESSORIA |
A
beleza nunca exigiu tanta manutenção. Existe skincare para dormir, para
acordar, para parecer descansada mesmo sem descanso. Existe toda uma rotina
para alcançar uma aparência “natural”, embora quase nada nesse processo
realmente pareça espontâneo. Em algum momento entre filtros hiper-realistas,
harmonizações faciais e tendências que mudam semanalmente, muitas mulheres
começaram a sentir que cuidar da aparência deixou de ser prazer e passou a
funcionar como uma obrigação silenciosa.
O esgotamento ganhou até um nome
recente fora do Brasil: “beauty burnout”. A expressão começou a circular para
definir o desgaste provocado pela pressão estética das redes sociais e pela
sensação permanente de que sempre existe alguma coisa no rosto ou no corpo que
poderia ser melhorada.
Para a doutora Nívea Bordin
Chacur, CEO da GoldIncision, esse comportamento já começou a aparecer com
clareza dentro das clínicas, principalmente entre pacientes que passaram os
últimos anos consumindo uma estética marcada pelo excesso visual e pela
necessidade permanente de aperfeiçoamento. Segundo ela, muitas mulheres
chegaram “cansadas dessa lógica de perfeição permanente” e passaram a buscar
uma relação mais leve, saudável e natural com a própria aparência.
Nos últimos anos, procedimentos
minimamente invasivos deixaram de ocupar apenas consultórios para virar parte
da linguagem cotidiana das redes sociais. Bioestimuladores, preenchimentos,
lasers e protocolos corporais passaram a aparecer entre vídeos de maquiagem,
filtros faciais e rotinas estéticas quase impossíveis de acompanhar. Ao mesmo
tempo, o excesso começou a cansar visualmente.
Essa fadiga estética, segundo
Nívea, acabou criando uma mudança importante de comportamento, em que a
paciente continua querendo se cuidar, mas de forma mais preventiva, equilibrada
e discreta. Para ela, existe hoje “uma procura muito maior por qualidade de
pele, manutenção saudável e resultados que preservem identidade”, diferente da
lógica de transformação exagerada que dominou parte da estética nos últimos
anos.
Talvez por isso tratamentos
ligados à saúde estética, qualidade da pele e bem-estar corporal tenham
começado a ocupar um espaço diferente dentro da estética premium. Em vez de
mudanças radicais, cresce o interesse por protocolos associados à prevenção,
longevidade estética e naturalidade, movimento que, segundo Nívea, fez muitas
pacientes trocarem transformações visíveis por leveza, aparência descansada e
resultados menos óbvios.
Para Nívea, o “beauty burnout” não
representa o fim da vaidade, mas uma tentativa de desacelerar a relação
emocional com a própria aparência depois de anos tentando acompanhar padrões
praticamente impossíveis de sustentar na vida real. Hoje, segundo ela, “o novo
luxo da estética é parecer saudável sem parecer artificial”.

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