Levantamento do PrevFumo, ambulatório de cessação do tabagismo do Hospital São Paulo da UNIFESP, aponta aumento no uso de vapes entre pacientes atendidos pelo serviço
O uso associado do
cigarro tradicional e dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), conhecidos
popularmente como vape, tem se tornado cada vez mais frequente entre pessoas
que procuram tratamento para abandonar o tabaco. Dados do PrevFumo, ambulatório
de cessação do tabagismo do Hospital São Paulo (HSP) da Universidade Federal de
São Paulo (UNIFESP), mostram crescimento do uso prévio de cigarros eletrônicos
entre pacientes atendidos pelo serviço entre 2018 e 2025.
O levantamento,
realizado com pacientes acompanhados pelo ambulatório, identificou aumento no
percentual de usuários de dispositivos eletrônicos ao longo do período
analisado. Entre 2018 e 2025, a proporção de pacientes que relataram uso prévio
de vape dobrou, passando de 4,1% para 8,1%. Em 2025, aproximadamente um em cada
12 pacientes atendidos relatava já ter fumado o cigarro eletrônico.
Segundo especialistas
do serviço, muitos pacientes chegam ao atendimento acreditando que os vapes
podem auxiliar na interrupção do cigarro convencional ou representar uma
alternativa menos prejudicial à saúde. No entanto, o uso associado
frequentemente mantém a dependência à nicotina, substância responsável pela
continuidade do vício e que também causa prejuízos à saúde.
“O que temos
observado é que muitos pacientes não substituem completamente o cigarro
convencional pelo eletrônico, mas passam a utilizar os dois produtos
simultaneamente, mantendo a dependência à nicotina”, afirma a pneumologista e
coordenadora do projeto, Dra. Lygia Sampaio.
Os dados também
apontam predominância feminina no uso prévio de dispositivos eletrônicos ao
longo de todo o período analisado, com distribuição relativamente estável entre
os sexos. Em 2025, as mulheres representaram 59% dos pacientes que relataram
uso prévio de cigarros eletrônicos.
Em relação à faixa
etária, a maior concentração de pacientes com histórico de uso de vape está
entre adultos de 30 a 39 anos, que representam 39% do total, seguidos pelo
grupo com menos de 30 anos (28%). Pacientes entre 40 e 49 anos correspondem a
21% dos casos, enquanto aqueles com 50 anos ou mais representam 12%.
Apesar de ainda
representar uma parcela relativamente pequena entre os pacientes atendidos, o
crescimento progressivo do uso de dispositivos eletrônicos preocupa
especialistas, especialmente diante da percepção de que os vapes seriam menos
nocivos à saúde e poderiam auxiliar na cessação do tabagismo sem riscos.
Neste 31 de maio, data em que é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas do Prevfumo reforçam a importância da conscientização sobre os riscos relacionados aos dispositivos eletrônicos e da busca por acompanhamento especializado para parar de fumar, sem a adoção de outras práticas prejudiciais.
O PrevFumo oferece atendimento gratuito pelo SUS. Para agendamento, os pacientes podem entrar em contato pelos telefones (11) 5572-4301 e (11) 5576-4848 (VOIP: 7004).
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