Às
vezes, o sorriso esconde uma guerra silenciosa: dentro de si, tantas pessoas
repetem, dia após dia, a frase “Eu tenho que dar conta.” É um sussurro
insistente, que pesa no peito, tira o sono e rouba cada pedacinho de paz. Quem
vê de fora, nem sempre imagina o quanto esse pensamento pode machucar.
Janeiro
Branco é mais do que uma campanha — é um grito coletivo por esperança,
transformado em lei (Lei nº 14.556/2023) para lembrar que saúde mental não pode
esperar. Os números da OMS e do Ministério da Saúde revelam uma realidade dura:
milhares de corações sofrendo com transtornos mentais e o terrível peso do
suicídio. Isso dói, e precisamos falar.
Por que falar sobre saúde mental é importante
Conectar-se
com seus sentimentos é um ato de coragem. Quando a gente reconhece a dor, pode
buscar ajuda antes que ela cresça — mesmo que o medo do julgamento tente
impedir. O silêncio imposto pelo estigma faz a ferida sangrar por dentro. Por
isso, campanhas são sopros de vida, mas o cuidado verdadeiro acontece todos os
dias, em cada escolha de amor próprio.
A frase que governa você por dentro
A
mente, muitas vezes, se transforma em juíza impiedosa, ecoando “Se eu parar,
desmorono.” É uma dor muda, sufocante, como gritos presos sem voz. Mas existe
outro caminho: transformar essa brutalidade interna em carinho, em autocuidado,
em acolhimento.
Como cuidar da saúde mental na prática:
1) Reconheça o que sente.
Ninguém
é fraco por sentir. Ninguém é estranho por ter medo, tristeza ou ansiedade.
Abra espaço dentro de si para tudo isso, sem julgar. Apenas sinta — isso já é
um alívio.
2) Questione seus pensamentos.
Se
a nuvem negra das crenças negativas pairar sobre você, questione-a com ternura
e sinceridade. O que é real? O que é exagero da mente cansada? Seja honesto
consigo — e gentil. Isso cura por dentro.
3) Dê passos pequenos e diários.
Uma
caminhada de 10 minutos pode tornar o dia mais leve;
Permita-se
um banho consciente, longe das telas — só o som da água e do seu próprio
coração;
Fale com alguém em quem confia. Não guarde a dor só para si;
Deite
mais cedo, abrace o sono como quem abraça a si mesmo;
Diminua
um pouco a exposição digital e redescubra os silêncios.
4) Reconheça roteiros antigos e mude-os.
Quantas
vezes você ouviu ou disse para si mesmo: “Eu só mereço descanso depois de
sofrer”? Isso te ensinaram, mas não precisa continuar te guiando. Você merece
leveza. Você merece descanso, simplesmente porque existe.
5) Pratique uma responsabilidade amorosa.
A
autocrítica tenta nos proteger, mas ela corta. Experimente trocar por mensagens
de gentileza para si mesmo. Escreva, repita, se acolha. O coração pede carinho.
E
a espiritualidade?
Ela
não faz a dor sumir como mágica, mas oferece sentido, aconchego e mãos
estendidas. Praticar oração sincera, silenciar o coração, buscar apoio numa
comunidade, agradecer e reconciliar-se consigo são formas de nutrir a alma, de
construir força onde só havia cansaço.
Fé
é um abraço que fortalece para enfrentar o autocuidado. Ela inspira, mas jamais
substitui o cuidado psicológico.
Se
o cansaço pesa, se a raiva explode ou se você mal percebe quando o dia termina,
esse é o seu corpo e mente gritando por socorro. Isso não é fraqueza — é
humanidade. Por favor, escute esse pedido. Responda com carinho.
Procure um psicólogo, permita-se iniciar um novo caminho
de cuidado e redenção. E se precisar de apoio imediato, não hesite: no Brasil,
o CVV (188) está de coração aberto, dia e noite, para te ouvir.
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