O uso das
chamadas canetas emagrecedoras tem se tornado cada vez mais comum no tratamento
da obesidade e do sobrepeso, apresentando resultados importantes quando
indicadas e acompanhadas por profissionais de saúde. No entanto, segundo a
neuropsicóloga Aline Graffiete, é fundamental compreender que essas medicações
não devem ser encaradas como uma solução permanente ou de uso contínuo ao longo
da vida.
De acordo com a
especialista, as canetas não são medicamentos de uso crônico e, em algum
momento do tratamento, o desmame é necessário. “O grande desafio surge
justamente na retirada da medicação. Sem suporte emocional e comportamental,
muitas pessoas acabam retomando padrões antigos de alimentação, especialmente
aqueles ligados à ansiedade, ao estresse e à desregulação emocional”, explica
Aline Graffiete.
A neuropsicóloga
destaca que a terapia tem um papel central nesse processo de transição. “A
medicação atua no controle do apetite e da saciedade, mas não ensina a pessoa a
se relacionar com a comida. É na terapia que o indivíduo aprende a identificar
gatilhos emocionais, reconhecer padrões de comer compulsivo e desenvolver
estratégias mais saudáveis para lidar com as emoções”, afirma.
Segundo Aline, é comum que a comida seja utilizada como um recurso emocional para aliviar sentimentos como frustração, cansaço, solidão ou ansiedade. “Quando a caneta é retirada, essas emoções continuam existindo. Sem ferramentas emocionais, o risco de recaída é alto. A terapia ajuda a construir autonomia emocional, para que o comer deixe de ser a principal forma de regulação”, reforça.
Para a especialista, o sucesso do tratamento vai além da perda de peso. “Resultados sustentáveis dependem de mudança de comportamento, consciência emocional e acompanhamento multidisciplinar. A combinação entre orientação médica, terapia psicológica e educação emocional é o que permite manter os ganhos ao longo do tempo, sem dependência indefinida da medicação”, conclui Aline Graffiete.
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