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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Festas juninas exigem atenção redobrada com a segurança das crianças

 Especialistas em saúde alertam para riscos de queimaduras, inalação de fumaça e acidentes comuns no período

 

Fogueiras, brincadeiras e comidas típicas fazem parte da tradição das festas juninas e encantam crianças de todas as idades. No entanto, o período também exige atenção redobrada dos pais e responsáveis com a saúde dos pequenos, especialmente quanto aos riscos de queimaduras, um dos acidentes mais comuns nesta época do ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras. O contato com fogueiras, fogos de artifício, brasas, líquidos quentes e outros materiais inflamáveis pode causar lesões de diferentes gravidades, principalmente entre crianças menores, que nem sempre conseguem identificar situações de perigo.

“Durante as festas juninas, observamos um aumento nos atendimentos relacionados a queimaduras e outros acidentes que poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis supervisionem constantemente as crianças, especialmente em ambientes com fogueiras, fogos de artifício e outras fontes de calor. As queimaduras podem causar lesões graves, deixar sequelas e, em alguns casos, exigir tratamento prolongado. A orientação adequada sobre os riscos dessas atividades, aliada ao respeito às distâncias de segurança e ao uso responsável dos artefatos juninos, é essencial para que as famílias possam aproveitar as comemorações com tranquilidade. A prevenção continua sendo a melhor forma de garantir que a festa termine apenas com boas lembranças”, explica Ana Maria melo, médica pediatra do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas.

Em caso de queimadura, a recomendação é agir rapidamente para reduzir o risco de agravamento da lesão. O local atingido deve ser resfriado imediatamente com água corrente fria por alguns minutos, além de evitar o uso de gelo, manteiga, pasta de dente ou qualquer produto, que possa piorar a situação. Também é importante não estourar bolhas nem remover tecidos grudados à pele. Após os primeiros cuidados, a orientação é procurar atendimento médico imediato, especialmente quando a queimadura atinge crianças, áreas extensas do corpo ou regiões sensíveis, como rosto, mãos e articulações, para avaliação adequada e tratamento seguro.

Além desses riscos, também é importante se manter em alerta para os impactos da exposição à fumaça das fogueiras na saúde respiratória das crianças.“A inalação constante pode irritar as vias aéreas e desencadear ou agravar quadros como asma, rinite e bronquite, levando a sintomas como tosse, chiado no peito e dificuldade para respirar. Crianças são mais sensíveis a esse tipo de exposição, por isso é importante evitar que permaneçam por longos períodos próximos às fogueiras ou em ambientes com muita fumaça”, reforça Andrei Augusto Cordeiro médico pneumologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas.



Oito dicas para aproveitar as festas garantindo a segurança de todos:

  1. Escolha um local aberto, longe de casas, árvores, veículos e redes elétricas.
  2. Limpe a área ao redor da fogueira, removendo materiais secos e inflamáveis.
  3. Mantenha água, areia ou extintor disponíveis para emergências.
  4. Acenda a fogueira apenas com materiais apropriados, sem usar gasolina, álcool ou outros líquidos inflamáveis.
  5. Mantenha as crianças sob supervisão constante e respeite uma distância segura das chamas.
  6. Nunca deixe a fogueira sem monitoramento e fique atento ao vento e às faíscas.
  7. Mantenha fogos de artifício afastados da fogueira e siga todas as orientações de segurança.
  8. Ao final da festa, apague completamente o fogo e certifique-se de que não restaram brasas acesas.
  9. O ideal é que as crianças não façam uso de fogos, bombinhas, balões. O estalinho, nessas festividades costumam ser um ótimo atrativo e que representam menos riscos à saúde, mas ainda assim, exigem o devido monitoramento.

 

Rede Américas

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS. Festas juninas: cuidado com as fogueiras e fogos de artifício. Disponível em: Link Acesso junho 2026
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde alerta para acidentes que causam queimaduras em festas juninas. Disponível em: Link Acesso: junho 2026

 

Inverno intenso exige atenção redobrada: pneumologista esclarece mitos e verdades sobre doenças da estação

Frio deve se intensificar em julho; professor da Universidade de Mogi das Cruzes explica como se precaver dos problemas respiratórios típicos da estação



O inverno começou oficialmente no Brasil no último dia 21 de junho. A previsão é de que a estação mais fria do ano se mostre intensa principalmente em julho, abrindo também a temporada de gripes e resfriados. A queda nas temperaturas traz consigo uma série de mitos e verdades relacionadas às doenças respiratórias, que são esclarecidas a seguir pelo pneumologista Gabriel Domingues dos Santos, professor de Pneumologia no curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

“O ar frio e seco que marca o inverno pode prejudicar o funcionamento normal das células que revestem as vias respiratórias, tornando mais lenta a eliminação de germes, poluentes e partículas inaladas. Isso favorece infecções respiratórias e pode contribuir para a piora de doe

nças crônicas, como a asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), sem deixar de citar a sazonalidade dos vírus respiratórios, como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que circulam com maior intensidade nessa época”, detalha Domingues, especialista em Pneumologia pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), titulado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia/Associação Médica Brasileira (SBPT/AMB) e mestre em Ciência e Tecnologia em Saúde.

De acordo com o pneumologista, muitos casos também acontecem relacionados ao comportamento inadequado nessa época do ano.

“A preocupação com a hidratação diminui, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados e os contatos ficam mais próximos, o que ajuda a proliferar o vírus. Também voltamos a usar roupas e cobertores guardados por longos períodos, acumulando poeira, ácaros e outros alérgenos, formando o ambiente propício para as doenças respiratórias como a rinite e a sinusite”.

Agora, tão circulante quanto os vírus respiratórios desse período são os mitos que o cercam. “Um dos maiores mitos é o de que a vacina causa gripe. Algumas pessoas podem apresentar efeitos adversos leves, como dor no local da aplicação, mal-estar ou febre baixa, mas esses sintomas costumam ser passageiros. A vacinação é extremamente importante porque reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações, especialmente para Influenza e Covi

d-19. Vacinas contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) também devem ser consideradas para os grupos com indicação”.

Outro mito bastante difundido é que ficar descalço no chão frio ou tomar vento gelado causa doenças respiratórias. “O que causa gripe são os vírus. Portanto, fatores como permanecer em ambientes fechados e aglomerados, não higienizar adequadamente as mãos, não se hidratar e não manter a vacinação em dia favorecem a transmissão das infecções respiratórias. Já andar descalço, tomar água gelada ou comer sorvete, não”.

Domingues destaca que a lavagem nasal com soro fisiológico é, de fato, uma medida simples e segura que auxilia na higiene das vias aéreas, na remoção de secreções e no controle dos sintomas respiratórios, assim como manter os ambientes ventilados, permitir a entrada de luz solar, utilizar capas antiácaro em colchões e travesseiros e realizar a limpeza adequada de casa.

A lavagem frequente das mãos e a prática regular de atividade física, além da garantia de um sono de qualidade também impactam positivamente. “Em relação aos umidificadores, vale alertar que quando não são higienizados corretamente, podem favorecer o acúmulo e a dispersão de fungos, poeira e ácaros”, alerta o especialista.

“Caso apresente sintomas respiratórios, considere o uso de máscara para reduzir a transmissão de infecções. Fique atento quando houver aumento importante da secreção respiratória associado à piora da falta de ar, aumento do esforço para respirar, febre persistente ou prostração, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares crônicas. Para quem tem doenças como asma, bronquite crônica ou enfisema é preciso redobrar a atenção ao uso correto das medicações nessa época do ano”, orienta Domingues.


Veja o que fazer (e o que evitar) em casos de queimaduras no período junino

Com a chegada do período junino, aumenta o número de ocorrências relacionadas a queimaduras provocadas por fogueiras, fogos de artifício e acidentes domésticos. Segundo a enfermeira Jayanne Carneiro, professora do curso de Enfermagem da Estácio, esse é um dos momentos em que as unidades de saúde registram maior demanda por atendimento de vítimas de lesões por queimaduras. 

“As queimaduras mais comuns nessa época são provocadas por fogueiras, fogos, líquidos superaquecidos e explosões com álcool ou materiais inflamáveis”, explica a profissional. Ela destaca que as regiões do corpo mais atingidas são mãos, braços, rosto e pernas. 

Em caso de acidente, o primeiro procedimento deve ser imediato. “A orientação é afastar a vítima da fonte de calor e resfriar a área afetada com água corrente por 10 a 20 minutos. Depois disso, é importante proteger a região com um pano limpo ou gaze”, explica. Jayanne orienta que práticas populares não devem ser adotadas. “Nunca use pasta de dente, manteiga, pó de café, óleo ou clara de ovo. Isso aumenta o risco de infecção. Também não se deve furar bolhas nem aplicar gelo diretamente na pele.”
 

Gravidade da queimadura 

A enfermeira também orienta sobre como identificar a gravidade da lesão. “Queimaduras leves causam vermelhidão e dor local. Já as graves apresentam bolhas grandes, pele esbranquiçada ou escurecida, perda de sensibilidade ou atingem áreas delicadas, como rosto, mãos, pés ou genitais.” 

Segundo Jayanne, que é docente do curso de Enfermagem da Estácio, qualquer sinal de comprometimento respiratório, choque, queimaduras elétricas ou químicas, além de vítimas crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas, exige atendimento imediato. “A demora no cuidado pode gerar complicações como infecções, desidratação, sequelas definitivas e até risco de infecção generalizada”, destaca.
 

Prevenção 

Jayanne reforça que boa parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples. “É fundamental manter distância segura das fogueiras e jamais usar álcool para acender o fogo. Os fogos de artifício devem ser manuseados por adultos, sempre seguindo as instruções de segurança”, alerta. 

As crianças são o grupo que exige maior atenção. “Elas são as mais vulneráveis. Não devem manusear fogos, nem mesmo os que parecem inofensivos. É importante que estejam sempre supervisionadas por um adulto e afastadas de qualquer fonte de calor”, afirma a enfermeira. 

A enfermeira reforça a importância da prevenção como melhor estratégia durante os festejos. “O São João é um momento de alegria, mas precisa ser celebrado com responsabilidade e cuidados simples salvam vidas.”




Estácio 

26 de junho: Dia Nacional do Diabetes

Desigualdades regionais aumentam riscos para quem tem diabetes 

Ao analisar estudos e levantamentos sobre o tema, Sociedade Brasileira de Diabetes faz um panorama do que ocorre em diversas regiões do país 

 

Apesar de o Brasil ter um sistema de saúde universal, o risco para quem tem diabetes depende de onde a pessoa nasce ou vive. Esta conclusão é resultado de análise de dados de diversos estudos e levantamentos oficiais feito pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). “A desigualdade é marcante, de acordo com os números encontrados”, explica dra. Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, Epidemiologia, Economia da Saúde e Advocacy da Sociedade Brasileira de Diabetes. Dr. João Salles, presidente da SBD, enfatiza que a luta da entidade é para reduzir cada vez mais essas diferenças. “Queremos que todos tenham acesso tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento”, explica. “Por isso, estamos empenhados em levar conhecimento aos profissionais da atenção primária à saúde em conjunto com o Ministério da Saúde.”

O número de mortes prematuras relacionadas ao diabetes, por exemplo, na faixa de 30 a 69 anos, é maior no Nordeste. Nesta região, são registradas 34,4 mortes por 100 mil habitantes. Já na região Sul o número cai para 20,4, o que evidencia as diferenças regionais. A maioria das mortes é causada por problemas cardiovasculares, um dos problemas causados pelo diabetes.

Ao analisar dados sobre amputações de dedos, pés e pernas causadas por complicações em razão do diabetes, os números também evidenciam essa disparidade. “No total, 42% das amputações no Brasil ocorrem na região Sudeste, refletindo a alta demanda e concentração de centros de referência”, explica dra. Bianca. A médica diz ainda que, de 2012 a 2021, o número de amputações cresceu 173% em Alagoas, 160% em Roraima e 146% no Ceará. “As amputações evidenciam iniquidades no acesso oportuno ao diagnóstico e seguimento do tratamento, especialmente em regiões com vazios assistenciais especializado e preventivo”, diz dra. Bianca.

De acordo com o levantamento, o acesso a exames diagnósticos e procedimentos especializados no SUS é marcado por uma forte concentração em polos urbanos desenvolvidos. “As populações fora dos centros metropolitanos enfrentam obstáculos persistentes, como as longas distâncias até unidades de referência, a escassez de serviços de saúde especializados, o atraso no diagnóstico e fragmentação do cuidado”, afirma dra. Bianca. “Tudo isso leva à menor continuidade e adesão ao tratamento.”

Acesso e adesão a medicamentos no diabetes (PNAUM - Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos 2016)

ACESSO TOTAL POR REGIÃO

Região

Acesso (%)

IC 95%

Norte

97,3

94,7 - 98,6

Nordeste

97,9

95,7-99,0

Sudeste

97,9

95,3-99,1

Sul

97,7

94,5-99,0

Centro-Oeste

97,3

94,9-98,5

 

ADESÃO POR REGIÃO

Região

Provável Adesão

Baixa Adesão

Norte

73,7

12,2

Nordeste

68,2

16,2

Sudeste

73,4

17,1

Sul

67,4

23

Centro-Oeste

65,8

11,1

 

Fatores de risco e proteção

As 5 cidades com maior e menor percentual de Obesidade e consumo de FVL (frutas, verduras e legumes) - Vigitel 2023

Maiores %

%

Menores

%

Macapá

30,4

Goiânia

17,7

Porto Alegre

28,3

São Luís

18,5

Fortaleza

27,7

Vitória

19

Cuiabá

27,2

Palmas

19

Campo Grande

27

Belo Horizonte

20,7

 

Consumo Recomendado (≥5 porções, 5 dias da semana)

Maiores

%

Menores

%

Florianópolis

27,5

Rio Branco

10,9

Belo Horizonte

26,8

Belém

12,6

Vitória

26,4

Salvador

13,3

São Paulo

25,7

Porto Velho

13,9

Curitiba

25,3

Fortaleza

15,1

 

Prevalência de diabetes nas capitais – Vigitel 2023

Maiores prevalências

Menores prevalências

Capital/DF

%

Capitais/DF

%

São Paulo

12,1

Rio Branco

5,6

Distrito Federal

12,1

São Luís

6

Porto Alegre

12

Porto Velho

6,6

Natal

11,8

Belém

6,9

Fortaleza

11,6

Boa Vista

6,9

 

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