Especialista da Unifran desmistifica o
comportamento dos bichanos, mapeia as áreas 'proibidas' e ensina como
conquistar a confiança do animal respeitando seus limites
No dia 4 de junho,
comemora-se o Dia de Abraçar seu Gato. No entanto, para os tutores de
felinos, a data traz uma dúvida muito comum: os gatos realmente gostam de
abraços e carinhos intensos como outros animais de estimação ou a forma deles
de receber afeto é mais complexa?
Diferentemente dos cães, os felinos possuem uma linguagem própria e muito mais
seletiva quando o assunto é o toque físico. Para ajudar os tutores a entenderem
melhor seus companheiros de quatro patas, a Profa. Dra. Valeska Rodrigues,
docente do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Franca (Unifran),
mapeia o que é permitido e o que é proibido na hora de demonstrar amor aos
bichanos.
"Gatos são
mais seletivos quanto ao toque quando comparados aos cães. Existem áreas
permitidas e áreas proibidas no corpo deles. Além disso, há raças de gatos que
são naturalmente mais permissivas e outras mais arredias. Cada indivíduo tem
sua personalidade", explica a veterinária.
Mapeando o
corpo do gato: áreas permitidas e proibidas
Para não correr
riscos de levar uma patada ou um arranhão de aviso, é importante saber onde o
carinho é bem-vindo e quais partes do corpo do felino são consideradas
"zonas restritas":
- Zonas
Verdes (pode acariciar!): o dorso (as costas), a
testa (bem próximo ao nariz) e a região do queixo são as áreas prediletas
da grande maioria dos felinos.
- Zonas Vermelhas (evite tocar!): a cauda é uma região extremamente sensível e deve ser evitada. A barriga também é uma área restrita e de forte instinto de autodefesa para eles.
A docente da
Unifran revela que até na mesma casa as personalidades variam muito.
"Tenho duas gatinhas. Uma delas permite que eu a segure no colo como se
fosse um bebê; já a outra, em menos de 30 segundos, já está tentando
fugir", conta a Dra. Valeska.
Sinais verdes
x sinais vermelhos: aprenda a ler seu gato
Os gatos se
comunicam o tempo todo por meio da linguagem corporal. A especialista ensina a
identificar os sinais claros de que o canal de comunicação está aberto, ou de
que é melhor dar um espaço para o animal:
- Sinais
de que o gato está amando o carinho: ele
começa a ronronar (aquele barulho característico e relaxante), eleva a
cauda, esfrega a cabeça nas mãos do tutor, rola no chão e pode até tentar "agarrar"
as mãos de quem está acariciando de forma dócil.
- Sinais
de desconforto (hora de parar!): o gato vira as orelhas para
trás, tenta se esquivar do toque ou solta miados longos e espontâneos. Se
esses avisos forem ignorados, o próximo passo natural dele será recorrer a
arranhões ou mordidas de advertência.
Gatos são
"interesseiros"? Como construir um vínculo de confiança
Uma das brincadeiras mais comuns sobre os felinos é que eles seriam animais "interesseiros". A médica veterinária desmistifica essa fama de forma bem-humorada, explicando que o segredo para conquistar o afeto do animal está em oferecer estímulos positivos que façam sentido para ele.
"Se o tutor oferece algo que os cativa, com certeza já será o início do vínculo. Basta jogar uma bolinha de papel ou mostrar onde está o pote de ração fresca. Eles já elevam a cauda e se aproximam felizes. Nesse momento de interação positiva, a carícia nas costas já é aceita de primeira", orienta a veterinária.
A especialista reforça que o respeito ao tempo e espaço do felino é a chave de ouro da convivência. "Em pouco tempo, seguindo essa rotina de carinho respeitoso, os bichanos estarão deitados em cima dos tutores, dormindo nas pernas ou no próprio travesseiro. Mas lembre-se da regra máxima dos felinos: eles fazem isso quando eles querem, e não quando o tutor quer!", finaliza a docente.
Unifran
www.unifran.edu.br
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