
Estudo da UFRGS e HCPA estima que mais de
500 mil pessoas tem a doença no Brasil
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Pesquisa
ainda estima que, até 2060, mais de 1 milhão de casos serão identificados.
Entre os tratamentos, a estimulação cerebral profunda proporciona grandes
resultados.
O mês de abril tem entre datas sobre
saúde a campanha Tulipa Vermelha, que busca conscientizar a população sobre
a doença de Parkinson, condição neurodegenerativa que afeta milhões
de pessoas no mundo. Um estudo publicado em 2025 pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)
estima que mais de 500 mil pessoas com 50 anos ou mais vivem atualmente com a
doença no Brasil. O número pode chegar a 1,2 milhões até 2060.
Caracterizada pela diminuição gradativa
da produção de dopamina no sistema nervoso, proteína essencial para o movimento,
a doença tem como fatores de risco a predisposição genética, a exposição
ambiental a toxinas, tais como agrotóxicos e pesticidas, além do próprio
envelhecimento do corpo humano.
Segundo o neurocirurgião funcional do
Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, Dr. Luciano Furlanetti (CRM 121022
/ RQE: 90250), o diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por
especialistas através da avaliação de sinais como tremor de repouso, lentidão
de movimentos, rigidez muscular e alterações de equilíbrio. Além dos sintomas
motores, os pacientes podem, eventualmente, apresentar fadiga, transtornos do
sono, do humor, alteração do olfato e declínio cognitivo.
“Embora ainda não exista uma cura
definitiva, o tratamento evoluiu significativamente, apoiado no tripé de medicamentos,
reabilitação física com fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia e, em casos
específicos, a cirurgia”, comenta.
A estimulação cerebral profunda,
conhecida como DBS (Deep Brain Stimulation), é um dos grandes
destaques na área. O procedimento consiste no implante de eletrodos no cérebro
conectados a um gerador, funcionando como um "marca-passo
cerebral".
"O tratamento cirúrgico é uma
ferramenta consolidada e segura que atua no controle dos sintomas motores,
permitindo a redução do tremor, da rigidez e, em muitos casos, da própria carga
medicamentosa", explica o especialista, que tem experiência de mais de 15
anos cuidando de pessoas com doença de Parkinson.
O procedimento é indicado
principalmente para pacientes que apresentam oscilações nos movimentos, movimentos
involuntários ou tremores que já não respondem bem aos medicamentos.
"Estamos vivendo uma fase de
medicina de precisão, com cirurgias guiadas por sinais do cérebro e exames de
imagem avançados, além de avanços constantes em novos medicamentos e métodos de
reabilitação, o que nos permite melhorar a qualidade de vida e dar mais
autonomia aos pacientes", afirma o médico.
Além disso, pesquisas atuais buscam
desenvolver novas terapias, como medicamentos que podem retardar a evolução do
Parkinson, além de estudos que avaliam a segurança e eficácia do transplante de
células-tronco, e sistemas modernos de DBS, capazes de ajustar automaticamente
a estimulação cerebral em tempo real, conforme a necessidade do paciente.
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