Especialistas alertam para o aumento de pacientes com flacidez facial, aspecto cansado e envelhecimento precoce após perdas rápidas de peso
As canetas emagrecedoras mudaram a relação das pessoas com o emagrecimento. Em poucos meses, pacientes que passaram anos tentando perder peso começaram a ver números despencando na balança de forma quase inédita. O problema é que, junto com a gordura corporal, muitos começaram a perceber outra perda inesperada: a do próprio rosto.
Bastaram alguns meses para um novo termo começar a circular
nos consultórios e nas redes sociais: “Ozempic Face”, expressão usada para
descrever o aspecto envelhecido que pode surgir após emagrecimentos rápidos
provocados por medicamentos como semaglutida e tirzepatida.
O fenômeno já se tornou assunto recorrente entre cirurgiões plásticos e especialistas em rejuvenescimento facial.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna, o problema não está necessariamente no medicamento, mas na velocidade e intensidade da perda de gordura.
“O rosto também emagrece. E quando essa perda acontece de
forma muito rápida, a pele e as estruturas profundas nem sempre conseguem
acompanhar. O resultado pode ser flacidez, aprofundamento de sulcos e um aspecto
de cansaço precoce”, explica.
O rosto perde sustentação junto com a
gordura
Diferentemente do que muita gente imagina, a gordura facial não serve apenas como volume estético. Ela funciona como uma estrutura de sustentação natural do rosto. Com o emagrecimento acelerado, essa camada diminui rapidamente, principalmente em regiões como:
- maçãs
do rosto
- têmporas
- mandíbula
- abaixo dos olhos
A consequência é uma face mais “murcha”, com perda de
contorno e aparência cansada. “O que muitas pessoas estão percebendo é que
emagrecer rápido pode criar um contraste muito grande entre o corpo e o rosto.
O corpo melhora, mas o rosto perde vitalidade”, afirma Dr. Wanna.
Embora o assunto tenha viralizado nas redes sociais, médicos alertam que o impacto não é apenas visual. Muitos pacientes relatam estranhamento ao se olhar no espelho após grandes perdas de peso.
Isso porque o cérebro associa emagrecimento à juventude e saúde, mas o rosto pode responder de forma diferente quando há perda abrupta de gordura e colágeno.
“Existem pacientes felizes com o peso, mas incomodados com a aparência facial. Eles dizem frases como: ‘pareço cansado’, ‘pareço mais velho’, ‘meu rosto derreteu’. Isso começou a se tornar muito frequente nos consultórios”, relata o especialista.
O emagrecimento acelerado também
acelera o envelhecimento facial?
De certa forma, sim.
Estudos recentes publicados no Aesthetic Surgery Journal já discutem os impactos da perda rápida de gordura sobre sustentação facial e envelhecimento aparente. Isso acontece porque o rosto envelhece justamente pela combinação de:
- perda
de colágeno
- redução
de gordura estrutural
- queda
dos ligamentos faciais
- flacidez da pele
Quando o emagrecimento acelera parte desse processo, os
sinais aparecem mais cedo. O rosto humano precisa de equilíbrio. Quando há uma
perda muito agressiva de gordura, especialmente após os 35 ou 40 anos, o
envelhecimento facial pode se tornar mais evidente.
A nova procura nos consultórios
Com a popularização das canetas emagrecedoras, os consultórios de cirurgia plástica e rejuvenescimento começaram a receber um novo perfil de paciente: pessoas que emagreceram com sucesso, mas passaram a buscar maneiras de recuperar naturalidade facial.
Os procedimentos mais procurados atualmente incluem:
- enxerto
de gordura autóloga
- lifting
facial
- bioestimuladores
de colágeno
- ultrassom
microfocado
- lasers regenerativos
O objetivo não é devolver “volume artificial”, mas
reconstruir sustentação e vitalidade. “O erro seria tentar corrigir isso apenas
enchendo o rosto novamente. Hoje buscamos reposicionar tecidos, estimular
colágeno e devolver naturalidade. A estética moderna caminha para o equilíbrio,
não para o exagero”, comenta o cirurgião Luíz Anizio Wanna.
As canetas continuam sendo importantes mas exigem
acompanhamento
Especialistas reforçam que medicamentos como semaglutida e tirzepatida revolucionaram o tratamento da obesidade e representam avanços importantes da medicina metabólica. O problema não está necessariamente no uso das medicações, mas na ausência de acompanhamento adequado e na busca por emagrecimentos extremos.
O medicamento não é vilão. Pelo contrário, ele trouxe
benefícios enormes para muitos pacientes. O que precisamos é entender que
emagrecimento saudável não é apenas perder peso, é preservar saúde, estrutura
corporal e qualidade de vida.
O novo luxo estético não é parecer mais
jovem, é parecer saudável
Curiosamente, o crescimento do “Ozempic Face” também está mudando o padrão estético atual. Depois de anos de exageros estéticos e preenchimentos excessivos, a nova demanda dos pacientes é outra: naturalidade.
“As
pessoas querem emagrecer, mas sem parecer doentes. Querem definição, mas sem
perder expressão. Querem resultados, mas sem deixar no rosto os sinais do
processo. Hoje, o maior desejo estético não é parecer diferente. É parecer
saudável, descansado e vivo”, conclui Dr. Luíz Wanna.
Dr. Luiz Anizio Wanna - CRM 74.219 - Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, sócio fundador do Instituto Wanna, formado na Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ). Possui Curso de Emergência Cirúrgica e de Médico Perito Examinador de Trânsito. Atuação em hospitais como: Stella Maris de Guarulhos (SP), Instituto de Pesquisa Médico Científica de São Bernardo do Campo (SP), Hospital Regional Dr. Vivaldo Martins Simões – Osasco (SP) e outros, além de participar de cursos e simpósios nacionais e internacionais.

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