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domingo, 11 de agosto de 2019

Pediatra explica tudo sobre amamentação


O leite que o bebê recebe deve, preferencialmente, ser o materno, pois ele é preparado exclusivamente para cada bebê, suprindo suas necessidades nutricionais. O uso de fórmulas é indicado apenas quando a mãe não tem leite suficiente a ponto de prejudicar o ganho de peso do bebê, ou em casos de mastites (inflamações e infecções na mama), ou ainda em casos de mamilos que prejudicam a amamentação e alergias.

Garantir um ambiente calmo, tranquilo, com luminosidade adequada, pouco barulho, na posição correta (a mais adequada é a que o bebê fica quase sentado de frente para a mãe, chamada de posição de cavaleiro), pois tudo isso interfere na quantidade de ar que o bebê engole ao ser amamentado.

O uso de mamadeiras facilita maior entrada de ar e existem bicos mais anatômicos para minimizar isso. Mas sempre deve-se dar preferência ao peito pois a anatomia e o encaixe são perfeitos.

Lembrar que o aleitamento deve ser de acordo com a livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser. Isso porque o aparelho digestivo deles é bem imaturo e pequeno.

Logo ao nascer, o estômago comporta de 5 a 7 ml de líquido e tem o tamanho equivalente a uma cereja pequena.

Por volta da primeira semana de vida, cabem de 45 a 60 ml e o estômago tem o tamanho de uma ameixa.

Após um mês de vida, cabem de 80 a 150 ml e o tamanho equipara-se ao de um ovo.


Todo bebê precisa arrotar depois de cada mamada? Por quê ?

É importante arrotar após cada mamada pois quando o ar fica dentro do estômago, ele ocupa lugar, distendendo-o e dando a sensação de saciedade mesmo com pouco leite. Pode ser por isso que alguns bebês mamam a toda hora, mas estão sempre com fome.

Não arrotar tem relação direta com cólicas, pois o ar dentro do aparelho digestivo e a distensão causada é extremamente incômoda para o bebê.

Se o bebê não engole ar, ou engole muito pouco, ele não irá arrotar. Assim, antes de ficar preocupada se o bebê não arrotou, vale prestar atenção se ele engoliu ar ou não durante a mamada.



Como vamos saber?
Prestando atenção em cada mamada, em relação ao tempo, à maneira que o bebê pega o peito, na sucção. A mãe vai conhecendo aos poucos o ritmo do seu filho.

O parâmetro a ser observado é o ganho de peso, por isso consulte sempre o pediatra.


Qual é o risco se o bebê não arrota depois de mamar?

Não arrotar significa que o ar (se ele entrou), estará preso dentro do estômago do bebê. Isso pode facilitar o refluxo ou o retorno de conteúdo de leite à boca. Por isso a orientação é deixar o bebê na posição mais sentada até arrotar, tendo o cuidado de não comprimir (apertar) a barriga e o estômago, pois isso, certamente irá causar a volta do leite.

É importante lembrar que nem sempre o arroto é audível, ele pode ser silencioso e breve.

Arrotar não é obrigatório, mas ficar na posição mais vertical para que ele possa eliminar o ar que engoliu, sim. Isso é importante.


Até que idade a mãe deve colocá-lo para arrotar, depois da mamada no peito ou na mamadeira?

O estômago do bebê após o primeiro mês já acomoda mais volume, mas ele ainda está iniciando a coordenação da sucção e deglutição. Considera-se seguro que até pelo menos quatro meses de idade, deve-se colocar os bebês para arrotar.

A mamãe vai conhecendo melhor como seu filho mama e se engoliu bastante ar ou não.


As três posições mais utilizadas para o bebê arrotar são:

Ombro: colocar o bebê no ombro, apoiando-o com a mão, segurando no bumbum. Dar alguns tapinhas ou massagear auxilia. Cuidado para não chacoalhar nem apertá-lo contra seu corpo, pois facilita a volta do leite à boca.

Sentado: colocar o bebê sentado de costas para a mamãe e inclinar o tronco dele para frente, segurando-o pelo queixo e ombro. Atenção para não balançá-lo com a perna e não incliná-lo demais, com risco de queda ou de voltar o conteúdo à boca.

No colo virado de frente: muito similar à posição anterior, mas voltado de frente. As mesmas orientações devem ser seguidas.


Existe algum risco de engasgo nesse processo?

Ao fazer o bebê arrotar, cuidado para não chacoalhá-lo e não apertar sua barriguinha, pois isso facilita o retorno do conteúdo alimentar (leite) e pode causar engasgos e asfixias, em casos mais graves.

O fundamental é não ter pressa, aguardar, aproximadamente, 10 minutos para que o arroto ocorra ou não. Esse tempo garante também que o estômago tenha iniciado o processo de esvaziamento, ficando menos leite dentro dele, reduzindo o risco de engasgos.

Lembre sempre que as mamadas devem ser feitas em ambientes tranquilos, não barulhentos, Deixe a agitação fora desse momento, desligue o celular, tudo pode esperar para que o bebê seja amamentado. O momento da mamada não é apenas de alimentação e sim de vinculo entre mãe e bebê, que é construído a cada momento.

Vamos criar boas memórias para os filhotes sobre alimentação com carinho, cuidado, zelo, proteção e amor. Muitos dos transtornos alimentares em adolescentes e adultos vêm da fase de aleitamento materno.


Mês da Amamentação: As vantagens do aleitamento materno

Especialista desvenda como o corpo da mamãe reage durante o período da amamentação


A amamentação exclusiva é primordial na vida do bebê até os seis meses de idade, conforme recomendação da OMS, e oferece todos os nutrientes e vitaminas que a criança precisa para construir um sistema imunológico saudável, além de suprir suas necessidades nutricionais e psicológicas. 

Segundo Lavínia Springmann, Consultora da Amamentação da NUK, o leite materno é um alimento completo, que fornece inclusive água e fatores de proteção contra infecções comuns durante a infância, além de ser isento a contaminação e perfeitamente adaptado ao metabolismo da criança.
Bebês nascidos no período estimado são suficientemente hidratados e não necessitam de líquidos além do leite materno, apesar da pouca ingestão de colostro em seus dois ou três primeiros dias de vida.

A amamentação exclusiva é recomendada por oferecer maior proteção contra infecções. O efeito protetor do leite materno contra diarreias pode diminuir consideravelmente quando a criança recebe, além de leite da mãe, qualquer outro alimento ou complemento, incluindo água e chá. Sob o ponto de vista nutricional, a complementação precoce é desvantajosa para a nutrição da criança, pois além de reduzir a duração do aleitamento materno, também prejudica a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, independente do número de mamadas.

Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução de outros alimentos antes de quatro meses que não o leite humano na dieta da criança.
O sistema digestivo e o rim do bebê ainda são imaturos, o que limita a sua habilidade de manejar alguns componentes de alimentos diferentes do leite materno. Devido à alta permeabilidade do tubo digestivo, a criança corre o risco de apresentar reações de hipersensibilidade a proteínas estranhas à espécie humana. O rim imaturo por sua vez, não tem a capacidade necessária de concentrar a urina para eliminar altas concentrações de solutos provenientes de alguns alimentos. Aos seis meses a criança encontra-se num estágio de maturidade fisiológica que a torna capaz de lidar com alimentos diferentes do leite materno.

Desta forma, devemos destacar os seguintes itens:

-As crianças que mamaram exclusivamente até os seis meses, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento, apresentam menor risco de morbidades por infecção gastrintestinal e infecção respiratória, além de não apresentarem risco maior de déficits de crescimento (peso ou comprimento):

-As mães que amamentam exclusivamente por seis meses apresentaram maior rapidez na perda de peso acumulado durante a gravidez, diminui a fertilidade e suprimi a ovulação em algumas mulheres, reduz o risco de câncer no ovário, útero, endométrio, mama e protege contra a osteoporose.


Fisiologia da amamentação

A mama é constituída por parênquima de tecido glandular (glândula mamária) e de tecido fibroadiposo (estroma), juntamente com vasos, nervos e pele. A glândula mamária se estende além dos limites superficiais do seio e geralmente possuem um prolongamento auxiliar, que em algumas mulheres podem ser mais bem visualizado durante o período menstrual ou na lactação. A forma e tamanho da mama estão relacionados com a quantidade de tecido adiposo no estroma, e não a capacidade funcional.

Já o mamilo é uma proeminência cilíndrica ou cônica da face anterior da mama, geralmente localizada em nível do quarto espaço intercostal, na linha clavicular média. É constituído de fibras musculares lisas (cuja contração causa a projeção do mamilo), geralmente circulares e apresentam de 15 a 20 ductos lactíferos que desembocam em sua extremidade rugosa. Sua base é envolvida por uma estrutura discoide cutânea, denominada aréola. A pele que reveste o mamilo e a aréola é pigmentada, com coloração que varia de rósea a marrom conforme a raça. Durante a gravidez e a lactação aumentam a sua pigmentação e tamanho, que será reduzido após a lactação, porém não retorna à cor original.

A mama é extremamente vascularizada por ramos perfurantes da artéria torácica interna e das intercostais e por ramos da artéria axilar, os quais formam uma rede que se bifurcam e recombinam em vários pontos.


Produção do leite

Muitos hormônios estão envolvidos no desenvolvimento da mama e na lactação, bem como a ação do sistema nervoso. Durante a gravidez, o seio completa seu desenvolvimento devido as grandes quantidades de estrogênio e progesterona, que são secretados pela placenta. Os estrogênios são responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas de ductos mamários, bem como o aumento da quantidade de estroma e pela disposição de gordura das mamas. O desenvolvimento dos alvéolos e a diferenciação da célula secretora são papéis da progesterona. Embora esses hormônios preparem a estrutura da mama para a lactação, também possuem efeito inibidor à secreção de leite durante gestação.

A prolactina é o hormônio responsável pela secreção do leite pelas células alveolares. A secreção é inibida durante a gravidez por ação do estrogênio e da progesterona. Por ocasião do nascimento da criança e consequente remoção da placenta, diminui rapidamente a concentração desses hormônios placentários (estrogênio e progesterona).

Assim, cessam seus efeitos inibitórios e a prolactina pode promover a secreção do leite pelas células secretoras das glândulas mamárias. A secreção do leite é lenta e acontece durante o intervalo das mamadas. O leite fica armazenado principalmente nos alvéolos e pequena quantidade no sistema de ductos mamários. A estimulação das numerosas terminações nervosas do mamilo durante a sucção do bebê resulta na ejeção do leite para os ductos e seu fluxo pelo mamilo. Esse processo ocorre após cerca de um minuto que o bebê começou a sugar, porém em mulheres que tiveram o seu primeiro filho, pode levar cerca de 3 a 5 minutos.


Extração
 
A NUK oferece produtos que garantem a praticidade e segurança na hora de extrair e armazenar o leite materno.


Sete dicas para uma amamentação saudável

Obstetra Corintio Mariani Neto dá orientações fundamentais e esclarece as principais dúvidas desse período


Comemorada entre os dias 1 e 7 de agosto, a Semana Mundial do Aleitamento Materno reforça a importância da amamentação para o desenvolvimento saudável dos bebês, assim como para a diminuição da mortalidade entre recém-nascidos no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente se toda criança fosse amamentada desde o nascimento até os 2 anos. “Isso porque a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência de recém-nascidos”, pontua o ginecologista e obstetra Corintio Mariani Neto, presidente da Comissão Nacional de Aleitamento Materno da Febrasgo e diretor técnico do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros.

No Brasil, somente 38,8% das crianças se alimentam exclusivamente do leite materno nos primeiros 5 meses de vida, taxa considerada abaixo do ideal pela OMS. Para o obstetra, ainda há muito a fazer para que se chegue cada vez mais perto do ideal. “Uma das medidas importantes para estimular o aleitamento é fornecer informação de qualidade às mães, já que o tema costuma trazer muitas dúvidas”, pontua. Para isso, o especialista destaca algumas dicas importantes. Confira abaixo:

Alimentação é a fonte

Mantenha uma dieta balanceada, constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes, frutos do mar, verduras, cereais e frutas. A hidratação também é importante: beba pelo menos dois litros de água por dia. Evite excesso de leite de vaca, amendoim, frutas secas, soja, café, chocolate, refrigerantes, chá preto, mate, feijão, repolho e batata doce, para prevenir alergias ou mesmo gases e cólicas intestinais na criança.

Seu leite não é fraco

De um modo geral, não existe leite fraco, nem leite forte, cada mãe produz o leite ideal para o seu bebê, principalmente se a mãe estiver seguindo uma dieta adequada para esse período. Não é preciso complementar a alimentação do bebê com fórmula artificial por meio de mamadeira, a não ser que seu médico tenha orientado. A introdução precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo a produção de leite diminuir progressivamente.

Não interrompa a mamada

Quando a criança começa a sugar, ela recebe o leite inicial da mamada, que é mais “diluído” e serve para hidratar a criança. Depois de certo tempo, que é variável de bebê para bebê, começa a chegar o leite do final da mamada, que é rico em gorduras e, por isso, sacia a fome do bebê. Assim, é importante que não se interrompa a mamada para trocar de peito e que a criança mame do mesmo lado até saciar sua fome.

Pega e posição

A mãe deverá estar relaxada e confortável, o abdome do bebê encostado ao seu, com a cabeça e o tronco alinhados e o queixo tocando o peito materno. A boca do bebê deve estar bem aberta (cobrindo quase toda a parte inferior da aréola), o lábio inferior voltado para fora e sua língua acoplada ao peito. A sucção será lenta e profunda, intercalada por pequenas pausas de deglutição. O pequeno deve sugar a aréola, não o mamilo.

Mamilo machucado, e agora?

É preciso estar atenta à posição do bebê, pois a pega incorreta pode ser o motivo de os mamilos estarem machucando. Corrija a posição e fique tranquila, pois a cura das lesões costuma ser rápida. Lembre-se que o seu próprio leite é um ótimo cicatrizante. Também considere a utilização de produtos que ajudem na cicatrização das lesões, mas somente com a indicação do seu médico.

Amamente a livre demanda

Não se apegue a intervalos fixos, isso costuma ser bem variado, dependendo da necessidade e da frequência que seu bebê gosta de mamar. Respeite as vontades do pequeno, pois ele não procura o seio apenas para matar a fome, mas também quando tem sede ou precisa de conforto, aconchego e segurança.  Portanto, não hesite em colocá-lo para mamar.

Contracepção e Amamentação

Algumas mulheres podem ovular mesmo amamentando. Para prevenir, é necessário que a amamentação seja exclusiva, com mamadas frequentes, nas 24 horas do dia. Para aumentar a segurança, é recomendado que a mãe adote um método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto. Um exemplo são as pílulas que contêm só progestagênio, ideais para esse período. Como são livres de estrogênio, não inibem a produção de leite e não interferem em sua qualidade e volume. Converse com seu médico sobre a possibilidade, pois ele poderá recomendar o método mais adequado.


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