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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Janeiro Roxo: 5 curiosidades históricas sobre a hanseníase

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Especialista lembra a importância de conhecer a história e conscientizar sobre a hanseníase


Culminando com a passagem do Dia Mundial contra a Hanseníase (25/01), o movimento de conscientização Janeiro Roxo lembra a importância de conhecer a história e combater o estigma da doença. 

Embora a hanseníase seja antiga, ainda carrega preconceitos e desinformação, reforçados por séculos de estigmatização. 

Divulgação
Para ajudar o público a compreender a doença e suas transformações ao longo do tempo, o médico infectologista Eduardo Toffoli Pandini, autor do livro "De Miasmas a Vacinas – Uma História das Doenças Infecciosas", compartilha curiosidades históricas e informações científicas sobre o tema.

 

1 - A hanseníase é mais antiga que a própria humanidade moderna

Os ancestrais do Mycobacterium leprae e do M. lepromatosis já causavam doença milhões de anos antes do surgimento do Homo sapiens, quando nossos ancestrais ainda viviam nas árvores.

 

2 - Confusão de diagnósticos na Antiguidade

Na Antiguidade, a hanseníase era frequentemente confundida com outras doenças de pele. Termos como “lepra” ou “tzaraat” designavam um conjunto amplo de enfermidades, e o diagnóstico tinha mais base religiosa e moral do que médica. Entre os hebreus, a tzaraat era vista como sinal de impureza ritual e, muitas vezes, punição divina, e o isolamento era determinado por sacerdotes.

 

3 - Percepção na Idade Média

Durante a Idade Média, pessoas com hanseníase nem sempre eram segregadas: muitas vezes eram vistas como figuras de sofrimento ou dignas de caridade. Com o tempo, surgiram os leprosários ligados a igrejas, que funcionavam como espaços de acolhimento, disciplina religiosa e assistência.

 

4 - Mudança com o medo do contágio

A percepção começou a mudar principalmente após a Peste Negra. A hanseníase passou a ser associada ao perigo sanitário, aumentando a segregação e alterando a forma como os doentes eram vistos.

 

5 - Descobertas científicas

Nos séculos XIX e XX, a microbiologia permitiu compreender a hanseníase como doença infecciosa. Além do clássico M. leprae, em algumas regiões da América Latina a doença é causada pelo M. lepromatosis, cuja linhagem se separou da do M. leprae há cerca de dez milhões de anos.

 

6 - Migração e disseminação pelo planeta

Evidências genéticas indicam que alguns humanos já carregavam linhagens de M. leprae quando saíram da África no Paleolítico. A bactéria se espalhou com as migrações humanas pelo Oriente Médio, Ásia, Europa, África e, mais tarde, para as Américas.

 

7 - Transmissão lenta e convivência prolongada

Embora transmitida principalmente pela respiração, a hanseníase exige contato íntimo e prolongado, geralmente por dias ou semanas, para que a infecção ocorra, sendo comum entre pessoas que convivem no mesmo domicílio.

 

8 - Estigma histórico e deformidades

As formas mais graves acometem nervos e extremidades mais frias do corpo, como nariz, orelhas, mãos e pés, provocando deformidades visíveis. Essas imagens reforçaram o estigma histórico da doença, mesmo com sua baixa transmissibilidade.

 

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