A hipertensão
arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma das condições
crônicas mais comuns no Brasil, mas parte dos casos tem origem hormonal e
permanece sem diagnóstico. O aldosteronismo primário, também chamado de
hiperaldosteronismo primário (HAP) ou síndrome de Conn, ocorre quando as
glândulas suprarrenais produzem aldosterona em níveis acima do adequado. Esse
hormônio regula sódio, potássio e o volume de líquidos no organismo; quando há
excesso, ocorre retenção de sódio, perda de potássio e aumento sustentado da
pressão arterial.
Apesar da
relevância, essa causa de hipertensão ainda não faz parte da triagem inicial em
grande parte dos atendimentos médicos. “O aldosteronismo primário é uma causa
tratável de hipertensão e ainda é subdiagnosticado. Muitos pacientes convivem
com a pressão alta por longos períodos sem investigar a possibilidade de um
distúrbio hormonal associado”, afirma a Dra. Marilia Bortolotto Felippe Trentin,
endocrinologista membro da diretoria da Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).
Além da
hipertensão de difícil controle, sintomas como cefaleia, alterações de visão,
fadiga, câimbras e sintomas relacionados à redução do potássio podem acontecer.
Adultos na faixa etária entre 30 e 50 anos são os mais propensos a desenvolver
aldosteronismo primário.
“Quando a hipertensão
é resistente ou há redução do potássio sem causa aparente, o HAP deve ser
considerado. Embora a triagem ainda não faça parte da rotina, ela deveria ser
incorporada aos protocolos”, ressalta a médica.
Ela ainda explica
que, embora o exame de sangue em jejum seja o exame de rotina para diagnosticar
aldosteronismo primário, a variação natural dos hormônios ao longo do dia pode
interferir na precisão dos resultados - e entender essa variação é fundamental para
reduzir falsos negativos e direcionar corretamente o tratamento.
“Com o diagnóstico estabelecido, o tratamento varia de acordo com a origem do excesso de aldosterona. Na hiperplasia bilateral, que acomete as duas glândulas suprarrenais, a abordagem é clínica, com uso de medicamentos que bloqueiam a ação da aldosterona. Já quando há um nódulo produtor em apenas uma das glândulas, a cirurgia pode normalizar a pressão arterial”, detalha Dra. Marília.
SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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