Médica veterinária do CEUB explica como
identificar mudanças de comportamento que podem indicar sofrimento emocional
nos pets
Mais de 84% dos cães apresentam sinais de ansiedade ou medo no
cotidiano, revela Estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências
Biomédicas da Texas A&M. Os gatilhos podem ser pessoas e cães
desconhecidos, ruídos intensos, objetos estranhos ou mudanças de ambiente. A
professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB),
Rafaela Barbosa, alerta que a ansiedade em cães merece atenção dos tutores, já
que pode comprometer o bem-estar físico e emocional dos animais.
Segundo a especialista, comportamentos muitas vezes interpretados como “birra” ou mau comportamento podem, na realidade, ser sinais de sofrimento emocional. “Excesso de latidos, latir para a parede, andar em círculos, perseguir e tentar morder o próprio rabo e mudanças repentinas de comportamento, como agressividade inesperada, podem indicar que o animal está estressado”. Entre os sintomas frequentes, estão tremores, choramingos, tentativa de se esconder, postura encolhida e comportamento agitado.
A médica veterinária recomenda investigar possíveis causas das
alterações: “A chegada de um novo animal, mudanças bruscas na rotina, excesso
de barulho e até vizinhos com muitos animais podem desencadear ansiedade e
desconforto emocional”. Sem acompanhamento adequado, quadros de ansiedade podem
evoluir a comportamentos agressivos ou compulsivos. “Quando o cão evita contato
visual, apresenta tremores, destruição de objetos, comportamento de fuga ou
agressividade repentina, é importante buscar ajuda e entender o que está
provocando esse estresse”, reforça Rafaela.
Raças mais sensíveis e os impactos nos gatos
Embora não exista uma raça específica mais propensa à ansiedade,
algumas costumam demonstrar mais sensibilidade emocional. “Shih-tzu e Spitz
Alemão podem ter um apego emocional intenso se comparadas a outras”, explica a
médica veterinária. Rafaela destaca que os gatos são ainda mais sensíveis às
mudanças: “Na medicina felina, a alteração de hábitos pode desencadear
problemas urinários, inclusive casos graves, como obstrução uretral. Por isso,
mudanças na rotina dos gatos exigem atenção redobrada”.
Como ajudar os pets em situações estressantes
A professora do CEUB indica manter uma rotina equilibrada, com estímulos físicos e mentais. “Passeios regulares, brincadeiras interativas e enriquecimento ambiental ajudam a reduzir o estresse e proporcionam mais qualidade de vida aos animais”, orienta. Alternar os brinquedos oferecidos aos pets também pode contribuir para manter o interesse e estimular o comportamento saudável. “O ideal é fazer um rodízio dos brinquedos, inserindo novidades para manter o animal entretido”, afirma a docente.
Em situações específicas, como períodos festivos com fogos de artifício, estratégias simples podem ajudar a reduzir o desconforto dos animais. “Diminuir a intensidade dos sons com algodão nos ouvidos, enrolar o pet em uma toalha para transmitir sensação de segurança e manter postura calma e acolhedora ajudam bastante nesses momentos”.
A docente do CEUB reforça ainda que, em casos
persistentes ou mais intensos, o ideal é procurar orientação veterinária antes
de qualquer intervenção. “Quanto mais cedo o tutor identificar os sinais,
maiores são as chances de controlar o problema antes que ele comprometa a saúde
e a convivência do animal”, finaliza Rafaela Barbosa.
Centro Universitário de Brasília - CEUB
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