Uso de reconhecimento facial, aplicativos e portarias digitais amplia necessidade de proteção de dados de moradores e visitantes
A digitalização
dos condomínios trouxe mais praticidade para moradores e administradores, mas
também aumentou os riscos relacionados à exposição de dados pessoais.
Informações de moradores, registros de visitantes, imagens de câmeras,
cadastros em aplicativos, documentos e até dados biométricos passaram a
circular diariamente em sistemas digitais, muitas vezes sem protocolos
adequados de proteção.
Mesmo após quase
seis anos da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), muitos
condomínios ainda negligenciam a adequação às normas de segurança da
informação, o que pode gerar processos judiciais, indenizações e até multas.
“O condomínio
também é responsável pelo tratamento de dados pessoais. Hoje existe um volume
enorme de informações sendo coletadas diariamente e muitos síndicos ainda não
percebem o tamanho da responsabilidade que isso representa”, explica Humberto
Watanabe, especialista em gestão de condomínios e CEO da Ghaw Terceirização de
Serviços.
Segundo o
especialista, o cenário mudou rapidamente nos últimos anos com a expansão das
portarias remotas, sistemas de reconhecimento facial, aplicativos de gestão
condominial e controles digitais de acesso. Porém, em muitos casos, a preocupação
com a segurança desses dados não acompanhou a evolução tecnológica.
“Hoje é comum
condomínios armazenarem imagens, documentos, dados biométricos e informações de
visitantes sem critérios claros de armazenamento, acesso e descarte. Isso
aumenta muito o risco de vazamentos e uso indevido dessas informações”, alerta.
Riscos vão
além das multas
A exposição
indevida de dados pode trazer consequências financeiras e jurídicas para os
condomínios. Entre os problemas mais comuns estão:
- compartilhamento
indevido de imagens de câmeras de segurança;
- exposição
de moradores em grupos de WhatsApp;
- vazamento
de documentos de visitantes;
- acesso
irregular a cadastros de moradores;
- armazenamento
inseguro de informações pessoais;
- uso
inadequado de dados biométricos.
Além das
penalidades previstas na LGPD, moradores e visitantes que se sentirem
prejudicados podem ingressar com ações judiciais por danos morais. “A LGPD não
se resume apenas a evitar multas. O principal ponto é garantir privacidade,
segurança e transparência no uso das informações pessoais. Hoje, qualquer
incidente envolvendo dados pode gerar desgaste para a imagem do condomínio e
conflitos entre moradores”, afirma Humberto Watanabe.
Treinamento e
políticas internas são fundamentais
De acordo com o
especialista, muitos problemas acontecem por falta de orientação das equipes
que atuam nos condomínios. Porteiros, zeladores, administradores e empresas
terceirizadas precisam estar preparados para lidar corretamente com os dados
pessoais.
“O treinamento é
essencial para evitar erros simples do dia a dia, como compartilhar informações
sem autorização ou armazenar documentos de forma inadequada. Muitas vezes o
problema não está na tecnologia, mas na falta de processos internos”, destaca.
Entre as medidas
recomendadas para adequação à LGPD estão:
- criação
de políticas internas de proteção de dados;
- definição
de regras de acesso às informações;
- controle
sobre armazenamento e descarte de documentos;
- revisão
de contratos com empresas terceirizadas;
- treinamento
das equipes operacionais;
- maior
transparência sobre coleta e utilização de dados;
- revisão
do uso de reconhecimento facial e biometria.
A responsabilidade pela proteção das informações não é apenas do síndico. Administradoras, empresas de portaria remota, prestadores de serviços e fornecedores de tecnologia também precisam atuar em conformidade com a legislação.
“A tecnologia trouxe muitos benefícios para os condomínios, mas também aumentou a responsabilidade sobre os dados pessoais. A adequação à LGPD deixou de ser uma questão opcional e passou a ser uma necessidade de gestão e segurança”, finaliza Humberto Watanabe.
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