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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Grupo Namakaca apresenta espetáculo que mostra a diversidade do circo no Dia das Crianças

 



Com técnicas de parada de mão, acrobacia, roda Cyr, arremesso de facas, malabarismo e palhaçaria, o espetáculo reúne oito artistas de quatro coletivos. A palavra Tertúlia, que significa reunião de amigos, foi escolhida para representar o espírito de coletividade e afeto presente na montagem lúdica para toda a família 

 

 

Explorando a criatividade e as possibilidades artísticas do circo, o Grupo Namakaca estreia Cabaré Tertúlia com a direção de Ronaldo Aguiar e roteiro de Natalia Presser. Ambos estão em cena também junto com Cintya Rodrigues, Du Circo, Ju Lazzari, Luciana Viacava, Luka Ianchity e Montanha Carvalho. Além de integrantes do Grupo Namakaca, a montagem também reúne artistas dos coletivos Cia do Polvo, Cia Casca de Noz e a dupla Lola & Charlito.

 

O espetáculo faz uma curta temporada a partir do Dia das Crianças no Teatro Arthur Azevedo  de 12 a 26 de outubro, na Mooca. Com entrada gratuita, as sessões são aos sábados e domingos às 16h. Em 25 de outubro, haverá uma sessão extra para escolas e público em geral, às 14h30. 

 

A peça é um cabaré, no qual dois palhaços chegam com duas malas como se fossem dois viajantes, e convidam os artistas a fazerem seus números. Eles não utilizam falas, usam o corpo de forma lúdica e cômica para interagir com os convidados que passeiam por técnicas como parada de mão, acrobacia, roda Cyr, arremesso de facas, malabarismo e palhaçaria. Cabaré Tertúlia nasceu das habilidades e afetividades artísticas dos participantes. A palavra "Tertúlia", que significa reunião de amigos, foi escolhida para representar o espírito de coletividade e afeto presente na montagem.

 

“O circo sempre foi um espaço de construção da diversidade em uma composição envolvendo palhaços, números acrobáticos e de malabares. O projeto caminha por essa ideia ao unir essas técnicas diferentes em um universo comum. O circo tem esse poder de acolher o que a arte produz, tudo cabe dentro da lona”, ressalta o diretor Ronaldo Aguiar. 

 

A dramaturgia juntamente com a direção, optou por um roteiro onde as transições são coreografadas e fluidas. “O espetáculo acontece de forma integrada, característica comum à linguagem do circense contemporânea. Os artistas são como personagens de uma cidade grande. Distintos, cada um representa seu universo de forma distinta e atemporal. O espetáculo é uma verdadeira Tertúlia! Poético, acrobático e divertido, esse trabalho simboliza uma reunião festiva e envolvente entre artistas que, por meio de suas performances, criam um espaço de celebração da arte circense com o público”, enfatiza Natalia Presser.

 

Cada número circense tem sua estética, a cenografia procurou convergir e criar um diálogo nessa paleta de cores para ter uma unidade. A plateia sempre fica atenta para esse colorido que se apresenta no picadeiro. O projeto foi uma iniciativa do Grupo Namakaca, que reuniu parceiros artísticos para uma apresentação especial no SESC Santo André. A proposta original visava criar um cabaré que destacasse o protagonismo feminino e equilibrasse as habilidades artísticas dos participantes.

 

“É uma reunião de profissionais, onde existe uma admiração mútua, mas é a primeira vez que criamos algo juntos. Ju Lazzari e Luka Ianchity arremessam facas; Luciana Viacava é uma palhaça maravilhosa; a dupla Lola & Charlito traz muita diversão; Cintya Rodrigues mostra uma introspecção com a parada de mão; Natalia Presser faz um número de Roda Cyr, que é bem diferente do que fazemos no Namakaca, porque eu e o Du trabalhamos com malabarismo e palhaçada. Todos esses encontros geram uma retroalimentação e nos potencializam, além de proporcionar um olhar mais feminino sobre o circo, sobre as artes, abrindo mais horizontes para a nossa cia”, conta Montanha Carvalho, integrante do Grupo Namakaca.

 

Ficha Técnica:

Roteiro e direção: Natalia Presser e Ronaldo Aguiar. Elenco: Cintya Rodrigues, Du Circo, Ju Lazzari, Luciana Viacava, Luka Ianchity, Montanha Carvalho, Natalia Presser e Ronaldo Aguiar. Direção de arte: Christiane Galvan. Cenotécnica: Christiane Galvan, Du Circo e Montanha Carvalho. Direção Técnica: Rodrigo Bella Dona. Designer gráfica: Mariana Carvalho. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Redes sociais: Ju Lazzari. Fotos: Georgia Branco. Produção executiva: Isadora Bellini. Coordenação de produção: Cristiani Zonzini. Produção: Grupo Namakaca. Coletivos da Tertúlia: Grupo Namakaca, Cia Casca de Noz, Cia do Polvo, Lolla & Charlito.

 


Serviço:

Cabaré Tertúlia

Classificação indicativa: Livre.

Duração: 60 minutos.

Teatro Arthur Azevedo

Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca

Temporada: de 12 a 26 de outubro - Sábados e domingos, às 16h.

Dia 25 de outubro (sexta-feira) – será sessão extra para escolas e público em geral, às 14:30.

 

Todas as apresentações são gratuitas e abertas ao público.

Este projeto é realizado através dos recursos da 8ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a Cidade de São Paulo.

 


Peça inédita de Tennessee Williams, Por que Desdêmona Amava o Mouro? estreia no Sesc Santo Amaro no dia 11 de outubro

Foto de Ronaldo Gutierrez 


Conto adaptado ao teatro por Tom Michell revela olhar contemporâneo ao discutir questões de gênero e raça. Espetáculo tem direção de Noemi Marinho e traz no elenco Alfredo Tambeiro, Camila dos Anjos, Luis Marcio Arnaut e Matilde Mateus Menezes

 


 

Com uma abordagem muito à frente de seu tempo para pautas como a misoginia, a homofobia e o racismo, o conto Por que Desdêmona Amava o Mouro?, do norte-americano Tennessee Williams (1911-1983), foi publicado apenas em 2019 graças ao professor, dramaturgo e diretor estadunidense Tom Mitchell, que também adaptou a obra para o teatro. Agora, o público brasileiro pode conferir a versão inédita da peça, com direção de Noemi Marinho, que tem sua temporada de estreia no Sesc Santo Amaro de 11 de outubro a 17 de novembro, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos e feriados, às 18h.

O texto tem tradução de David Medeiros e Luis Marcio Arnaut, que idealizou a montagem ao lado da atriz Camila dos Anjos, profunda pesquisadora da obra de Williams, e do ator Alfredo Tambeiro. Para completar o elenco, além dos três idealizadores, está a atriz Matilde Mateus Menezes.

Escrita provavelmente entre 1939 e 1943, a obra de Tennessee Williams está em vários rascunhos originais – a maior parte do texto tem o formato de um conto, no entanto, há partes trabalhadas em forma de roteiro para teatro e cinema. A obra teria sido abandonada pelo autor graças ao conselho de Audrey Wood, sua agente. 

O motivo seria a presença de três personagens impensáveis para a sociedade conservadora estadunidense em plena Segunda Guerra Mundial: um homem negro com alto status social, uma mulher branca apaixonada, porém independente e que luta por seu desejo, e o amigo homossexual dela que não tinha traços caricatos ou um final trágico.

Por que Desdêmona Amava o Mouro? narra o inusitado romance entre Helen. uma famosa e solitária atriz de Hollywood, reconhecida como símbolo sexual, e Kip, um jovem e talentoso roteirista. Ela, uma mulher que exerce sua liberdade sexual, precisa lutar contra seu próprio preconceito e é obrigada a assumir seu desejo e sua paixão por esse homem negro e bem-sucedido. A condição humana naquela sociedade preconceituosa e misógina está, portanto, acima das questões de gênero e raça, em uma peça cuja abordagem é absolutamente contemporânea.

Personagens inconcebíveis para a década de 1930

Por ser um homem negro com um cargo prestigiado de roteirista de Hollywood, Kip é uma figura absolutamente inconcebível para a época, visto que as pessoas negras sofriam embargos racistas pela sociedade de então de fazer parte de um grupo tão importante e seleto, reservado apenas para pessoas brancas. A personagem, portanto, é um ponto fora da curva e sua presença na peça revela a estranheza dos seus pares profissionais no trato humano com sua raça, os preconceitos sociais e a própria surpresa da personagem ao se perceber em um mundo estranho ao seu.

As contradições da sociedade são expostas como uma ferida aberta e Tennessee Williams a espreme, levando a questão racial a um nível que poderia chocar naquele momento histórico e, assustadoramente, até nos dias atuais. 

"É incrível imaginar que Tennessee Williams, um homem branco, nos anos 30, conseguiu imaginar e escrever com tanta elegância e sutileza, Kip. Esse homem negro de sucesso, que tem plena consciência da sua negritude, mas que não se deixa cair no glamour ilusório de Hollywood. Kip percebe que aquela parcela da sociedade branca, que ele se vê obrigado a conviver naquele momento, não o vê como ele realmente é e sim como mais um homem negro objetificado", comenta o ator Alfredo Tambeiro sobre seu personagem. 

Já a atriz Helen Jackson não só ultrapassa as barreiras das exigências étnicas, raciais, culturais e conservadoras de sua sociedade. Ela é retratada como uma mulher estadunidense típica do Sul, cheia de preconceitos, às voltas com uma paixão e uma atração sexual incontroláveis. A luta interior da mulher neste campo de batalha íntima é figurada com delicadeza e um pouco de humor, de forma a respeitar os limites tanto do negro quanto da mulher.

O que existe entre eles é arrebatador e, assim, o dramaturgo quebra as barreiras raciais e os preconceitos seculares com a força do amor, expondo apenas dois seres humanos comuns, tendo que lidar com seus próprios dilemas, suas próprias dificuldades em aceitar o que lhes acontece naquela sociedade nevrálgica, revelando que o problema é estrutural, está nas bases, na tradição, na educação, nos costumes. 

Williams a retrata como uma mulher que se permite viver essa atração sexual, uma paixão que pode destruir sua reputação, sua profissão e sua moral, segundo os ditames da época - que exigia das mulheres o recato, o silenciamento, subserviência e obediência, anulando sua sexualidade.

Por fim, o terceiro personagem da peça, também inconcebível naquele momento histórico, é Renaldo, o melhor amigo e confidente de Helen. Um homossexual aberto, com trejeitos efeminados, portanto com um comportamento que destoa das atitudes de um homem heterossexual cis, o que era proibido de ser abordado na época pelos códigos censores. 

Na verdade, o homossexual aparecia em algumas peças e em filmes hollywoodianos apenas como alívio cômico, com um comportamento estereotipado e preconceituoso que remetia a trejeitos efeminados. Williams faz esse retrato trágico-cômico, porém com tantas camadas que a personagem revela mais da sociedade e da história desses personagens naquele momento histórico do que a personalidade ou um aprofundamento psicológico de Renaldo.

Um dos pontos mais altos do texto é a forma como Tennessee Williams questiona o tão almejado “sonho americano”, desconstruindo a meritocracia e revelando as desigualdades enraizadas na sociedade estadunidense. “Ele frequentemente retrata personagens marginalizados, cujas vidas são marcadas pela luta, pela desilusão e pela falta de oportunidades. Ao invés de romantizar a ascensão social, expõe as estruturas de poder que perpetuam a desigualdade, questionando a noção de igualdade de oportunidades de brancos e negros na sociedade americana”, comenta Camila dos Anjos, que pode ser considerada uma das atrizes que mais atuaram em obras do autor norte-americano.

“O que mais me chama atenção é a sua contemporaneidade: após mais de 80 anos, questões que martelavam a consciência desse gênio da dramaturgia mundial, hoje já martelam a de muitas pessoas que começaram a se conscientizar sobre a opressão, preconceito e os contrassensos da sociedade capitalista. Talvez uma das histórias mais atuais do Tennessee. Um manifesto contra o racismo, a misoginia e a homofobia”, acrescenta Luis Marcio Arnaut.

Outra camada interessante da peça é, como o próprio título indica, uma referência ao clássico “Othelo, o Mouro de Veneza”, de William Shakespeare, mas ainda busca inspirações na peça “O Mercador de Veneza”, também do bardo inglês; no romance “Oliver Twist”, de Charles Dickens, e no conto “A Princesa”, de D. H. Lawrence.

Por que Desdêmona Amava o Mouro? é possível graças a um projeto contemplado pelo edital ProAc nº 01/2023 - Teatro/Produção de espetáculo inédito. 

 

Ficha Técnica

Da obra original e inédita de: Tennessee Williams

Adaptação: Tom Mitchell

Tradução: Luis Marcio Arnaut e David Medeiros

Idealização: Luis Marcio Arnaut, Camila dos Anjos e Alfredo Tambeiro 

 

Direção: Noemi Marinho

Assistente de Direção: Tati Marinho

Elenco:  Alfredo Tambeiro, Camila dos Anjos, Luis Marcio Arnaut e Matilde Mateus Menezes.

Direção de Movimento: Erica Rodrigues

Cenário e Figurino: Chris Aizner

Iluminação: Wagner Freire

Direção Musical: Daniel Maia

Caracterização: Beto França

 

Operação de Luz: Luisa Silva

Operação de Som: Valdilho Oliveira

Cenotécnico: Alício Silva

Costureira: Judite Lima

Estagiária de Produção: Luisa Pamio

 

 

Sinopse

Uma inusitada história de amor na década de 1930 entre Helen, uma solitária atriz de Hollywood, famosa e símbolo sexual, e o jovem, Kip, um roteirista talentoso, parece ser mais um romance que se repete entre tantos. Tennessee Williams, entretanto, apresenta um homem negro de sucesso e uma mulher branca promíscua às voltas com uma paixão avassaladora por ele. Ela precisa lutar contra seu próprio preconceito e é obrigada a assumir seu desejo e sua paixão por Kip.


Serviço

Por que Desdêmona Amava o Mouro?, a partir da obra de Tennessee Williams

Temporada: 11 de outubro a 17 de novembro

Sextas, às 21h. Sábados, 20h. Domingos e feriados, às 18h.

Sesc Santo Amaro - R. Amador Bueno, 505 - Santo Amaro, São Paulo

Ingressos: R$ 60 inteira | R$ 30 meia | R$ 18 Credencial Plena

Venda online em sescsp.org.br/

Classificação: 14 anos 

Duração:  75 minutos

Capacidade: 274 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

 

Mariana Loureiro protagoniza o solo Sonhos Roubados, que estreia no Sesc Ipiranga no dia 25 de outubro

Crédito: Mia Shimon 

 Com direção de Zé Pereira e Luiza Magalhães, peça convida espectador a acompanhar quase como um Voyer uma mulher confinada em um apartamento e sufocada pela experiência de um relacionamento abusivo 

 

Uma mulher solitária assombrada por um relacionamento abusivo é vivida por Mariana Loureiro no solo Sonhos Roubados, com dramaturgia de Zé Pereira, em colaboração com a própria atriz. O espetáculo estreia no projeto Teatro Mínimo, do Sesc Ipiranga, no dia 25 de outubro, e segue em cartaz no auditório da unidade até 7 de novembro, com apresentações às sextas-feiras, às 21h30; e aos sábados e domingos, às 18h30.

Com direção de Zé Pereira e Luiza Magalhães, a peça narra o drama de uma mulher que espera seu amante, isolada em seu apartamento por muito tempo. Enquanto aguarda, ela observa seus vizinhos pela janela - e passa a inventar e encenar suas histórias no espaço do seu confinamento, vivenciando situações de solidão e violência, mas também de erotismo, sarcasmo e humor ácido. Nessas histórias ela vai encontrar fragmentos de si própria, iluminando também territórios ocultos do relacionamento abusivo em que ela se descobre.

Enquanto vive essa espera quase interminável, a mulher procura resgatar sua identidade, sufocada pela experiência desse homem abusivo e manipulador. Mas esta não é apenas uma história de amor. Nesse jogo de espelhos com os vizinhos, ela começa também a refletir sobre os papéis da mulher em nossa sociedade, percebendo que não é só o relacionamento que a aprisiona, mas também as estruturas, as expectativas, as culpas e os medos que a acompanham.  Afinal, o que é ser mulher? 

Incorporando as histórias dos vizinhos, a personagem busca se desvencilhar das máscaras que veste como defesa ou fuga, abrindo mão dos modelos copiados, dos sonhos roubados como se fossem dela própria. Em sua jornada de descoberta, ela irá antes se perder em um caldeirão que mistura realidade e fantasia, desconstruindo tudo que ela é, ou pensa que é. 

“É nesse terreno delicado que se estabelece o drama desses Sonhos Roubados, para o qual convidamos o espectador a espiar essa mulher como pelo buraco de uma fechadura. Mas quem está observando quem? Talvez nós mesmos estejamos vivendo também sonhos roubados”, indaga a atriz Mariana Loureiro.

O foco da encenação é explorar o trabalho da atriz e a atmosfera onírica na composição desses diversos “personagens dentro da personagem” e a relação com o público, que se torna uma espécie de voyeur, como se também ele estivesse observando essa mulher sem ser notado.

De acordo com o diretor Zé Pereira, Sonhos Roubados é uma peça de muitas vozes e camadas. Sem uma marcação clara de onde começa ou termina cada camada, o espetáculo nos convida a experimentar a confusão mental da personagem e a embarcar em uma atmosfera de sonho e delírio.

“Existe uma primeira camada, mais imediata, que mostra a rotina da personagem em seu isolamento. A esta se sobrepõe uma segunda, da história desse romance abusivo; e a esta uma terceira, com as histórias dos vizinhos, espiadas ou inventadas. E sobre estas se revela uma outra, quase imperceptível, com os comentários e reflexões da própria atriz”, revela o encenador. 

Luz, som e projeções serão usadas para evocar lembranças e delimitar mudanças e passagens, mas o foco da encenação está na interpretação e nas transformações corporais da atriz, às vezes recorrendo ao naturalismo, às vezes flertando com o grotesco. “Ainda que o tom principal da peça seja dramático, a encenação explora a riqueza do jogo proposto pelo texto, permitindo momentos de humor, erotismo e absurdo”, acrescenta Pereira.


Sinopse

Sonhos Roubados é a história de uma mulher que espera seu amante, isolada em seu apartamento por muito tempo. Enquanto aguarda, ela observa seus vizinhos pela janela - e passa a inventar e encenar suas histórias no espaço do seu confinamento, vivenciando situações de solidão e violência, mas também de erotismo, sarcasmo e humor ácido. Nessas histórias ela vai encontrar fragmentos de si própria, iluminando também territórios ocultos do relacionamento abusivo em que ela se descobre.


Ficha Técnica

Idealização: Zé Pereira e Mariana Loureiro

Direção: Zé Pereira e Luiza Magalhães

Elenco: Mariana Loureiro

Dramaturgia: Zé Pereira com colaboração de Mariana Loureiro

Direção de movimento: Luiza Magalhães

Cenografia e Figurino: Camila Bueno

Iluminação: Felipe Stucchi

Som: Bruno Fernandes

Fotos de divulgação: Mia Shimon

Vídeos e projeção: Everson Verdião

Produção: Cotiara Produtora - Ana Elisa Mello e Samya Enes

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio


Serviço

Sonhos Roubados, de Zé Pereira e Mariana Loureiro

Temporada: 25 de outubro a 17 de novembro de 2024 (exceto dia 27/10)

Às sextas-feiras, 21h30; e aos sábados e domingos, 18h30. Feriado do dia 15/11, às 18h30

Sesc Ipiranga - Auditório - Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga, São Paulo

Ingressos: R$ 50 (inteira), R$25 (meia-entrada) e R$12 (credencial plena)

Vendas online em sescsp.org.br

Classificação: 18 anos

Duração: 60 minutos

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida



Avenida Paulista é palco de ação de conscientização sobre a Trombose no próximo domingo

 

No próximo domingo, 13 de outubro, Dia Mundial da Trombose, a Avenida Paulista será palco de uma ação gratuita de conscientização sobre trombose, promovida pela Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH), em parceria com o Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro da Unicamp (CDT) e com apoio da Werfen, empresa líder mundial em diagnósticos in vitro

Na entrada da FIESP, em frente à estação Trianon-MASP, o evento oferecerá informações, conversas com especialistas e exames médicos, como ultrassom doppler de carótida e avaliação de insuficiência venosa nas pernas, todos abertos ao público. Na data, os transeuntes terão a oportunidade de aprender mais sobre a diferença entre trombose venosa e arterial e seus fatores de risco, como viagens longas, obesidade e tabagismo. 

Às 11h30 e às 15h, a Werfen promoverá uma atividade surpresa para atrair a atenção de todas as pessoas que estiverem circulando pela região no momento, promovendo uma conscientização ainda maior. 

Além disso, também serão distribuídas informações sobre as formas de prevenção para evitar complicações graves, como embolia pulmonar, infarto e AVC. A trombose é a terceira principal causa de óbito por doenças cardiovasculares no Brasil1, mas medidas simples, como a adoção de hábitos saudáveis, podem prevenir grande parte dos casos. 

“Sabemos que existe um desconhecimento por parte da população do que é a trombose, suas causas e prevenção. Por isso, estamos ansiosos para realizar essa ação e levar essa informação para as pessoas, que são quem mais precisam dela”, comenta Dr. Tomaz Crochemore, Diretor Médico para a América Latina da Werfen.
 

SERVIÇO:

Ação de conscientização – Dia Mundial da Trombose

Endereço: Centro Cultural FIESP - Avenida Paulista, 1313, Bela Vista, São Paulo, SP.

*Em frente à estação Trianon-Masp do Metrô

Quando: domingo, 13 de outubro de 2024.

Acesso: o evento é gratuito e aberto ao público. Dentre os serviços oferecidos, além de serem divulgadas informações de conscientização da condição, os médicos presentes também realizarão uma triagem para realizar exames em pacientes em possíveis situações de risco da doença.
 

 


Referências:

Federação Brasileira de Hospitais. Acesso em: https://fbh.com.br/embolia-pulmonar-e-a-terceira-causa-de-morte-cardiovascular-do-mundo-segundo-sociedade-internacional-de-trombose-e-hemostasia/


Estações da CPTM recebem ações do Outubro Rosa na próxima semana

Ações ocorrem nas Linhas 7-Rubi, 11-Coral e 12-Safira


A semana de 14 a 18 de outubro será marcada por diversas ações do Outubro Rosa em estações da CPTM, sempre com o objetivo de orientar sobre prevenção e tratamento do câncer de mama.

Na segunda-feira (14/10), a Estação Itaim Paulista receberá a primeira ação. Das 08h às 11h20 e das 13h às 16h30 uma equipe da Escola Técnica Sequencial oferecerá serviços de aferição de pressão, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura, sempre com as orientações sobre a doença.

Na quarta-feira (16/10) a ação chega à Estação Palmeiras-Barra Funda, em que a equipe da mesma escola técnica oferecerá os mesmos serviços das 08h às 12h. Na mesma data, a Estação Corinthians-Itaquera receberá a equipe do Instituto Gama das 11h às 13h.

Além das orientações sobre o câncer de mama, serão distribuídos exames de Mamografia, com agendamento na clínica parceira, para as primeiras 20 mulheres que comparecerem à estação. Ação similar também acontecerá na Estação São Miguel Paulista na sexta-feira (18/10), das 11h às 13h e beneficiando duas dezenas de mulheres interessadas em realizar o exame.

Por fim, também no dia 18/10, a Estação Suzano terá, das 10h às 15h, uma ação do Hiromi Instituto que, além de promover a conscientização sobre a doença, pretende empoderar as mulheres que passarem pelo evento fazendo cabelo e maquiagem.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure.

A data, celebrada anualmente, tem o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.


Ações de Cidadania

Todas as iniciativas são realizadas com o apoio da CPTM, que abre espaços em suas estações para a realização de atividades ligadas à promoção do bem-estar de seus passageiros.



Serviço
Outubro Rosa – mês de conscientização sobre o câncer de mama


Data: 14/10/2024
Local: Estação Itaim Paulista – Linha 12-Safira
Horário: Das 08h às 11h20 e das 13h às 16h30


Data: 16/10/2024
Local: Estação Palmeiras-Barra Funda – Linha 7-Rubi
Horário: Das 08h às 12h


Data: 16/10/2024
Local: Estação Corinthians-Itaquera – Linha 11-Coral
Horário: Das 11h às 13h


Data: 18/10/2024
Local: Estação São Miguel Paulista
Horário: Das 11h às 13h


Data: 18/10/2024
Local: Estação Suzano – Linha 11-Coral
Horário: Das 10h às 15h


Dia Nacional de Prevenção da Obesidade: A importância de hábitos saudáveis para combater a doença crônica

No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, a atenção se volta para a crescente prevalência dessa doença crônica e a urgência de promover hábitos saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada a diversas complicações, como diabetes e hipertensão, além de contribuir para milhões de mortes anuais. A nutricionista Fernanda Larralde, da Bio Mundo, ressalta que a prevenção é a melhor estratégia para enfrentar essa epidemia global. 

 

No dia 11 de outubro, celebra-se o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, uma data que destaca a crescente prevalência dessa doença crônica em todo o mundo e reforça a necessidade de promover hábitos saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é responsável por inúmeras complicações à saúde, como diabetes e hipertensão, e contribui para milhões de mortes anuais. Para a nutricionista Fernanda Larralde, da Bio Mundo, a prevenção é o caminho mais eficaz para lidar com essa epidemia.

“A obesidade é uma doença multifatorial, que vai além da alimentação inadequada e do sedentarismo. Questões emocionais, econômicas e até o ambiente em que a pessoa vive desempenham um papel importante no desenvolvimento da obesidade. Por isso, é fundamental tratá-la com a mesma seriedade que qualquer outra doença crônica”, explica Fernanda. Ela também salienta a importância da classificação da obesidade como doença crônica, o que amplia o olhar sobre a questão, tratando não apenas os sintomas, mas as causas, com a seriedade necessária.

Ela destaca que pequenos ajustes na rotina podem fazer uma grande diferença na prevenção do ganho de peso e no cuidado com a saúde. Para Fernanda, é essencial que se desenvolvam estratégias junto aos governos municipais, estaduais e federais para ajudar um número maior de pessoas a combater essa condição. “O que falta não é a informação, mas a sistematização e a implementação de ações efetivas para prevenir e tratar a obesidade”, complementa.


Entendendo as Causas da Obesidade

Fernanda reforça que a obesidade não deve ser vista apenas como resultado do excesso de comida. “Muitas vezes, o que está por trás do ganho de peso é uma questão emocional não resolvida. O alimento se torna uma forma de escape e conforto. Por isso, engorda-se primeiro pela mente e, em seguida, pelo corpo. É necessário olhar para a causa emocional da compulsão alimentar.”

Além disso, é importante entender que as pessoas não ganham peso apenas porque “comem demais”. “A obesidade tem causas complexas que incluem fatores emocionais, sociais e econômicos. O ambiente em que a pessoa vive, o local de trabalho e até o acesso a alimentos saudáveis influenciam diretamente no comportamento alimentar”, afirma a nutricionista.


Ações Preventivas para Combater a Obesidade

Para combater a obesidade, a nutricionista sugere priorizar alimentos frescos e naturais, como frutas, legumes e grãos integrais, e evitar produtos ultraprocessados, ricos em açúcares e gorduras. “Uma dieta rica em fibras e nutrientes ajuda a controlar o apetite e a evitar picos de glicemia que levam ao acúmulo de gordura”, afirma. Além disso, hidratação e sono de qualidade também são fundamentais para o equilíbrio do corpo e o controle de peso.

A educação alimentar desde a infância também é um ponto essencial. “Crianças que aprendem a fazer escolhas saudáveis desde cedo têm menos chances de desenvolver doenças relacionadas ao excesso de peso na vida adulta”, destaca Fernanda. Ela sugere que as famílias adotem uma abordagem coletiva, envolvendo todos em práticas saudáveis.

A prevenção da obesidade vai além da estética — trata-se de garantir qualidade de vida e evitar complicações graves à saúde. 



Bio Mundo


Saúde das trompas: entenda a hidrossalpinge, obstrução que pode causar infertilidade

Especialista do CEUB explica que doença pode ter relação com infecções,
endometriose ou outras inflamações no sistema reprodutivo

Pouco mencionadas nas discussões sobre a saúde da mulher, as trompas de Falópio - ou tubas uterinas – são uma parte essencial do sistema reprodutor feminino que podem ser afetadas por problemas silenciosos, como a hidrossalpinge. Muitas mulheres descobrem essa condição, que geralmente não apresenta sintomas, durante exames de rotina ou em investigações sobre infertilidade. O ginecologista especialista em Reprodução Assistida e professor adjunto do curso de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Bruno Ramalho, explica como essa condição pode impactar a saúde feminina.
 

Segundo o especialista, a hidrossalpinge ocorre quando a tuba uterina se dilata e fica cheia de líquido. Diversos fatores podem causar danos e bloqueios na extremidade da tuba, resultando no acúmulo de líquido em seu interior. "Cirurgias pélvicas anteriores, infecções, endometriose ou outras fontes de inflamação são exemplos de situações que podem levar ao desenvolvimento da hidrossalpinge", explica o professor. Embora costume ser um mal silencioso, Ramalho explica que dor pélvica e corrimento vaginal podem estar associados ao quadro, sendo que, nos casos de endometriose, a dor tende a ser relacionada mais à inflamação do que à dilatação propriamente dita.
 

Diante das suspeitas após o exame ginecológico, o docente do CEUB explica que o diagnóstico se dá por meio do exame de histerossalpingografia, pela ressonância magnética da pelve ou pela ultrassonografia transvaginal, essa nos casos mais volumosos. "Uma tuba comprometida já pode ser suficiente para provocar infertilidade, independentemente de sua dilatação", ressalta.
 

Tratamento e gravidez

Além do risco aumentado de gravidez ectópica, que ocorre na própria tuba comprometida, hidrossalpinges volumosas podem dificultar a gravidez, até mesmo em mulheres que necessitam realizar o tratamento de fertilização in vitro. Por isso, segundo Bruno, o tratamento envolve, em muitos casos, a retirada da trompa afetada, uma vez que sua função já está comprometida. “Em outros casos, excepcionalmente, é possível realizar uma salpingostomia, que consiste na abertura cirúrgica da tuba – abordagem pode ter resultados limitados, com o risco alto de a condição retornar”.
 

O especialista do CEUB frisa que se a hidrossalpinge afetar apenas uma tuba, a outra pode estar funcional e permitir uma gestação espontânea. Nos casos mais graves, em que ambas as trompas estão dilatadas, as técnicas de reprodução assistida podem ser uma solução, pois dispensam a função das trompas. “Em situações de hidrossalpinge visível por ultrassonografia, geralmente se recomenda a remoção cirúrgica das trompas antes da transferência de embriões para o útero”, finaliza Ramalho.
 

Outubro Rosa: taxa de cura chega a 95% com diagnóstico precoce do câncer de mama, tipo que segue como o mais incidente entre as brasileiras

O câncer de mama ainda é o mais incidente entre as mulheres em todas as regiões no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número estimado de novos casos no Brasil, em 2024, é de 73.610. Números do DataSUS mostraram uma alta mortalidade pela doença no ano passado: foram mais de 20 mil óbitos em decorrência de tumores mamários. E o fator mais importante que contribui diretamente para a redução da mortalidade pela doença são os avanços no rastreamento, já que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura em 95%, como aponta a dra. Fernanda Philadelpho, radiologista especializada em exames de mama da CDPI.

“O objetivo do rastreamento é alcançar mulheres que ainda não possuem sinais ou sintomas sugestivos de câncer. Assim, conseguimos identificar, por meio de exames de imagem, alterações indicativas da doença o mais cedo possível e encaminhar as pacientes com resultados fora do esperado para uma investigação por biópsia", explica.

O diagnóstico depende de várias etapas, e é iniciado pelo exame mais preconizado, a mamografia, a partir dos 40 anos para mulheres sem fatores de risco. “Atualmente, tivemos mudanças nos paradigmas de rastreamento do câncer de mama que deixaram de analisar somente a idade das mulheres”, reforça Fernanda.

De acordo com a radiologista, o risco elevado para o câncer não leva em consideração apenas a história familiar e a faixa etária. “Outros dados – como estudos genéticos; se a paciente teve tumores passados, principalmente de mama ou ovário; mulheres que já fizeram radioterapia torácica quando jovem para tratamento de linfoma; e pacientes de origem judia asquenaze – podem levar a um risco aumentado para o desenvolvimento da doença. Assim, o rastreio pode variar conforme a idade de início e os exames de imagem utilizados”, detalha a médica.

Uma vez identificada alguma imagem suspeita, como nódulos ou calcificações, o próximo passo é realizar uma biópsia, inicialmente guiada por ultrassom. O material é, então, encaminhado para um laboratório de patologia para que o especialista analise as células, realize testes e descreva as características do achado, confirmando ou excluindo o diagnóstico de uma neoplasia da mama.

“O tratamento do câncer de mama tem evoluído significativamente, com inovações que aumentam as chances de cura e melhoram a qualidade de vida das pacientes, sobretudo quando diagnosticado precocemente. Exames de imagem, como a ressonância magnética das mamas associada à biópsia, têm sido muito utilizados no planejamento cirúrgico para procedimentos mais eficazes e com menos efeitos adversos”, reforça Philadelpho.


Obesidade: peso das consequências da doença vão muito além de números na balança

Condição afeta funcionamento do organismo e pode ser principal causa de doenças como diabetes, hipertensão e até mesmo câncer


O diagnóstico da obesidade, uma doença associada ao excesso de peso, ainda é frequentemente baseado no Índice de Massa Corporal (IMC) de um paciente. No entanto, um estudo realizado pela Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (AESO) sugeriu recentemente uma atualização nos indicadores, considerando o IMC um marcador insuficiente para um diagnóstico preciso. A proposta indica que a gordura abdominal pode desencadear problemas de saúde, mesmo em pessoas que ainda não apresentam manifestações clínicas da doença, e deve ser considerada um fator de risco também em indivíduos com IMC mais baixo.

Essa mudança de conceitos visa reduzir o índice de subtratamento da doença, incluindo na classificação de obesidade pessoas com IMC de 25 a 30 que apresentem complicações clínicas, funcionais ou psicológicas associadas ao sobrepeso. A obesidade é uma condição que afeta o funcionamento dos sistemas do corpo; portanto, o diagnóstico preciso pode viabilizar o tratamento adequado e reduzir as chances de desenvolvimento de várias outras doenças.


Fator de risco para outras doenças 

Entre as condições mais comuns em pessoas obesas estão as chamadas doenças cardiometabólicas, como hipertensão e diabetes. O médico endocrinologista Fabiano Lago explica que o excesso de gordura corporal causa resistência à insulina, um fator crucial no desenvolvimento dessas condições. "Uma das condições diretamente ligadas ao excesso de peso é o diabetes tipo 2, que representa a maioria dos casos da doença e está associado à resistência insulínica. O excesso de peso é um dos principais responsáveis por essa resistência, que sobrecarrega o pâncreas, aumentando o risco de desenvolver diabetes. Além disso, a obesidade também pode elevar os níveis de gordura no sangue, como o LDL colesterol, e está associada a uma maior incidência de hipertensão arterial", afirma o médico, que atua no Spa Estância do Lago.

Outra condição de saúde associada à obesidade é o câncer. Pessoas com obesidade estão em um grupo de maior risco para diversos tipos de câncer, como o de mama, cólon, endométrio e fígado. O excesso de gordura corporal pode alterar os níveis hormonais, criando um ambiente propício para o aumento de células cancerígenas. Além disso, a inflamação crônica causada pela obesidade pode contribuir para mutações celulares e crescimento de tumores, aumentando tanto a incidência quanto a gravidade dos cânceres em pacientes obesos.

O excesso de peso também afeta a mobilidade, pois pessoas obesas enfrentam uma pressão maior nas articulações. “Essa condição sobrecarrega as articulações, acelerando o desgaste da cartilagem. Esse tipo de desgaste normalmente causa dor e pode levar à perda de mobilidade, além de estimular o desenvolvimento precoce de artroses, principalmente nos joelhos e quadris”, complementa o endocrinologista. 


Impacto psicológico

A obesidade afeta não só o corpo, mas também a mente. Pessoas obesas tendem a enfrentar, na maioria das vezes, problemas como baixa autoestima, isolamento e vergonha, devido à discriminação que acompanha a condição. “Alguns problemas de ordem psicológica, considerando que vivemos em uma época dominada pelas redes sociais, onde a aparência é muito importante, podem afetar negativamente pessoas com obesidade, em especial aquelas que enfrentam um grau severo da doença”, explica Fabiano. 

Além disso, o impacto psicológico causado pela obesidade pode se tornar um obstáculo na adoção de hábitos saudáveis, dificultando a perda de peso. O sentimento de fracasso que acompanha cada tentativa frustrada de emagrecimento pode, por exemplo, desencadear casos de compulsão alimentar, criando um ciclo vicioso que prejudica ainda mais a saúde mental. 


Tratamento multidisciplinar

Para que o tratamento da obesidade seja mais eficiente, uma abordagem multidisciplinar, que envolve a colaboração de profissionais de diversas áreas da saúde, é fundamental para abordar as complexidades e especificidades de cada caso. “Quando a pessoa conta com um grupo de suporte, a chance de êxito no processo de perda de peso e na sua manutenção é muito maior. Por isso, espaços como spas, que contam com uma equipe multidisciplinar, são tão valiosos, pois oferecem suporte em diversas áreas afetadas pela obesidade”, reforça o médico.

Médicos, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas e, quando necessário, cirurgiões, trabalham juntos na criação de um plano de tratamento personalizado, que prioriza a reeducação alimentar, a atividade física e o suporte emocional e clínico para enfrentar os desafios e as condições associadas ao excesso de peso e ao processo de emagrecimento. “Nesses casos, os pacientes, mesmo após o tratamento, mantêm os bons hábitos em casa. É um intensivo de autocuidado que faz com que a nova rotina seja encarada com mais vontade de cuidar da saúde”, finaliza.

 

Dores do crescimento: até que ponto é normal?

Desconforto atinge crianças entre 3 e 12 anos; condição é comum, porém mães e pais precisam ficar atentos aos sintomas 


As dores do crescimento, que costumam afetar crianças entre 3 e 12 anos de idade, têm causas e origens ainda não descobertas e debatidas entre especialistas da área. Estudos indicam que entre 25% e 40% das crianças na fase considerada “primeiro estirão” relatam desconforto em algum momento, mais comuns à noite, na região das coxas e panturrilhas. 

As dores do crescimento podem ser consideradas uma parte normal da infância, mesmo que por vezes desconfortáveis. Por isso, as visitas regulares ao pediatra são essenciais para garantir que quaisquer queixas de dor sejam avaliadas adequadamente.

De acordo com o médico ortopedista Cleber Furlan, dores do crescimento são comuns nessa faixa etária e não há muito com o que se preocupar. Entretanto, mães e pais precisam ficar atentos quando as queixas se tornarem recorrentes, e apresentarem outros sintomas. “Se além das dores aparecer também febre, algum edema, perda de apetite e manchas na pele, por exemplo, é importante consultar um especialista para descartar possíveis doenças pré-existentes”.


Outros fatores

Algumas teorias para explicar essas dores são atividade física (impactos que podem causar microlesões em músculos e articulações), fatores psicológicos (estresse emocional e ansiedade), fatores genéticos e sedentarismo. Como efeito, as dores podem chegar a interferir na qualidade do sono e impacto em atividades físicas corriqueiras.

O diagnóstico é dado após a exclusão de outras condições que podem causar dor, como artrite, infecções ou lesões, com o médico especialista analisando o histórico médico da criança e o padrão das dores, com exames físicos específicos para descartar outras possíveis causas.

O tratamento é geralmente sintomático, já que a condição não requer intervenção médica específica. São recomendados, sob supervisão médica, o uso de analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno), compressas quentes, massagem e atividade física para manter a criança ativa, bem como apoio emocional. 



Cleber Furlan - Médico ortopedista há mais de 20 anos, o doutor Cleber Furlan é também Mestre em Ciências da Saúde pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e Doutorando em Cirurgia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Furlan é especialista em Cirurgia do Quadril, bem como membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Quadril.
https://www.cleberfurlanmedicina.com.br/


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