Stanford desenvolveu uma IA capaz de analisar dados de uma única noite de sono e prever o risco de desenvolvimento de 130 condições médicas anos antes do aparecimento dos sintomas.
Pesquisadores de Stanford desenvolveram
uma inteligência artificial capaz de analisar dados de uma única noite
de sono e prever o risco de desenvolvimento de mais de 130 condições médicas
anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
O modelo, batizado de SleepFM, foi treinado com quase 585
mil horas de registros de polissonografia de aproximadamente 65 mil
participantes. Os resultados, publicados na Nature Medicine, demonstram
precisão particularmente alta para condições cardiovasculares e neurológicas:
mortalidade por todas as causas (C-Index de 0,84), demência (0,85), infarto do
miocárdio (0,81) e insuficiência cardíaca (0,80).
"Registramos um número impressionante de sinais
quando estudamos o sono", explica Emmanuel Mignot, professor de Medicina
do Sono em Stanford e coautor sênior do estudo. "É um tipo de fisiologia
geral que estudamos por oito horas em um indivíduo que está completamente sob
observação."
A linguagem do sono
O diferencial do SleepFM está na capacidade de integrar
múltiplos fluxos de dados fisiológicos simultaneamente: eletroencefalografia,
eletrocardiografia, eletromiografia, leituras de pulso e fluxo de ar
respiratório. A técnica desafia o modelo a reconstruir dados ausentes com base
em outros sinais, ensinando-o como diferentes sistemas corporais interagem durante
o sono.
"O SleepFM está essencialmente aprendendo a
linguagem do sono", resume James Zou, professor associado de ciência de
dados biomédicos e coautor do estudo.
Os pesquisadores descobriram que sistemas corporais
dessincronizados durante o sono — como um cérebro que parece adormecido, mas um
coração que parece acordado — indicam potenciais problemas de saúde. Essa
descoberta pode revolucionar a medicina preventiva, permitindo intervenções
precoces antes mesmo do desenvolvimento de sintomas.
A maior coorte de pacientes veio do Stanford Sleep
Medicine Center, fundado em 1970 por William Dement, considerado o pai da
medicina do sono. Os 35 mil pacientes da clínica tinham idades entre 2 e 96
anos, com dados registrados entre 1999 e 2024 combinados a prontuários
eletrônicos que forneceram até 25 anos de acompanhamento.
Além de condições cardiovasculares, o modelo demonstrou
forte desempenho na previsão de Parkinson (C-Index 0,89), câncer de próstata
(0,90), câncer de mama (0,90) e doença cardíaca hipertensiva (0,88). A equipe
agora trabalha para melhorar as previsões e desenvolver técnicas que expliquem
quais padrões fisiológicos a IA identifica ao fazer previsões de doenças
específicas.
Victor Hugo Bin - redatorda StartSe
Fonte: https://www.startse.com/artigos/ia-preve-130-doencas-a-partir-de-uma-noite-de-sono/?utm_campaign=Newsletters&utm_medium=email&_hsenc=p2ANqtz-9usCKCOHXN10es3Wx9RKbzDMoRFBt5u4XznPrSLTh0K-XpnwOhcJy99P3XNV0qfb2J5X-MZ0qOmihDdoNpVbIDJmANfIUD4Itk0UWxHjTtbVcvJRs&_hsmi=397367243&utm_content=397367243&utm_source=hs_email

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