Especialista em finanças alerta para falhas comuns na reta final da declaração, inconsistências na pré-preenchida e oportunidades legais para reduzir o imposto pago
Com o prazo final
da declaração do Imposto de Renda se aproximando — o envio deve ser feito até
29 de maio, a corrida de última hora já começou para milhares de brasileiros. O
problema é que a pressa aumenta o risco de erros que podem resultar em malha
fina, multas e até restrições no CPF, dificultando acesso a crédito e
financiamentos. Segundo a Receita Federal, a multa mínima por atraso é de R$ 165,74, podendo chegar a
20% do imposto devido.
Segundo o
especialista em investimentos e educação financeira da cooperativa de crédito CredCrea, Álvaro Alves Marques, a reta final costuma concentrar os
principais equívocos dos contribuintes, especialmente por falta de conferência
das informações e dependência de documentos enviados por terceiros.
“Quanto mais perto
do prazo final, mais correria existe para reunir documentos, revisar dados e
buscar informações com bancos, empresas e instituições financeiras. E é nesse
período que acontecem os erros”, afirma.
Declaração
pré-preenchida: fique de olho nas inconsistências
Entre os
principais pontos de atenção neste ano está a declaração pré-preenchida. Apesar
de facilitar o processo, o modelo automático apresentou inconsistências em
diferentes situações, exigindo revisão detalhada antes do envio.
“A pré-preenchida
ajuda bastante, mas ela não elimina a necessidade de conferência. Neste ano,
inclusive, muita gente relatou erros e informações incompletas”, alerta.
Especialistas e
entidades do setor contábil também têm alertado para inconsistências na
declaração pré-preenchida neste ano. O Conselho de Contabilidade (CFC) orienta
que os contribuintes revisem todas as informações antes do envio para evitar
erros e riscos de cair na malha fina.
Investimentos e bens exigem atenção
redobrada
De acordo com o
especialista, um dos erros mais comuns envolve aplicações financeiras e
patrimônio que não aparecem automaticamente na declaração.
“Se o contribuinte
fez uma aplicação e não houve resgate, muitas vezes isso não aparece na
pré-preenchida. O mesmo acontece com bens adquiridos recentemente, como carros
e motos. Se a pessoa não revisar, corre o risco de omitir patrimônio sem
perceber”, explica.
Outro ponto que
gera dúvidas frequentes está relacionado aos rendimentos de investimentos.
“Muita gente acha
que deve atualizar o valor da aplicação conforme a rentabilidade, mas isso nem
sempre é correto. Enquanto não existe resgate, normalmente não há fato gerador
do imposto sobre aquele rendimento”, comenta.
Receita amplia cruzamento de dados
Com sistemas cada
vez mais integrados, a Receita Federal vem ampliando o monitoramento das
movimentações financeiras e patrimoniais dos contribuintes. A própria Receita destaca que as declarações passam por cruzamento de
informações com dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde e
instituições financeiras.
“A fiscalização
está muito mais detalhada. Hoje existe cruzamento de dados bancários,
patrimoniais e financeiros em uma velocidade muito maior do que alguns anos
atrás”, diz Álvaro.
Segundo ele, isso
também aumenta o risco de problemas futuros para quem entrega a declaração sem
atenção.
“A pessoa pode
acreditar que está tudo certo agora e descobrir anos depois que caiu na malha
fina por uma informação declarada incorretamente.”
Empresas no lucro presumido também
entram no radar
Além das pessoas
físicas, empresários que atuam no lucro presumido precisam redobrar a atenção
na reta final do IR. Segundo Álvaro, muitas dúvidas surgem justamente sobre
tributação de aplicações financeiras dentro das empresas.
“Muitos contadores
dominam a operação tradicional da empresa, mas nem sempre têm profundidade
sobre tributação de investimentos e receitas financeiras no lucro presumido”,
afirma.
De acordo com ele,
erros nesse tipo de declaração podem gerar cobrança adicional de imposto e
autuações futuras.
Completa ou simplificada? Escolha
errada pode gerar prejuízo
Outro ponto que
merece análise é a escolha entre declaração simplificada e completa. A opção
mais indicada depende do perfil de gastos do contribuinte.
Na simplificada, o
desconto padrão é de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao teto
previsto pela Receita Federal. Já na completa, é possível deduzir despesas com
saúde, previdência privada, dependentes e educação.
“Quem teve gastos
médicos elevados, por exemplo, geralmente encontra mais vantagens na declaração
completa, porque despesas de saúde não possuem teto de abatimento”, explica.
O especialista
também destaca que muitos brasileiros deixam de utilizar mecanismos legais para
reduzir a carga tributária.
“Existe uma
diferença importante entre evasão fiscal, que é ilegal, e planejamento
tributário dentro da lei. Muitas pessoas acabam pagando mais imposto do que
precisariam por falta de orientação.”
Segundo Álvaro,
estratégias como previdência privada e organização tributária ao longo do ano
podem ajudar o contribuinte a reduzir legalmente o valor pago em imposto. “Além
de pensar no futuro, a previdência pode trazer benefícios fiscais importantes
no presente, desde que exista planejamento”, pontua.
Atenção aos últimos dias
Para quem ainda
não enviou a declaração, a principal recomendação é evitar a pressa. Segundo
Álvaro, revisar todas as informações da declaração pré-preenchida é
indispensável, especialmente dados relacionados a investimentos, patrimônio e
despesas dedutíveis. Também é importante conferir informes bancários, recibos
médicos e comprovantes de pagamentos ao longo do ano para evitar
inconsistências que possam chamar a atenção da Receita Federal.
O especialista
orienta ainda que o contribuinte avalie com cuidado qual modelo de declaração é
mais vantajoso (simplificada ou completa) já que a escolha errada pode
significar pagamento maior de imposto ou perda de restituição. “Muitas pessoas
acabam selecionando a opção mais fácil sem perceber que poderiam ter um
abatimento muito maior na completa, principalmente quando possuem despesas
médicas, previdência privada ou dependentes”, explica.
Outro ponto de
atenção é não deixar o envio para os últimos dias. Além da sobrecarga nos
sistemas e da correria para reunir documentos, o contribuinte perde tempo
importante para revisar informações e esclarecer dúvidas com profissionais
especializados.
“Quem faz a declaração com calma consegue revisar melhor os
dados, reduzir riscos e ainda aumentar as chances de receber a restituição mais
cedo”, finaliza Álvaro.
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