Obstetra
Corintio Mariani Neto dá orientações fundamentais e esclarece as principais
dúvidas desse período
Comemorada entre os dias 1 e 7 de
agosto, a Semana Mundial do Aleitamento Materno reforça a importância da
amamentação para o desenvolvimento saudável dos bebês, assim como para a
diminuição da mortalidade entre recém-nascidos no mundo. De acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),
mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente se toda criança fosse amamentada
desde o nascimento até os 2 anos. “Isso porque a amamentação é uma das formas
mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência de recém-nascidos”, pontua
o ginecologista e obstetra Corintio Mariani Neto, presidente da Comissão
Nacional de Aleitamento Materno da Febrasgo e diretor técnico do Hospital
Maternidade Leonor Mendes de Barros.
No Brasil, somente 38,8% das crianças
se alimentam exclusivamente do leite materno nos primeiros 5 meses de vida,
taxa considerada abaixo do ideal pela OMS. Para o obstetra, ainda há muito a
fazer para que se chegue cada vez mais perto do ideal. “Uma das medidas
importantes para estimular o aleitamento é fornecer informação de qualidade às
mães, já que o tema costuma trazer muitas dúvidas”, pontua. Para isso, o
especialista destaca algumas dicas importantes. Confira abaixo:
Alimentação é a fonte
Mantenha uma dieta balanceada,
constituída por carnes magras, aves, ovos, peixes, frutos do mar, verduras,
cereais e frutas. A hidratação também é importante: beba pelo menos dois litros
de água por dia. Evite excesso de leite de vaca, amendoim, frutas secas, soja,
café, chocolate, refrigerantes, chá preto, mate, feijão, repolho e batata doce,
para prevenir alergias ou mesmo gases e cólicas intestinais na criança.
Seu leite não é fraco
De um modo geral, não existe leite
fraco, nem leite forte, cada mãe produz o leite ideal para o seu bebê,
principalmente se a mãe estiver seguindo uma dieta adequada para esse período.
Não é preciso complementar a alimentação do bebê com fórmula artificial por
meio de mamadeira, a não ser que seu médico tenha orientado. A introdução
precoce do bico artificial pode levar o bebê a recusar o peito, fazendo a
produção de leite diminuir progressivamente.
Não interrompa a mamada
Quando a criança começa a sugar, ela
recebe o leite inicial da mamada, que é mais “diluído” e serve para hidratar a
criança. Depois de certo tempo, que é variável de bebê para bebê, começa a
chegar o leite do final da mamada, que é rico em gorduras e, por isso, sacia a
fome do bebê. Assim, é importante que não se interrompa a mamada para trocar de
peito e que a criança mame do mesmo lado até saciar sua fome.
Pega e posição
A mãe deverá estar relaxada e
confortável, o abdome do bebê encostado ao seu, com a cabeça e o tronco
alinhados e o queixo tocando o peito materno. A boca do bebê deve estar bem
aberta (cobrindo quase toda a parte inferior da aréola), o lábio inferior
voltado para fora e sua língua acoplada ao peito. A sucção será lenta e
profunda, intercalada por pequenas pausas de deglutição. O pequeno deve sugar a
aréola, não o mamilo.
Mamilo machucado, e agora?
É preciso estar atenta à posição do
bebê, pois a pega incorreta pode ser o motivo de os mamilos estarem machucando.
Corrija a posição e fique tranquila, pois a cura das lesões costuma ser rápida.
Lembre-se que o seu próprio leite é um ótimo cicatrizante. Também considere a
utilização de produtos que ajudem na cicatrização das lesões, mas somente com a
indicação do seu médico.
Amamente a livre demanda
Não se apegue a intervalos fixos, isso
costuma ser bem variado, dependendo da necessidade e da frequência que seu bebê
gosta de mamar. Respeite as vontades do pequeno, pois ele não procura o seio
apenas para matar a fome, mas também quando tem sede ou precisa de conforto,
aconchego e segurança. Portanto, não hesite em colocá-lo para mamar.
Contracepção e Amamentação
Algumas mulheres podem ovular mesmo
amamentando. Para prevenir, é necessário que a amamentação seja exclusiva, com
mamadas frequentes, nas 24 horas do dia. Para aumentar a segurança, é
recomendado que a mãe adote um método contraceptivo a partir da sexta semana
após o parto. Um exemplo são as pílulas que contêm só progestagênio, ideais
para esse período. Como são livres de estrogênio, não inibem a produção de
leite e não interferem em sua qualidade e volume. Converse com seu médico sobre
a possibilidade, pois ele poderá recomendar o método mais adequado.
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