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domingo, 5 de julho de 2026

Cinco plantas inesperadamente perigosas que merecem atenção em jardins com pets e crianças


O projeto Jardim do Bicho, idealizado pela paisagista Simone Arthur Nascimento, elenca esses cinco riscos não tão óbvios para diversos tipos de jardins e indica substitutos menos nocivos:

 

1. Cycas revoluta

Identificação 

Nome científico: Cycas revoluta Thunb

Família: Cycadaceae

Nomes populares: cica, sagu-de-jardim, palmeira-sagu.

Uso ornamental: planta escultural muito normalizada em jardins residenciais, condomínios, entradas de edifícios e áreas externas.


Por que é perigosa?

Embora seja relativamente conhecida em bases veterinárias, para o público leigo ainda costuma ser percebida apenas como uma planta ornamental resistente, parecida com uma pequena palmeira – mas não é exatamente inofensiva.

 

Parte mais preocupante:

Sementes, especialmente pela concentração de substâncias tóxicas e pela possibilidade de ingestão por cães. Folhas e demais partes também não devem ser consideradas seguras.


Efeitos nocivos:

A planta contém substâncias capazes de provocar lesão grave no fígado e também compostos relacionados a efeitos sobre o sistema nervoso. O maior risco está nas sementes, mas folhas e outras partes da planta também podem ser perigosas.


Risco principal

Risco de intoxicação grave, com possibilidade de:

  • lesão no fígado;
  • falência hepática;
  • alteração na coagulação, com risco de sangramentos;
  • sinais neurológicos;
  • risco de morte. 

Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • vômitos;
  • diarreia;
  • dor abdominal;
  • apatia;
  • fraqueza;
  • pele ou olhos amarelados;
  • sangramentos;
  • tremores;
  • convulsões;
  • piora rápida do estado geral. 


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Potencialmente fatal.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Agave attenuata, quando o objetivo for efeito escultural em área ensolarada, sempre avaliando insolação, porte, circulação e risco mecânico.


2. Cyclamen hederifolium

Identificação

Nome científico: Cyclamen hederifolium Aiton

Família: Primulaceae

Nome popular: ciclame

Uso ornamental: planta  valorizada pelas flores, comum em vasos e canteiros. 

 

Por que é perigosa?

O ciclame é frequentemente lembrado pela flor, mas o ponto mais importante para segurança em jardins é o tubérculo, que fica escondido no solo. Isso é bastante relevante porque cães podem escavar vasos e canteiros.


Parte mais preocupante:

Tubérculo. Folhas e flores também podem causar irritação, mas a maior preocupação toxicológica está na estrutura subterrânea, já que o tubérculo concentra substâncias que podem irritar a boca, o estômago e o intestino. Em ingestões maiores, o quadro pode ser mais grave.


Risco principal

Irritação da boca e do trato digestivo, com possibilidade de sinais mais importantes em ingestões maiores, especialmente do tubérculo.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • salivação;
  • irritação na boca;
  • enjoo;
  • vômito;
  • dor abdominal;
  • diarreia;
  • diarreia intensa ou com sangue em ingestões maiores;
  • fraqueza;
  • alteração do estado geral;
  • em situações graves, tremores, convulsões ou alterações cardíacas.


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso, especialmente para cães, pela possibilidade de escavação e ingestão do tubérculo.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Substituir por Begonia semperflorens ou Impatiens walleriana, conforme luminosidade do local. A begônia funciona melhor como substituição ornamental compacta para vasos e bordaduras; a impatiens é interessante para meia-sombra e canteiros floridos. A escolha deve considerar insolação, umidade, manutenção e acesso dos animais ao vaso ou canteiro.


3. Brunfelsia uniflora

Identificação

Nome científico: Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don

Família: Solanaceae

Nomes populares: manacá-de-cheiro, manacá-de-jardim, ontem-hoje-e-amanhã

Uso ornamental: arbusto ornamental de floração atrativa, bela e perfume marcante

Por que é perigosa?

É uma planta bonita, perfumada e bastante ornamental, mas com potencial toxicológico menos conhecido pelo público. Merece atenção especial por poder provocar sinais relacionados ao sistema nervoso após ingestão. A planta contém diferentes substâncias bioativas. Estudos indicam que frações obtidas das folhas podem provocar sinais neurológicos em animais de laboratório, como tremores e convulsões.

 

Partes de interesse

  • folhas;
  • flores;
  • partes aéreas em geral;
  • raízes, em estudos químicos da planta.

Risco principal

Risco de irritação gastrointestinal e sinais neurológicos.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • enjoo;
  • vômito;
  • diarreia;
  • agitação;
  • ansiedade;
  • tremores;
  • andar cambaleante;
  • perda de coordenação;
  • sensibilidade exagerada a estímulos;
  • movimentos involuntários dos olhos;
  • urinar em excesso;
  • convulsões.


Classificação de perigo sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso, especialmente pelo potencial de sinais neurológicos.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir o manacá-de-cheiro (Brunfelsia uniflora), pode-se utilizar a camélia (Camellia japonica), arbusto ornamental de porte médio, floração vistosa e boa presença paisagística. A escolha é interessante quando se busca manter o efeito de arbusto florido, mas com menor preocupação toxicológica conhecida em comparação à Brunfelsia. Deve-se apenas observar que a camélia prefere meia-sombra, solo levemente ácido, boa drenagem e manutenção compatível com seu desenvolvimento.


4. Allamanda cathartica



Identificação

Nome científico: Allamanda cathartica L.

Família: Apocynaceae.

Nomes populares: alamanda, alamanda-amarela.

Uso ornamental: trepadeira ou arbusto comum em jardins tropicais, cercas, muros e pérgolas.


Por que é perigosa?

A alamanda é muito comum e visualmente associada a jardins tropicais. Apesar disso, não costuma ser lembrada pelo público como planta de risco. O próprio nome científico, “cathartica”, remete ao efeito purgativo. A planta também libera seiva ou látex quando folhas e ramos são rompidos, o que pode causar irritação por contato.


Partes de interesse

  • folhas;
  • flores;
  • ramos;
  • seiva/látex;
  • sementes, conforme estudos químicos da planta.


Risco principal

Irritação gastrointestinal, efeito purgativo e possível irritação por contato com seiva ou látex, quando folhas e ramos são rompidos, o que pode causar irritação por contato.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • irritação na boca;
  • enjoo;
  • cólicas;
  • vômito;
  • diarreia;
  • desidratação;
  • irritação na pele;
  • irritação nos olhos ou mucosas após contato com a seiva;
  • desconforto após mastigação de folhas, flores ou ramos.


Classificação sugerida pelo Jardim do Bicho:

Moderado para crianças; intenso para cães e gatos, especialmente pela possibilidade de mastigação de folhas, flores ou ramos.

  

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir a alamanda (Allamanda cathartica), pode-se utilizar a Thunbergia alata, conhecida como amarelinha ou suzana-dos-olhos-negros. É uma trepadeira ornamental de floração abundante, boa adaptação ao sol pleno ou meia-sombra clara e uso adequado em cercas, treliças, pérgolas leves e vasos com suporte. A escolha é interessante quando se busca manter o efeito de planta florida e conduzida verticalmente, mas com menor preocupação toxicológica conhecida em comparação à alamanda.



5. Lantana camara

Identificação

Nome científico: Lantana camara L.

Família: Verbenaceae.

Nomes populares: lantana, cambará, chumbinho.


Uso ornamental: muito usada em canteiros, bordaduras, jardins ensolarados e áreas de baixa manutenção; também atrai polinizadores. É um bom exemplo de planta paisagística aparentemente “inocente”, por ser rústica e florida, mas que merece cuidado quando folhas e frutos ficam acessíveis.

 

Por que é perigosa?

É uma planta rústica, colorida e comum no paisagismo, mas muitas pessoas não associam a espécie a risco toxicológico. O problema é mais relevante em ambientes onde crianças pequenas ou animais possam ingerir folhas ou frutos.


Partes mais preocupantes

  • folhas;
  • frutos;
  • partes aéreas.

 

Risco principal

Risco de lesão hepática, especialmente em ingestões relevantes de folhas ou frutos.


Sinais possíveis em cães, gatos ou crianças

  • vômito;
  • diarreia;
  • dor abdominal;
  • apatia;
  • perda de apetite;
  • fraqueza;
  • pele ou olhos amarelados;
  • alterações no fígado;
  • piora progressiva do estado geral.


Classificação de risco sugerida pelo Jardim do Bicho:

Intenso.

 

Substituição com menor potencial tóxico:

Para substituir a lantana (Lantana camara), pode-se utilizar a pentas (Pentas lanceolata), planta ornamental de floração abundante, com boa adaptação ao sol pleno e muito atrativa para polinizadores.

É importante frisar que essas plantas não foram selecionadas porque são necessariamente “as cinco mais tóxicas”, mas porque representam um grupo de espécies ornamentais que podem passar despercebidas em listas genéricas e, ainda assim, oferecer riscos relevantes em jardins com pets e crianças.


Fatores que aumentam o risco

  • presença de sementes, frutos ou tubérculos acessíveis;
  • cães com hábito de mastigar plantas;
  • cães que escavam canteiros ou vasos;
  • filhotes e animais curiosos;
  • crianças pequenas;
  • áreas de uso coletivo;
  • plantas em vasos baixos;
  • plantas próximas a playgrounds, pet places, escolas e áreas de circulação.


Orientação geral em caso de acidente

  • não induzir vômito sem orientação profissional;
  • não oferecer leite, óleo, água com sal ou receitas caseiras;
  • retirar restos vegetais da boca apenas se for seguro;
  • em caso de contato com seiva irritante, lavar a área com água em abundância;
  • fotografar a planta;
  • guardar amostra de folha, flor, fruto ou semente, se possível;
  • procurar atendimento veterinário ou médico imediatamente;
  • informar horário aproximado e quantidade estimada ingerida. 

O Jardim do Bicho defende que um jardim seguro não precisa ser um jardim sem plantas. O ponto é escolher espécies com critério, considerando beleza, função paisagística, manutenção, toxicidade, presença de pets e crianças, comportamento dos animais e acesso às partes perigosas da planta.

 


Simone Arthur - Paisagista, pesquisadora independente e advogada. Sócia da DSN Paisagismo e Consultoria, dedica-se ao estudo da toxicidade de plantas ornamentais e à produção de conteúdo técnico acessível. É a idealizadora do projeto autoral Jardim do Bicho, focado em critérios de segurança para ambientes com animais e crianças.


Pesquisa inédita da Royal Canin revela que 50% dos brasileiros evitam falar sobre o envelhecimento de seus pets

Divulgação/
OYAL CANIN®
Estudo mostra que responsáveis adiam cuidados preventivos relacionados à longevidade saudável de gatos e cães; pets adotados na pandemia começam a chegar à meia-idade

 

Uma pesquisa recente com 1.000 responsáveis por gatos e cães no Brasil, encomendada pela Royal Canin e conduzida pela Censuswide, revelou que o envelhecimento dos pets ainda é um tema sensível para muitos. O estudo aponta que essa percepção pode impactar a forma como os responsáveis encaram os cuidados e o acompanhamento da saúde dos animais ao longo da vida. 

Essa dificuldade em lidar com o tema está fortemente ligada a questões emocionais. Entre os tutores que preferem não abordar o assunto, 67% afirmam que pensar nisso causa muita tristeza, enquanto 38,7% dizem evitar enxergar o animal como idoso por considerá-lo parte da família. A preocupação com o futuro também é latente: 63% dos entrevistados temem não conseguir dar o suporte necessário ao pet à medida que ele fica mais velho, enquanto 32% acreditam erroneamente que não há nada que possa ser feito para lidar com o avanço da idade animal. 

Embora o envelhecimento seja um processo natural e inevitável, muitos acreditam que o tema não exige conversas com o médico-veterinário. Essa barreira emocional impacta diretamente os cuidados: mais de um terço dos participantes (34,3%) admite só pensar no assunto quando surgem problemas de saúde, e 35,2% afirmam não adotar medidas preventivas porque o animal aparenta estar bem e não apresenta sinais visíveis. 

Entre os sinais físicos mais associados ao envelhecimento na percepção dos tutores estão a redução do ritmo nos passeios, o aparecimento de pelos brancos, a perda auditiva e alterações na visão. No entanto, especialistas alertam que essas manifestações costumam surgir apenas em fases mais avançadas. A discussão sobre o tema nunca foi tão urgente: muitos animais acolhidos durante a pandemia de COVID-19 estão chegando exatamente agora na metade da vida. Pesquisas científicas recentes, desenvolvidas com o apoio do Royal Canin Research Center¹, apontam que este período — geralmente entre 6 e 8 anos para gatos e entre 5 e 7 anos para cães — é uma janela crítica para a saúde a longo prazo, onde alterações fisiológicas sutis, como mudanças no metabolismo, na composição corporal, na função cognitiva e na mobilidade, começam a ocorrer de forma silenciosa. 

Embora 61,2% dos tutores afirmem levar seus pets para check-ups regulares e 38,5% procurem atendimento quando percebem mudanças de comportamento, 25% apontam os altos custos veterinários como um obstáculo para agir precocemente. Como muitos associam a velhice apenas ao surgimento de alterações perceptíveis, perde-se a oportunidade de discutir medidas preventivas na fase em que elas geram maior impacto. 

"O envelhecimento de nossos pets começa antes do que muitos de nós imaginamos, frequentemente durante a metade da vida, quando gatos e cães ainda parecem perfeitamente saudáveis e cheios de energia. Como Médicos-Veterinários e também como responsáveis por eles, sabemos como é fácil focar no presente quando os animais estão bem e o quanto pensar neles chegando à maturidade pode ser angustiante. No entanto, iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde", afirma Priscila Rizelo, Médica-Veterinária e Gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil. 

É nesse contexto que ganha relevância o conceito de longevidade saudável, amplamente discutido pela ciência veterinária atual. A proposta representa uma mudança de paradigma: em vez de focar apenas na expectativa de vida, o objetivo passa a ser ampliar o período vivido com saúde, antes do surgimento de doenças crônicas ou declínio funcional. A forma como os pets passam por essa etapa pode ser influenciada por fatores como nutrição adequada, controle de peso, atividade física, acompanhamento veterinário regular e intervenções precoces. 

Ainda assim, as preocupações continuam concentradas nas consequências e não na prevenção. O câncer é apontado como o maior temor (42,5%), seguido por problemas de mobilidade e articulações (28,9%) e doenças renais (11,3%). Para os especialistas, isso reforça a importância de promover o envelhecimento saudável desde a meia-idade, em vez de apenas esperar que essas condições se manifestem. 

A percepção dos brasileiros já avança para essa mudança: questionados sobre o que tem maior impacto na qualidade de vida dos pets na maturidade, 35,2% apontam a nutrição específica e 34,1% destacam os check-ups regulares. Além disso, 46,6% destacam a compreensão do processo de envelhecimento. Eles também estão dispostos a promover adaptações na rotina da família (33%) para oferecer melhor cuidado aos pets, incluindo levá-los com maior frequência em suas atividades (51,7%), reduzir o tempo dedicado ao lazer fora de casa (39,9%), passar as férias em casa (25,2%), cancelar viagens (15,5%) e até considerar uma mudança de residência para atender às necessidades do animal (27,9%). 

O levantamento revela o quanto o vínculo afetivo influencia as prioridades. Mais da metade dos responsáveis celebra os marcos de idade dos animais todos os anos (50,4%), e 77,7% compram presentes nessas ocasiões, com gasto médio de R$ 178,93. A relação é tão próxima que 57,5% os enxergam como um filho ou irmão e 36% afirmam gastar mais com presentes para os pets do que para os próprios parceiros e outros membros da família. 

"À medida que uma grande geração dos chamados 'pets da pandemia' chega à meia-idade, temos uma oportunidade única de mudar a forma como encaramos o envelhecimento. Ele não deve ser visto como o início dos problemas, mas como um convite para agir de forma preventiva. Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde dos nossos pets, maiores são as chances de proporcionar mais anos de vida com qualidade. Esse é o verdadeiro significado da longevidade saudável”, conclui Priscila. 

Para mais informações sobre a ROYAL CANIN®, visite o site da empresa.

 

¹Moniot, D., Allaway, D., Bermingham, E., Dowgray, N., Gruen, M., Hoummady, S., McKenzie, B., Olby, N.J., & Schoeman, T. Aging is modifiable: current perspectives on healthy aging in companion dogs and cats. Royal Canin Research Center et al. 

 

Sobre a pesquisa

A pesquisa geral foi conduzida pela Censuswide, com uma amostra global de 19.012 responsáveis por gatos e cães no Reino Unido, EUA, Austrália, Canadá, Índia, México, China, Coreia do Sul, Tailândia, França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Brasil, Japão, Hong Kong e Taiwan. No Brasil, conforme informações trazidas acima, foram entrevistados 1.000 tutores de gatos e cães de diferentes regiões do país. Os dados foram coletados entre 17 e 24 de março de 2026. A Censuswide é membro da Market Research Society (MRS) e do British Polling Council (BPC), e signatária do Global Data Quality Pledge, aderindo ao Código de Conduta da MRS e aos princípios ESOMAR.

 

ROYAL CANIN®


Frio exige cuidado especial com os pets

Magnific
Queda nas temperaturas exige atenção com saúde e bem-estar dos animais de estimação; especialista orienta adaptação da rotina


A chegada do inverno exige atenção redobrada com os pets para garantir o bem-estar e a saúde de cães e gatos, que são as espécies mais comuns nos lares brasileiros. Assim como os humanos, os animais de estimação sentem frio e ficam mais propensos a desenvolver doenças respiratórias e dores articulares.

 

“Esses cuidados são ainda mais essenciais com os filhotes, os idosos, aqueles de pequeno porte ou com pelagem curta, pois eles pertencem ao grupo mais sensível e vulnerável ao clima gelado”, explica a médica veterinária da Clínica Veterinária do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Mariane Cynara da Silva.

 

Segundo a especialista, a primeira providência deve focar no ambiente onde o animal descansa. O ideal é manter os companheiros em locais protegidos do vento, da chuva e da umidade. Para os que aceitam o uso de roupinhas, o vestuário pode ser um forte aliado, desde que seja confortável e não limite os movimentos biológicos do pet.

Para ajudar os tutores a cuidarem de seus amigos de quatro patas durante o inverno, a médica veterinária elaborou um roteiro com diversas recomendações:

Médica veterinária alerta que os pets precisam de
 cuidados especiais durante o inverno
Magnific

1) Proteção térmica e abrigo adequado

Roupas e cobertores: Cães de pelagem curta, filhotes, idosos e felinos sem pelo se beneficiam muito de roupinhas. Certifique-se de que a vestimenta está confortável e limpa. Deixe cobertores disponíveis na caminha para que eles possam se aninhar e preservar o calor.

 

Isolamento do chão: Evite deixar a caminha diretamente em contato com o piso frio. Use estrados de plástico, paletes ou um tapete grosso por baixo, mantendo o local longe de correntes de ar ou umidade.

 

Abrigo do vento: Se o pet fica no quintal, ele precisa obrigatoriamente de uma casinha coberta, protegida da chuva e do vento encanado. Em noites de frio extremo, o ideal é recolhê-lo para uma área interna.

 

2) Cuidados com a saúde e prevenção de doenças

Doenças respiratórias: No inverno, a imunidade pode baixar. Fique atento à Gripe Canina (Tosse dos Canis) e ao Complexo Respiratório Felino (Rinotraqueíte). Ambas as condições causam espirros, secreção e tosse. Manter o protocolo de vacinação anual atualizado é a melhor prevenção.

 

Atenção extra aos idosos: O clima gelado intensifica os desconfortos nas articulações de animais mais velhos que sofrem com artrose ou problemas de coluna, já que a musculatura se contrai e as juntas ficam mais rígidas. Caso note dificuldade para levantar, caminhar ou subir degraus, o médico-veterinário deve ser consultado.

 

Banhos reduzidos e monitorados: Diminua a frequência das lavagens nos dias mais frios. Quando forem necessárias, utilize água morna, higienize o animal em ambientes fechados e seque completamente os pelos com secador (com cuidado para não queimar a pele), evitando problemas dermatológicos por umidade acumulada.

 

Tosa consciente: Evite cortes muito curtos durante a estação. A pelagem funciona como um isolante térmico natural. Opte apenas pela tosa higiênica para preservar o comprimento dos fios.

 

Passeios em horários estratégicos: Não interrompa os exercícios físicos, que são fundamentais para a saúde mental e física dos cães, mas escolha os momentos mais quentes da tarde, evitando o sereno e o frio do início da manhã ou da noite.

 

Proteção da pele e patinhas: Os coxins (almofadinhas das patas) e a derme tendem a ressecar no inverno. Seque bem as extremidades após as caminhadas e utilize hidratantes específicos de uso veterinário, se notar rachaduras.

 

Uso de filtro solar: Mesmo no inverno, animais de pele e pelagem clara precisam de protetor solar próprio para pets em áreas com menos pelos, como focinho, orelhas e abdômen, prevenindo o câncer de pele.

 

3) Alimentação e hidratação equilibradas

Estímulo à hidratação: O tempo seco e o frio costumam diminuir a sede dos pets, o que eleva o risco de problemas urinários. Estimule o consumo espalhando mais potes de água pela casa, trocando o líquido com frequência e usando fontes para gatos. No caso dos felinos, oferecer alimentos úmidos (sachês) também ajuda muito.

 

Manutenção da dieta: Diferente de bichos que vivem estritamente no quintal e gastam mais energia para manter a temperatura corporal, os animais domésticos de interior não precisam de acréscimo calórico na ração, sob o risco de desenvolverem obesidade devido ao sedentarismo de inverno.

 

“Ao notar sinais como tremores contínuos, isolamento, apatia, postura encolhida ou sonolência excessiva, o tutor deve ficar atento. Em casos mais severos, esses sintomas podem indicar um quadro de hipotermia, que demanda atendimento veterinário especializado", enfatiza Mariane Cynara da Silva.

 

Ainda de acordo com a médica veterinária, pets exóticos como coelhos, hamsters e aves devem ser mantidos longe de correntes de ar. Peixes necessitam de aquecedor no aquário, enquanto répteis dependem de luz artificial para a regulação térmica.


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