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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Como treinar depois de parar de fumar

Retomadas muito intensas após longo período de tabagismo e sedentarismo escondem riscos importantes 

 

A adoção de hábitos de vida mais saudáveis nos últimos anos levou muita gente para quadras, parques e academias, tirou muita gente de centros cirúrgicos e pronto-socorros de hospitais e esvaziou fumódromos mundo afora. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que em 2025 havia 180 milhões de fumantes a menos no mundo do que no ano 2000. Em termos percentuais, a queda é ainda mais impressionante. Estima-se que no início do milênio um terço da população mundial fumava. Atualmente seriam 20%.

Não há dúvidas de que essa é uma boa notícia, mas ela também inspira cuidados. Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) acompanhou mais de 5 mil adultos por 25 anos e concluiu que ex-fumantes tendem a aumentar gradualmente a prática de atividade física após abandonar o cigarro (outra boa notícia). 

O cuidado que é preciso ter, principalmente na fase inicial, está relacionado à intensidade e à frequência. Os anos de tabagismo deixam marcas pelo corpo. O cigarro reduz a quantidade de oxigênio que chega aos músculos, os pulmões perdem capacidade, os vasos sanguíneos vão sendo danificados ao longo do tempo, o que dificulta a recuperação depois de qualquer esforço físico. 

Um reencontro com exercícios físicos de maneira muito entusiasmada pode resultar em falta de ar intensa, dores no peito, tontura, arritmias e outras complicações cardiovasculares. “O cigarro agride diretamente os vasos sanguíneos e compromete muito a circulação ao longo do tempo. Ele aumenta a inflamação, favorece o entupimento das artérias e reduz a oxigenação dos tecidos. Na prática, a pessoa perde condicionamento, sente mais cansaço, falta de ar e tem uma recuperação física pior”, afirma a cirurgiã vascular Aline Lamaita.

Uma retomada bem orientada, com acompanhamento médico e de um profissional de educação física, é a melhor maneira de continuar uma jornada rumo a uma vida mais saudável. “O ideal é começar de forma progressiva e, dependendo da idade e dos fatores de risco, fazer uma avaliação médica antes de entrar em exercícios de alta intensidade”, afirma Lamaita. “Num primeiro momento, exercícios aeróbicos de baixa a moderada intensidade são os mais indicados. Caminhada, bicicleta e natação ajudam o sistema pulmonar a se readaptar sem sobrecarga”, diz.

A musculação também pode e deve entrar na rotina desde cedo, com acompanhamento adequado. Segundo o treinador Lucas Florêncio, da Smart Fit, combinar aeróbico com treino de força é especialmente estratégico nessa fase.

"A musculação ajuda a preservar a massa muscular e manter o metabolismo ativo, enquanto os exercícios aeróbicos contribuem para a melhora da capacidade cardiorrespiratória", diz.

Uma das principais preocupações de quem consegue abandonar o vício no cigarro é engordar, já que a retirada da nicotina aumenta o apetite e reduz temporariamente o gasto energético. A musculação também pode ser uma aliada no combate ao ganho de peso. "O aumento da massa muscular contribui para elevar o gasto energético diário e ajuda no controle da composição corporal", afirma Florêncio.

A atividade física também é aliada para enfrentar sintomas de abstinência. O exercício estimula a liberação de endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores associados ao bem-estar, o que ajuda a reduzir a ansiedade, estresse e a fissura pelo cigarro. “Isso ajuda muito porque melhora não só o corpo, mas também o comportamento e a saúde mental durante esse processo. O exercício ajuda a controlar a ansiedade, reduz estresse, melhora o sono e ainda diminui aquela sensação de abstinência que muitos pacientes sentem ao parar de fumar”, afirma a médica.

É preciso estar atento ao eventual surgimento de alguns sintomas: falta de ar excessiva, tontura, dor no peito, chiado respiratório ou recuperação muito lenta após o esforço. Nesses casos, a orientação é interromper a atividade e procurar um médico imediatamente. “O mais importante é respeitar o corpo nesse retorno e não tentar compensar anos de tabagismo de uma vez só”, afirma Lamaita.

  

Grupo Smart Fit


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