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quinta-feira, 5 de março de 2026

Vozes do Advocacy realiza Campanha do Dia Mundial do Rim em doze cidades brasileiras

Neste mês de março, o Vozes do Advocacy, que integra 28 organizações de diabetes no país, promove a Campanha do Dia Mundial do Rim em doze cidades brasileiras. Atualmente, o país conta com mais de 172 mil pacientes em diálise, sendo 85% atendidos pelo SUS. Desses, 94,6% realizam hemodiálise. O estudo da Sociedade Brasileira de Nefrologia analisou 31 unidades privadas com mais de 1.000 sessões/mês, adotando metodologia técnica rigorosa de custeio por absorção. 

A iniciativa da Campanha tem o intuito de disseminar informações sobre a doença renal para profissionais de saúde e a população em geral, com foco: na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento. A data sempre ocorre na segunda quinta-feira de março. Este ano será no dia 12. 

Segundo as Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao Paciente com Doença Renal Crônica, do Ministério da Saúde, a Doença Renal Crônica é um fator determinante para uma pessoa desenvolver a doença cardiovascular, responsável por 30% de todas as mortes no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que, globalmente, ela afeta cerca de 10% da população. Outras estimativas indicam a prevalência global da doença renal crônica em 14% da população geral e 36% em grupos de risco. No Brasil, a prevalência estimada pelo critério laboratorial em adultos é de 6,7%, triplicando em indivíduos com 60 anos ou mais de idade, dados estes do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em setembro de 2024. 

Com o tema: “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a iniciativa tem o intuito de levar a refletir sobre a necessidade de uma política de saúde inclusiva e sustentável, que assegure equidade no cuidado e acesso universal ao diagnóstico e à terapia renal substitutiva. 

Segundo a Presidente do Vozes do Advocacy, Vanessa Pirolo “durante o 1º Fórum Trinacional de Diabetes e Doenças Renais do Diabetes, ocorrido em Foz do Iguaçu no mês de agosto do ano passado, o Ministério da Saúde mostrou que em 2023 foram realizados mais de 17 milhões de procedimentos renais registrados com repasse de R$4,3 bilhões para estados e municípios. Esse montante poderia ser significativamente reduzido por meio de um maior investimento em iniciativas de prevenção e detecção precoce da condição. Por isso, faremos a campanha para sensibilizar a população com diabetes para que possa procurar os serviços de saúde e faça os exames de creatinina e de albuminúria para o diagnóstico precoce, para que possa descobrir a alteração renal no princípio e não precise chegar à hemodiálise. 

As organizações vinculadas com o Vozes do Advocacy farão campanhas de rastreio de creatinina pelo país, entre elas: 

-No dia 7 de março, o Instituto ADIFI em sua dede, em Foz do Iguaçu, fará palestra educativa, Exames Rápidos de Creatinina, Orientação com Nutricionista e Psicólogo e Distribuição de Material Informativo. O instituto fica localizado na Av. Eng Hildemar Leite França, 278.

-No dia 10 de março, das 15h às 18h, a Associação Cearense de Diabéticos e Hipertensos fará ação, no Shopping Benfica, em Fortaleza, localizado na Av. Carapinim. Serão feitas aferições de pressão arterial e de creatinina, além de teste de glicemia. Haverá orientação nutricional e encaminhamento de pacientes com exames alterados. 

-Nos dias 11 e 12 de março, das 8h às 10h, no Shopping Mueller - piso térreo, a dos a Associação dos Diabéticos de Joinville (ADIJO) realiza teste de creatinina. No dia 19 de março, às 14h, a ação se repetirá no Pró-Rim Educação - Rua Mário Lobo, 45, Centro, Joinville. E por último a ação se repetirá nos dias 19 e 20 de março, das 9h às 16h no Giassi. 

-Nos dias 12 e 13 de março, o Vozes do Advocacy também fará a iluminação do Senado e da Câmara dos Deputados, em Brasília, com as cores azul e vermelho, para reforçar a sensibilização da população sobre a temática, além de participar da Sessão Solene na Câmara dos Deputados. A mensagem será sobre a importância da adesão ao tratamento para não desenvolvimento da insuficiência renal. 

-No dia 12 de março, a ADH Conquista promoverá testes de creatinina sérica em pessoas com diabetes, pré-selecionados pela Farmácia da Família, aferição de pressão arterial e peso, sessões rápidas de orientação sobre diabetes, DRC e hábitos de vida saudáveis, com distribuição de material informativo. As pessoas que tiverem alteração do resultado de creatinina, serão imediatamente agendadas e referenciadas para passarem com especialistas. 

-No dia 12, das 8h às 14h, a Associação dos Diabéticos e Familiares de Tanguá em parceria com a Secretaria de Saúde de Tanguá e Uniasselvi farão a ação na Casa Rosa, localizada na rua Jobel José Cardoso n° 1621, no Pinhão, em Tanguá/RJ. A iniciativa inclui aferição de glicemia e de creatinina, avaliação nutricional, verificação de pressão arterial, teste lipídico e hemoglobina glicada. Também haverá uma roda de conversa sobre Educação em Diabetes. 

 -No dia 12, das 8h às 16h, a Associação dos Diabéticos e Hipertensos de Chapecó irá promover na sede de sua instituição testes rápidos de creatinina, de hemoglobina glicada, de pressão arterial e avaliação de IMC. Durante todo o mês de março, haverá palestras educativas com a equipe multidisciplinar. 

- No dia 12 de março, a Associação de Diabéticos da Grande Florianópolis fará em parceria com a APARSC um evento para proporcionar aferição de pressão arterial, testes de glicemia, acesso a exames de creatinina, distribuição de material educativo, diálogo com a população sobre à causa da sustentabilidade e finalizar o evento com uma caminhada. As ações acontecerão no Centro de Florianópolis, perto do terminal de ônibus. 

-No dia 12 de março, está para ser confirmada a iluminação dos prédios da Câmara dos Deputados e do Senado com as cores alusivas ao Dia Mundial do Rim: vermelho e azul, em Brasília. 

-No dia 12 de março, a Associação dos Diabéticos de Santa Bárbara D’Oeste promove a Campanha do Mês Mundial do Rim, na Clínica Ultraclin, em Santa Bárbara d'Oeste, São Paulo. A iniciativa tem o intuito de disseminar informações sobre a doença renal para a população em geral, com foco: na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento. No mesmo dia, a ADSB será iluminada nas cores azul e vermelho que são as cores do Dia Mundial do Rim. Também no dia 25 de março, às 8h, haverá atividade educativa a ser realizada na Clínica Ultraclin das 8h às 16 horas com atendimento geral Grupo Área Central, no Grupo de Pais e Associados da Clínica Ultraclin, onde serão realizados exames de Glicemia Capilar, aferição da Pressão Arterial e coleta de sangue capilar para detecção da Creatinina. Caso haja algum resultado alterado será feita orientação pelo médico especialista em Nefrologia. 

-No dia 14 de março, a Associação Botucatuense de Assistência ao Diabético, em parceria com o departamento de Nefrologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, realizará, das 8h às 16h, na Praça da Rainha – Cohab 1, em Botucatu, aferição de pressão arterial, teste de glicemia capilar; avaliação da função renal; orientações de saúde e nutricionais. Além disso, estão previstas atividades físicas e educativas, tais como: caminhada para iniciantes, alongamento, aula de dança, yoga; e roda de conversa. 

- No dia 13 de março, das 9h às 12h, a Associação de Diabéticos do Espírito Santo (ADIES) fará acolhimento e triagem inicial das pessoas, dará palestra sobre educação em obesidade, fará aferição da pressão arterial, da creatinina e glicemia capilar, além de disponibilizar uma avaliação antropométrica (com medição de peso e altura, com cálculo do IMC), com uma orientação individualizada. A ação será feita na Associação de Moradores de Barcelona, localizada na Av. Teresópolis, 50 – Barcelona, no município de Serra. 

-No dia 19 de março, a ADJ Birigui fará palestras educativas sobre a função dos rins, os principais sintomas de alertas das doenças renais, medidas de prevenção, entre outras. Além disso, serão oferecidas: orientações individuais em saúde, aferição de pressão arterial, informações sobre exames que avaliam a função renal, esclarecimento de dúvidas em momentos de conversa aberta, distribuição de materiais educativos, atividades educativas voltadas à promoção da saúde e prevenção de complicações

-No dia 27 de março, das 8h às 12h, a Associação de Diabetes e Familiares de

Petrolina fará a ação na AME Lia Bezerra, localizada no Bairro José e Maria. A ação inclui aferição de pressão, da creatinina e da glicemia capilar, além de palestra sobre doença renal do diabetes com nefrologista. 

Estas iniciativas têm a parceria de: Astrazeneca, Bayer e Vantive.

 

 Sobre o Vozes do Advocacy

Com a participação de 25 associações e de 3 institutos de diabetes, o Vozes do Advocacy é uma Federação de Organizações que promove o diálogo entre os diferentes atores da sociedade, para que compartilhem conhecimento e experiências, com o intuito de sensibilizar a população brasileira sobre a importância do diagnóstico e tratamento precoces do diabetes da obesidade e das complicações de ambas as condições, além de promover políticas públicas, que auxiliem o tratamento adequado delas.


Exercícios no calor: cuidados para proteger a saúde respiratória

Atividade física em dias de altas temperaturas exige cuidados para reduzir riscos e preservar bem-estar

 

Manter a prática de atividade física é uma recomendação importante para a saúde, mas, em dias de altas temperaturas, o exercício exige atenção redobrada. O calor impõe uma sobrecarga ao organismo ao combinar aumento da temperatura corporal, maior esforço do coração e perda de líquidos pelo suor, o que pode favorecer diferentes desfechos negativos à saúde¹.

O exercício físico eleva naturalmente a temperatura interna do corpo, o esforço cardíaco e a sudorese. Quando essa prática ocorre em ambientes quentes, esses efeitos se intensificam¹. Por esse motivo, é importante entender quando é hora de limitar, modificar ou até evitar a prática de exercícios no calor, como forma de reduzir riscos e preservar o bem-estar¹.

Em primeiro lugar, o sistema respiratório é impactado pelo calor porque está em contato direto com o ambiente externo. A parte anterior da cavidade nasal funciona como uma porta de entrada para as trocas gasosas com o ambiente, sendo uma das primeiras regiões do corpo a sentir os efeitos das condições externas².

O calor intenso pode alterar proteínas estruturais das vias aéreas e desencadear inflamação e hiper-reatividade, tornando os pulmões mais sensíveis. Além disso, o sistema de termorregulação do corpo, ou seja, a capacidade do organismo de ajustar a própria temperatura, é impactado².

Isso leva ao aumento do volume respiratório e da frequência da respiração, favorecendo maior resistência das vias aéreas e episódios de broncoconstrição reflexa², quando ocorre “o estreitamento das vias aéreas nos pulmões, reduzindo o fluxo de ar, resultando em sintomas como respiração ofegante, tosse e falta de ar”, segundo a otorrinolaringologista Maura Neves, médica consultora da Libbs.

Quando as células epiteliais das vias respiratórias sofrem danos, elas liberam substâncias de alerta que ativam respostas que contribuem para o agravamento da inflamação das vias aéreas2,3. Segundo a médica, esse processo pede atenção especialmente de pessoas que convivem com doenças respiratórias, como asma ou alergias³.

Além disso, os danos causados pelo calor podem não desaparecer imediatamente após o resfriamento do corpo. Mesmo quando a temperatura volta ao normal, as lesões associadas ao estresse térmico podem continuar representando riscos. Alterações no funcionamento dos órgãos, inclusive dos pulmões, podem persistir por anos após o dano inicial⁴. “É preciso avaliar os próprios limites e as condições de tempo para evitar impactos graves na saúde respiratória”, diz Neves.


Cuidados em dias quentes para preservar a saúde respiratória

Para reduzir os riscos associados aos exercícios no calor, algumas medidas são recomendadas¹, tais como evitar a prática de exercícios nos horários de pico de calor, manter hidratação adequada, reduzir a intensidade e a duração do treino, fazer pausas mais frequentes e permitir que o organismo se adapte gradualmente às temperaturas mais altas antes de esforços mais intensos, utilizar roupas leves, que facilitem a evaporação do suor, e dar preferência a locais com sombra ou ambientes internos refrigerados.

Além disso, ao sinal de qualquer mal-estar, a especialista recomenda a interrupção das atividades e a avaliação médica: “Especialmente para quem convive com doenças respiratórias e cardiovasculares, o acompanhamento médico é essencial para uma prática de exercícios segura.”

 



Referências

1. Mornas A, Deshayes TA, Bartlett AA, Chaseling G, Jay O, Marzolini S, Simard F, Iglesies-Grau J, Gagnon D. A Scoping Review of Recommendations for Adults with Cardiovascular Disease to Remain Physically Active during Hot Weather. Eur J Prev Cardiol. 2025 Aug 19:zwaf519.

2. Çelebi Sözener Z, Treffeisen ER, Özdel Öztürk B, Schneider LC. Global warming and implications for epithelial barrier disruption and respiratory and dermatologic allergic diseases. J Allergy Clin Immunol. 2023 Nov;152(5):1033-1046.

3. Sampath V, Aguilera J, Prunicki M, Nadeau KC. Mechanisms of climate change and related air pollution on the immune system leading to allergic disease and asthma. Semin Immunol. 2023 May;67:101765.

4. Ebi KL, Capon A, Berry P, Broderick C, de Dear R, Havenith G, et al. Hot weather and heat extremes: health risks. The Lancet. 2021 Ago 21;398(10301):698–708.

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor



Estresse na adolescência provoca alterações cerebrais duradouras, aponta estudo com ratos


 

Segundo os pesquisadores, traumas nessa fase da vida desregulam
 o equilíbrio entre sinais de excitação e inibição no cérebro, comprometendo
 a estabilidade funcional do órgão
(
imagem: Nikolett Emmert/Freepik)

Pesquisa realizada na USP mostra que mudanças no córtex pré-frontal causadas por estresse severo ou trauma na adolescência podem estar ligadas ao surgimento de transtornos como esquizofrenia e depressão

 

 Situações estressantes vividas na adolescência tendem a provocar alterações mais profundas e duradouras no cérebro do que quando ocorrem na vida adulta. Um estudo feito em ratos na Universidade de São Paulo (USP) identificou um dos mecanismos neurológicos por trás dessa diferença, oferecendo novas pistas sobre a origem de transtornos psiquiátricos como depressão e esquizofrenia.

Os pesquisadores comprovaram que a exposição ao estresse na adolescência pode interferir no equilíbrio dos neurônios, comprometendo a maturação de redes neurais e aumentando a vulnerabilidade a disfunções cerebrais que podem persistir até a vida adulta. Os resultados foram publicados na revista Cerebral Cortex.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP, demonstrou que o estresse na adolescência provoca mudanças permanentes nos circuitos do córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo controle emocional e função cognitiva.

De acordo com os pesquisadores, traumas nessa fase da vida desregulam o equilíbrio entre sinais de excitação e inibição no cérebro, comprometendo a estabilidade funcional do órgão. Já em roedores adultos, o cérebro mostrou maior resiliência, com mecanismos de recuperação que tornaram os efeitos do estresse mais passageiros.

“Estudos epidemiológicos já haviam demonstrado que o impacto do estresse severo é mais profundo na adolescência. Em nosso trabalho, comprovamos que ele causa desequilíbrio na comunicação entre células cerebrais nas duas fases da vida. No entanto, como o cérebro adolescente ainda está em formação, não há proteção suficiente contra esse impacto”, explica Felipe Gomes, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e coordenador do estudo.

Na pesquisa, ratos machos foram submetidos a um protocolo de estresse ao longo de dez dias consecutivos, com choques nas patas e restrição de movimento. Os experimentos foram realizados em dois grupos distintos: animais entre 31 e 40 dias de vida (fase da adolescência) e na fase adulta (de 65 a 74 dias).

Em seguida, os cientistas analisaram, nos dois grupos, alterações de curto e longo prazo na atividade de neurônios excitatórios (piramidais glutamatérgicos) e inibitórios (interneurônios GABAérgicos), ambos presentes no córtex pré-frontal medial.

Nos ratos adolescentes, o estresse provocou um aumento persistente na atividade dos neurônios excitatórios e alterou de forma duradoura o funcionamento dos inibitórios. O resultado foi um desequilíbrio prolongado, como se o cérebro estivesse acelerado, sem “um freio funcionando”. Foi observado também que, embora a força dos sinais inibitórios tenha retornado ao estado normal, o padrão de disparo permaneceu irregular, o que compromete o controle neural.

Nos adultos, contudo, o estresse causou apenas uma redução temporária na atividade dos interneurônios inibitórios, sem gerar a hiperexcitabilidade observada nos adolescentes. Isso permitiu que o sistema se reequilibrasse após o período de estresse.

“O estudo também mostrou que o mau funcionamento dos interneurônios afetou os ritmos elétricos cerebrais. Nos adolescentes, houve uma redução duradoura nas oscilações gama, fundamentais para processos cognitivos superiores, como atenção e memória de trabalho, e que estão prejudicadas na esquizofrenia. Já nos adultos, o estresse reduziu temporariamente as oscilações teta, que regulam a comunicação entre o córtex e outras regiões, como o hipocampo. A recuperação desse ritmo sugere que a conectividade cerebral foi restabelecida”, conta Gomes.


Mecanismos neurais

Estudos anteriores do mesmo grupo já haviam mostrado que o estresse na adolescência pode induzir comportamentos semelhantes aos da esquizofrenia, enquanto o estresse na vida adulta tende a provocar alterações mais associadas à depressão.

“Nosso trabalho avança ao revelar os mecanismos neurais por trás dessas diferenças, mostrando que o momento da vida em que o estresse ocorre é determinante para o tipo e a duração das alterações nos circuitos do córtex pré-frontal”, afirma Flávia Alves Verza, que investiga o tema em seu pós-doutorado, apoiado pela FAPESP.

“Conseguimos aprofundar esse entendimento ao caracterizar o impacto do estresse em diferentes períodos da vida sobre tipos de células distintas no córtex pré-frontal, região frequentemente afetada em transtornos psiquiátricos”, completa Gomes.

Além de compartilharem a exposição ao estresse como um fator de risco comum, cerca de 40% dos genes de risco para esquizofrenia também estão associados à depressão. “Dessa forma, o novo estudo contribuiu para a hipótese de que um indivíduo geneticamente vulnerável pode desenvolver esquizofrenia se exposto a traumas na adolescência, enquanto o mesmo trauma na vida adulta pode desencadear depressão. Os resultados reforçam a importância de estratégias preventivas voltadas aos jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade emocional”, afirma o pesquisador.

O artigo Adolescent and adult stress alter excitatory-inhibitory network dynamics in the medial prefrontal cortex pode ser lido em: academic.oup.com/cercor/article-abstract/36/1/bhaf342/8422749.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estresse-na-adolescencia-provoca-alteracoes-cerebrais-duradouras-aponta-estudo-com-ratos/57342

 

Campinas avança na vacinação contra HPV, mas cobertura entre meninos ainda exige atenção

No mês de conscientização sobre o HPV, especialista do Vera Cruz Hospital alerta para importância de ampliar a imunização masculina

 

No mês em que se celebra o Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, Campinas se apresenta com um dado positivo, mas que ainda revela um desafio importante: enquanto 93% das meninas de 9 a 14 anos já foram vacinadas contra o vírus na cidade, a cobertura entre os meninos é de 77%. A diferença acende o alerta para a necessidade de ampliar a imunização masculina e reforçar a proteção coletiva.

O tema ganha relevância diante do cenário global. Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 630 milhões de pessoas estavam infectadas pelo HPV em 2024. No Brasil, calcula-se que entre 9 e 10 milhões convivam com o vírus, com aproximadamente 700 mil novos casos registrados a cada ano. Transmitido principalmente por via sexual, o HPV é extremamente comum: cerca de 80% da população sexualmente ativa terá contato com o vírus em algum momento da vida. Existem mais de 200 tipos identificados, alguns associados a câncer de colo do útero, vagina, vulva, pênis e orofaringe, além de verrugas genitais.

Segundo a ginecologista e mastologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Andréa Laureano, a vacinação é a principal estratégia de prevenção. “Embora a maioria das infecções seja eliminada naturalmente pelo organismo, não é possível prever quem evoluirá para lesões ou câncer. A vacina quadrivalente protege contra os tipos mais comuns do vírus do HPV, dentre eles o 16 e o 18 que são potencialmente mais oncogênicos, tem maior risco de causar câncer”, explica a especialista.

A médica reforça que a vacinação contra o HPV é essencial tanto para meninas quanto para meninos, como estratégia de proteção individual e coletiva. “A imunização é fundamental para reduzir a circulação do vírus e prevenir diferentes tipos de câncer associados ao HPV. Ampliar a cobertura vacinal, especialmente entre os meninos, é um passo importante para garantir mais proteção às próximas gerações”, destaca.

No Brasil, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com meta de alcançar 90% de cobertura vacinal. Até junho, a imunização foi ampliada para jovens de até 19 anos, como estratégia para aumentar a adesão. O país tem avançado na cobertura, mas ainda enfrenta dificuldades para atingir índices homogêneos, especialmente entre o público masculino.

A vacina disponibilizada pelo SUS é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos do vírus, incluindo os subtipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, além dos tipos 6 e 11, associados às verrugas genitais. Na rede privada, há a opção nonavalente, que amplia a proteção para nove subtipos. “Ambas são seguras e eficazes. A diferença está no número de variantes cobertas”, esclarece Andréa.

A vacinação é recomendada antes do início da atividade sexual porque em pessoas jovens a resposta é mais robusta. Mesmo quem já teve contato com o vírus pode se beneficiar. “A vacina amplia a proteção contra outros subtipos e pode oferecer imunidade cruzada”, afirma. Sobre segurança, Andréa é categórica: “Os efeitos adversos costumam ser leves, como dor ou inchaço no local da aplicação. Não há evidência de que a vacina interfira na fertilidade ou estimule o início precoce da vida sexual.”

Além da imunização, o uso de preservativo segue sendo recomendado. “O preservativo feminino, por exemplo, oferece uma proteção mais ampla da região genital, inclusive contra lesões externas”, orienta. Para a especialista, o avanço da cobertura vacinal é decisivo para mudar o cenário da doença no futuro. “Temos uma ferramenta eficaz disponível. A diferença entre controle e aumento de casos está na adesão”, conclui.

 

Vera Cruz Hospital


Mês da Conscientização da Obesidade: com mais de 60% da população acima do peso, por que tratar a doença exige mais do que força de vontade

Março marca o Mês da Conscientização da Obesidade, período que reforça a necessidade de olhar para a condição como ela realmente é: uma doença crônica complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais, e não apenas o resultado de escolhas individuais.

Apesar dos avanços terapêuticos dos últimos anos, o tratamento da obesidade ainda enfrenta um desafio estrutural: a descontinuidade. Dados do Ministério da Saúde, divulgados no início deste ano, revelam um cenário alarmante, com 62,6% da população adulta das capitais brasileiras acima do peso, sendo 25,7% destes com obesidade, índice que mais do que dobrou nas últimas duas décadas.

Este cenário revela uma lacuna importante entre a percepção da imagem e a necessidade de cuidado clínico. Muitas vezes, o tratamento falha porque é conduzido de forma isolada ou fragmentada, focando apenas na perda de peso imediata e ignorando que, por ser uma doença crônica, o suporte precisa ser contínuo.

“A obesidade é uma doença crônica e, como tal, exige constância no cuidado. Não se trata de uma intervenção pontual, mas de uma jornada estruturada, com acompanhamento médico, orientação nutricional e suporte contínuo ao longo do tempo”, afirma a Dra. Karla Bandeira, endocrinologista e consultora científica da Voy, empresa de gestão de saúde que oferece uma jornada de emagrecimento prática, segura e personalizada.

Além do impacto direto na qualidade de vida, a obesidade está associada a outras condições, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Ainda assim, o modelo tradicional de consultas presenciais espaçadas e acompanhamento fragmentado pode dificultar a adesão, especialmente para quem possui uma rotina sobrecarregada ou já vivenciou experiências de estigmatização.

“O maior desafio não é apenas iniciar o tratamento, mas garantir a continuidade com segurança. Quando a pessoa enfrenta a jornada sozinha, as chances de abandono aumentam significativamente”, reforça a médica. “É preciso integrar cuidado clínico e suporte próximo para que o tratamento seja, de fato, sustentável.”

Neste Mês da Conscientização da Obesidade, a discussão vai além do número na balança. Reconhecer a complexidade da doença é o passo fundamental para transformar o cuidado em algo efetivo. Mais do que a perda de peso, trata-se de promover saúde com acolhimento e respaldo científico.


Dados apontam avanço na adesão ao tratamento de Lúpus e Fibromialgia e baixa retenção de pacientes com Alzheimer

Levantamento da Memed analisa a jornada terapêutica de três doenças crônicas e revela padrões distintos de fidelização, progressão e intensidade de cuidado 

 

O acompanhamento terapêutico de pacientes com doenças crônicas no Brasil está evoluindo, mas não no mesmo ritmo para todas as patologias. Dados consolidados da plataforma da Memed, marca líder e pioneira em prescrição digital no país, mostram que, entre 2022 e 2025, o tratamento de Lúpus apresentou avanço consistente na fidelização, com redução de 20 pontos percentuais na taxa de abandono. No mesmo período, o tratamento do Alzheimer registrou melhora mais gradual e ainda mantém níveis elevados de descontinuidade ao longo da jornada do paciente.   

Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o volume de prescrições para Alzheimer cresceu 155% em decorrência dos novos médicos prescrevendo receitas digitais, o mesmo acontece aos cuidados relacionados ao Lúpus que registraram aumento de 455% em exames e 64,5% em medicamentos. Mais do que expansão de volume, os dados indicam avanço na adesão ao tratamento em ambiente digital, fator especialmente relevante em populações idosas, nas quais a não adesão em prescrições em papel pode ser até duas vezes maior, segundo estudo publicado na JAMA Dermatology (2017). A análise também aponta maior descentralização do cuidado, com o tratamento deixando de se concentrar apenas em centros especializados. A experiência positiva se reflete na adoção crescente da prescrição digital: novos profissionais já ingressam com padrão semelhante ao dos usuários mais experientes, indicando rápida incorporação dos protocolos na prática clínica. 

Segundo Fábio Tabalipa, Diretor Médico e Head de Dados da Memed, os números revelam que o país vive dois estágios distintos de maturidade no cuidado digital de doenças crônicas. “Os dados mostram que, no Lúpus, houve ganho real de continuidade e organização do cuidado, com maior previsibilidade no acompanhamento do paciente. No Alzheimer, apesar do crescimento expressivo das prescrições, ainda enfrentamos desafios na sustentação do tratamento ao longo do tempo. Isso revela que a maturidade digital avança de forma diferente entre as patologias e que estratégias específicas são fundamentais para ampliar a adesão, especialmente em contextos mais sensíveis”, afirma.  

É na jornada do paciente, porém, que a diferença entre as doenças se torna mais evidente. No tratamento do Lúpus, a taxa de abandono ou migração para papel caiu de 66,9% em 2022 para 46,4% em 2025. A adesão ideal ao tratamento, caracterizada pelo cumprimento regular do ciclo terapêutico dentro do intervalo recomendado de 90 dias, subiu de 7,1% para 12,1%. O percentual de novos pacientes na base anual também cresceu, passando de 19,6% para 29,4%, indicando renovação do acompanhamento. Quando considerados os pacientes em adesão ideal, parcial e retorno tardio, cerca de 24% permanecem ativos na plataforma, um patamar relevante para uma doença autoimune crônica que exige monitoramento contínuo.   

No acompanhamento do Alzheimer, a evolução ocorreu de forma mais gradual. A taxa de abandono caiu de 70,8% para 68,5%, enquanto a adesão ideal avançou de 6,0% para 7,7%. Apesar do crescimento do volume de prescrições, o nível de retenção permanece inferior ao observado no tratamento do Lúpus, cuja adesão ideal é quase o dobro da registrada na terapia de Alzheimer.   

“Parte dessa diferença está relacionada ao perfil dos pacientes. O Lúpus afeta majoritariamente adultos jovens, com maior familiaridade digital e maior engajamento com ciclos regulares de tratamento, especialmente com a hidroxicloroquina como terapia de base. O Alzheimer incide predominantemente sobre população idosa, frequentemente dependente de terceiros para gestão terapêutica, o que impacta diretamente a continuidade no ambiente digital, explica Tabalipa.  

A análise das especialidades indica mudança nas portas de entrada do cuidado. No Alzheimer e no Lúpus, a Medicina de Família ganhou espaço na triagem e na manutenção do tratamento, enquanto especialidades como Neurologia, Geriatria e Reumatologia seguem concentrando os casos mais complexos. Na Fibromialgia, o movimento chama ainda mais atenção: além do aumento da intensidade de prescrição, especialidades atípicas passaram a atuar no acompanhamento. A Pediatria registrou crescimento relevante nas prescrições, embora 0% dos pacientes sejam crianças, com predominância de mulheres entre 41 e 50 anos, sugerindo que médicos com vínculo familiar possam estar funcionando como porta de entrada relacional para o manejo da dor crônica. 

Se no tratamento do Lúpus o avanço está na fidelização e no acompanhamento do Alzheimer o principal desafio ainda é a retenção ao longo do tempo, na gestão terapêutica da Fibromialgia o movimento observado é distinto: há intensificação real do cuidado. Diferentemente das demais condições, houve aumento de 16% na taxa de prescrições por médico, indicando intensificação real do acompanhamento ao longo do período analisado. A condição também apresenta sazonalidade marcada, com picos entre julho e outubro, período de temperaturas mais baixas, quando se observa maior densidade de atendimento. Em 2025, pacientes entre 41 e 70 anos concentram 56,7% das prescrições, reforçando o impacto da dor crônica na população em fase produtiva e na terceira idade.  

“Quando analisamos Lúpus, Alzheimer e Fibromialgia em conjunto, o que vemos não é apenas volume de prescrição, mas padrões distintos de jornada. Cada doença exige estratégias próprias de retenção, monitoramento e coordenação do cuidado. Entender essas diferenças é essencial para melhorar os desfechos clínicos e eficiência do sistema”, finaliza Tabalipa.   



Memed
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Com 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, tecnologia integrada pode reduzir atrasos no diagnóstico

Falta de integração entre exames e histórico médico ainda atrasa o diagnóstico precoce, aponta especialista


O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O volume crescente reforça um dos principais desafios da oncologia no país: o diagnóstico tardio, que reduz as chances de cura, aumenta a mortalidade e eleva os custos do sistema de saúde.

Especialista da Pixeon, healthtech brasileira especializada em tecnologia para gestão e integração de dados em saúde, aponta que o problema não está apenas na oferta de exames, mas na fragmentação da jornada do paciente. Etapas como consulta inicial, realização de exames, emissão de laudos e encaminhamento ao especialista ainda operam, muitas vezes, de forma desconectada, o que pode gerar atrasos de semanas ou até meses para a definição clínica.

Para Iomani Engelmann, CEO da Pixeon, a falta de interoperabilidade entre sistemas é um dos principais entraves para o diagnóstico precoce. “Quando informações clínicas, laboratoriais e de imagem não conversam entre si, o processo fica mais lento e sujeito a falhas. Tecnologias integradas podem encurtar significativamente o tempo entre a realização do exame e a decisão médica. Em doenças como o câncer, esse ganho de tempo impacta diretamente o prognóstico do paciente”, afirma.

A detecção precoce depende, em muitos casos, da análise conjunta de diferentes fontes de informação. Exames de imagem são essenciais para identificar tumores em estágios iniciais, como nos casos de câncer de mama, pulmão e colorretal. Já exames laboratoriais podem revelar alterações bioquímicas antes mesmo do surgimento de sintomas, por meio de marcadores tumorais.

De acordo com o executivo, plataformas integradas permitem que equipes multidisciplinares tenham acesso rápido e unificado ao histórico do paciente, eliminando silos de informação e possibilitando análises mais completas ao longo do tempo. “Quando os dados são acompanhados de forma longitudinal, é possível identificar padrões e sinais precoces que poderiam passar despercebidos em sistemas isolados”, explica. Diante do aumento da incidência da doença, Engelmann avalia que a digitalização e a interoperabilidade deixam de ser um diferencial e passam a ter papel estratégico nas políticas de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce do câncer.

 

Pixeon


Levantamento inédito revela que 65,1% dos pacientes com neuroblastoma passam por diversos médicos até o diagnóstico

 Tratamento requer mudança de cidade em 76,8% dos casos e, em quase metade das famílias, a mãe abandona o emprego para cuidar do filho 

 

Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Vidas Raras, com apoio da farmacêutica Adium, entrevistou 46 famílias impactadas pelo neuroblastoma, um câncer raro e agressivo que afeta principalmente crianças de até 10 anos. O estudo evidencia os desafios do diagnóstico precoce, os fortes impactos emocionais e as profundas mudanças na rotina familiar provocadas pela doença.

A maioria (65,1%) das famílias precisou consultar diversos médicos até o diagnóstico, reflexo da dificuldade em reconhecer os sinais iniciais. Em 90,7% dos casos, o neuroblastoma foi classificado como de alto risco, exigindo tratamentos intensivos e prolongados. Embora a maioria dos diagnósticos tenha ocorrido em até um ano após o surgimento dos primeiros sintomas, quase metade das famílias relatou sentimentos de angústia, medo e desespero como principal impacto emocional após a confirmação da doença.

“O neuroblastoma ainda é pouco conhecido pela população e, muitas vezes, até por profissionais da atenção primária. Os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com doenças comuns da infância, o que contribui para atrasos no diagnóstico e aumenta o sofrimento das famílias”, afirma Rosely Maria, do Instituto Vidas Raras, responsável pela pesquisa. “Temos visto que o grande entrave tem sido a demora, tanto da descoberta quanto da obtenção das terapias adequadas. Nosso objetivo com esse levantamento é dar visibilidade à jornada dessas famílias e reforçar a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento especializado.”

O estudo também aponta consequências significativas na vida social e econômica: 76,8% das famílias precisaram se deslocar para outras cidades em busca de tratamento — em quase metade dos casos, a mãe abandonou o emprego; e 60,5% das crianças interromperam os estudos. Apesar de 67,4% das famílias possuírem plano de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi a principal via de tratamento para 48,8% dos pacientes, reforçando a importância da rede pública no cuidado oncológico pediátrico.

O neuroblastoma é um câncer raro que se origina em células imaturas do sistema nervoso periférico, sendo o tumor sólido mais comum em bebês com menos de um ano de idade. Geralmente acomete as glândulas suprarrenais, acima dos rins, mas também pode surgir no abdome, tórax, pescoço, crânio ou coluna vertebral. Os sintomas costumam ser inespecíficos, como dor abdominal, febre e dor óssea, o que dificulta o diagnóstico precoce¹.

O tratamento varia conforme o estadiamento e o risco da doença, podendo incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, transplante de células-tronco e imunoterapia. Nos casos de alto risco, abordagens terapêuticas mais avançadas são fundamentais para ampliar as chances de resposta e sobrevida¹.

“Nos casos classificados como alto risco, a rapidez na definição da estratégia terapêutica e o acesso a tratamentos inovadores podem fazer diferença significativa na evolução clínica”, explica Eduardo Issa, diretor Médico da Adium. “A incorporação de terapias imunológicas representa um avanço importante no cuidado dessas crianças, especialmente nas situações de doença refratária ou recidivada.”

Nesse contexto, a Adium disponibiliza no Brasil o Danyelza® (naxitamabe), um anticorpo monoclonal indicado para o tratamento de crianças com neuroblastoma de alto risco que apresentam doença refratária ou recidivada na medula óssea ou nos ossos². O imunoterápico atua como suporte ao sistema imunológico para reconhecer e destruir as células tumorais e representa um avanço relevante no cuidado de pacientes com formas mais agressivas da doença².

“O levantamento do Instituto Vidas Raras reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o neuroblastoma, qualificar a atenção primária para o reconhecimento precoce dos sinais e fortalecer políticas públicas que garantam acesso ao diagnóstico, ao tratamento especializado e ao suporte integral às famílias”, afirma Taís Ramadan, diretora da Adium.

 


Adium
Mais informações em Link


Instituto Vidas Raras
Saiba mais em vidasraras.org.br. 

 

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: Link
  2. Danyelza. Bula. Disponível em: Link

 

Consultor da HOYA Vision Care destaca comportamentos importantes de problemas visuais na infância que merecem a atenção dos pais

 

Freepik

Problemas de visão na infância podem surgir de forma silenciosa e se manifestar por comportamentos como aproximar-se demais de livros e telas, ter dores de cabeça frequentes, fechar um olho para enxergar melhor ou apresentar desalinhamento ocular. Por isso, a atenção da família e da escola é essencial. A identificação precoce e as consultas oftalmológicas regulares são fundamentais para preservar o desenvolvimento ocular e garantir um bom desempenho escolar.

“No início, grande parte das alterações oculares não é percebida pela própria criança, que nem sempre consegue expressar o que está sentindo. Por isso, observar hábitos e comportamentos é tão importante quanto manter as consultas de rotina”, explica Celso Cunha (CRM‑MT 2934), oftalmologista e consultor da HOYA Vision Care, multinacional japonesa referência global em soluções ópticas de alta tecnologia.

Para ajudar pais e tutores a reconhecer sinais de alerta, o especialista lista dez comportamentos que podem indicar a necessidade de avaliação oftalmológica.


10 sinais que demandam atenção dos pais e tutores

  1. Ficar muito perto de telas ou livros pode indicar dificuldade para enxergar de longe, além de acelerar a progressão da miopia.
  2. Apertar os olhos ou não enxergar bem a lousa sinaliza problema de visão à distância.
  3. Dores de cabeça após leitura ou uso prolongado de telas podem indicar esforço visual excessivo.
  4. Olhos desalinhados, mesmo ocasionalmente, exigem avaliação para prevenir ambliopia, que é a redução da acuidade visual em um ou ambos os olhos.
  5. Esfregar os olhos frequentemente, sem motivo aparente, pode indicar alergia ocular, fadiga ocular ou desconforto visual.
  6. Evitar quebra-cabeças, desenhos ou atividades que exigem foco pode indicar dificuldade para ver detalhes.
  7. Inclinar a cabeça ou fechar um olho para enxergar sugere diferença entre os olhos ou desalinhamento.
  8. Tropeçar, errar objetos ou ter dificuldade em jogos de bola pode indicar problemas na visão binocular.
  9. Excesso de sensibilidade à luz, especialmente quando recorrente, deve ser investigado.
  10. Relatos de visão embaçada ou dupla interferem no aprendizado e precisam de avaliação oftalmológica.

A saúde ocular infantil vai muito além de identificar se a criança “enxerga bem”. “Cuidar da visão desde cedo é essencial para o bem-estar integral e o desenvolvimento adequado. Pequenos comportamentos do cotidiano podem ser os primeiros sinais de alterações visuais que, quando diagnosticadas precocemente, têm altas chances de correção e controle da progressão”, destaca consultor da HOYA Vision Care.

Por isso, diante de qualquer dúvida ou mudança de comportamento, a avaliação oftalmológica deve ser priorizada para garantir que a criança tenha plenas condições de aprender, brincar e se desenvolver de forma saudável. “Ter o diagnóstico precoce evita a progressão do distúrbio ocular e permite indicar o tratamento mais adequado para cada caso, promovendo assim o bem-estar infantil”, conclui o especialista.

 

Reprodução assistida avança em sustentabilidade e reduz desperdícios, riscos e intervenções desnecessárias

Medicina reprodutiva amplia conceito de sustentabilidade ao unir eficiência clínica, segurança do paciente e uso responsável das tecnologias

 

A sustentabilidade na saúde tem ganhado um novo significado dentro da medicina reprodutiva. Mais do que reduzir impactos ambientais, clínicas e especialistas vêm adotando práticas que priorizam eficiência, segurança e responsabilidade no uso das Tecnologias de Reprodução Assistida (TRAs), com impacto direto na experiência do paciente e na qualidade dos resultados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 em cada 6 pessoas no mundo enfrenta infertilidade. Diante desse cenário, tornar os tratamentos mais eficientes e sustentáveis é também uma estratégia de responsabilidade em saúde pública.

Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o conceito de sustentabilidade na reprodução assistida envolve reduzir desperdícios de insumos e recursos biológicos, evitar intervenções desnecessárias e minimizar riscos clínicos, sem comprometer as taxas de sucesso.

Para a Dra. Melissa Cavagnoli, especialista em Reprodução Assistida, diretora da Clínica Hope e representante da Comissão Regional Sudeste da SBRA, a mudança começa na individualização dos protocolos:

“Hoje trabalhamos com o conceito one and done: em um único ciclo de estimulação ovariana, seja para Fertilização in Vitro ou congelamento de óvulos, buscamos o melhor resultado possível em número de óvulos coletados, embriões formados e taxas de gravidez e nascidos vivos. Protocolos personalizados evitam hiperestimulação ovariana, reduzem falhas e diminuem a necessidade de repetir ciclos”, afirma.

Na prática, isso significa menos uso de medicação, menos deslocamentos às clínicas e menor desgaste físico e emocional para o paciente. Ao reduzir ciclos repetidos, também há menor consumo de insumos laboratoriais e energia, ampliando o impacto positivo do tratamento.

Os avanços tecnológicos reforçam esse movimento. Sistemas de monitoramento embrionário contínuo (time-lapse), incubadoras com controle preciso de gases e temperatura, sistemas fechados de manipulação e técnicas mais eficientes de vitrificação aumentam a segurança dos procedimentos e reduzem perdas embrionárias e retrabalho. “Quando temos mais eficiência laboratorial, reduzimos desperdícios e elevamos a segurança”, destaca a médica.

A sustentabilidade também se estende à gestão das clínicas. A digitalização de prontuários e prescrições médicas diminui o uso de papel, enquanto equipamentos energeticamente mais eficientes e melhorias no descarte de resíduos biológicos tornam os processos mais responsáveis.

Para a SBRA, incorporar a sustentabilidade como diretriz científica é estratégico. A entidade atua na criação de boas práticas, capacitação profissional e incentivo à adoção de indicadores de eficiência clínica e ambiental. “Responsabilidade ambiental e excelência assistencial caminham juntas. Sustentabilidade, na reprodução assistida, é oferecer cuidado ético, eficiente e seguro, utilizando melhor os recursos disponíveis”, conclui Dra. Melissa.

Em um cenário de aumento da demanda por tratamentos de fertilidade, discutir sustentabilidade nas TRAs é também discutir qualidade assistencial, racionalidade no uso de tecnologias e compromisso com o futuro da saúde.

  

Associação Brasileira de Reprodução Assistida - SBRA


Obesidade e risco cardiovascular: quatro das seis principais causas de morte no Brasil estão ligadas ao sobrepeso

AVC, infarto, hipertensão e diabetes são impulsionados pelo desequilíbrio orgânico causado pelo excesso de peso. Cardiologistas do InCor (HCFMUSP) detalham como a doença compromete o metabolismo e sobrecarrega o coração.


A obesidade é reconhecida como doença crônica e fator de risco independente para o sistema circulatório. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes o Brasil, vitimando cerca de 400 mil pessoas anualmente. Entre as seis maiores causas de morte no país, quatro estão intrinsecamente ligadas ao excesso de peso: infarto, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e hipertensão.

Essa correlação é reforçada por levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo estudo Global Burden of Disease (GBD), que apontam que, quase 10% das mortes por doenças do coração, hoje têm como causa direta as complicações metabólicas geradas pela obesidade. O cenário alerta para a necessidade urgente de encarar o controle do peso como uma das principais estratégias de prevenção de saúde.

O excesso de peso, ou seja, o sobrepeso ou obesidade envolve uma inflamação crônica que pode provocar alterações estruturais e funcionais no organismo. “O acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, desencadeia um processo inflamatório que pode causar a formação de placas nas artérias. Esse processo impacta diretamente o coração e todo o sistema cardiovascular”, explica a cardiologista Viviane Giraldez.

Por isso, no Dia Mundial da Obesidade (4 de março), especialistas do Instituto do Coração (InCor) alertam: as mortes por doenças cardiovasculares associadas ao índice de massa corporal (IMC) elevado mais que dobraram em três décadas, alcançando 1,9 milhão ao ano - patamar mantido entre 2021 e 2025, de acordo com dados da World Obesity Federation. Quando somado a outras doenças, está associado a 3,7 milhões de mortes por ano.

A médica ressalta que a gordura visceral — aquela que se concentra no abdome e envolve os órgãos — é a mais perigosa. “Esse acúmulo de gordura atrapalha o funcionamento da insulina e faz com que o fígado produza e libere mais gordura no sangue. O resultado é um perfil lipídico (exame que mede as gorduras no sangue) muito mais agressivo”, explica.

Segundo ela, essa condição cria uma combinação perigosa: o aumento dos triglicérides e uma mudança do LDL (o colesterol 'ruim', que fica menor e mais denso), ao mesmo tempo em que o HDL (o colesterol 'bom') diminui. Juntos, esses fatores facilitam a obstrução dos vasos sanguíneos, aumentando drasticamente o risco de infartos e derrames.

Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor, explica que cresce a presença de pacientes jovens com comprometimento coronariano ligado à obesidade e descontrole metabólico — um reflexo direto das mudanças no estilo de vida. Se a tendência persistir, estimativas indicam que, até 2050, quase dois terços da população adulta mundial estarão acima do peso, ampliando ainda mais o impacto cardiovascular. “Alimentação balanceada, prática regular de exercícios e acompanhamento médico seguem como pilares essenciais para conter essa progressão.”

 

InCor


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