Antecipação,
recursos visuais e co
municação são necessários para tornar a viagem mais
tranquila e divertida para toda a família
As viagens proporcionam um momento único para as
famílias desfrutarem de momentos juntos. Para crianças neurodivergentes com TEA
(Transtorno do Espectro Autista), TDAH, Dislexia, etc, algumas estratégias
específicas ajudam a garantir que esse momento seja tranquilo e prazeroso.
Neste cenário, é essencial que as famílias de crianças com TEA se preparem com
antecedência para minimizar imprevistos e proporcionar uma experiência
confortável e divertida para todos.
“Muitas pessoas cuidadoras ainda se preocupam ao
viajar com crianças autistas, especialmente durante as férias, quando é comum
visitar lugares novos e mais movimentados. Porém, ao planejar a viagem, é
fundamental oferecer previsibilidade, fazer combinados com todos os envolvidos
e incluir esses cuidados no planejamento para garantir uma experiência mais
agradável e memorável para a criança e a família”, explica a psicóloga e
Orientadora da Genial Care, Caroline Rorato.
A importância da rotina para
os neurodivergentes
É comum que as pessoas autistas se apeguem à
rotina, já que ela proporciona previsibilidade e evita surpresas, ajudando a
lidar com o mundo ao seu redor. Alterações na rotina, como mudanças de casa ou
ajustes em atividades diárias, podem gerar desconforto e até mesmo sobrecarga
sensorial, levando a crises, por exemplo.
Caroline ressalta a importância de os cuidadores
reconhecerem que a interrupção nas atividades escolares e a alteração na rotina
podem causar desconforto à criança. “As interações com a criança devem ser
cuidadosamente planejadas e executadas neste período, em que são comuns
situações em que a criança pode se expor a diferentes estímulos”, destaca.
Como planejar uma viagem sendo
uma família atípica?
Para auxiliar as famílias que planejam viajar com
crianças neurodivergentes reunimos algumas dicas práticas que podem tornar a
experiência mais tranquila e agradável:
1) Proporcione previsibilidade
durante a viagem
É essencial disponibilizar com antecedência todas
as informações importantes para a criança, mantendo contato com a equipe multidisciplinar
que a acompanha. Desenvolva um roteiro detalhado para ajudar a criança a
entender e se preparar para o momento.
Explique o destino da viagem, o meio de transporte
utilizado, a duração do percurso e detalhe, de forma clara e objetiva, o que é
permitido ou não. Conte histórias relacionadas ao lugar, como memórias afetivas
divertidas sobre os avós, por exemplo.
Leve brinquedos favoritos ou objetos que auxiliam a
criança a se autorregular e descreva sempre o que está acontecendo,
principalmente em situações inéditas. Evite forçar experiências ou situações
que a criança não deseja vivenciar, para não provocar desconforto ou aversão.
2) Utilize recursos visuais
Os recursos visuais são ferramentas eficazes na
comunicação alternativa com pessoas no espectro autista. Antes da viagem,
elabore uma rotina visual personalizada, utilizando ilustrações que representem
as atividades programadas ou desenhos que detalham o passo a passo da jornada.
Apresente fotos do destino, do local de hospedagem,
das paisagens e de pontos de interesse que atraiam a atenção da criança. Criar
um quadro visual com as etapas do dia ou da viagem pode ajudar a criança a se
situar melhor, principalmente se o planejamento for revisto previamente.
Histórias sociais também são úteis para prepará-la para possíveis desconfortos
ou situações inesperadas.
3) Faça pequenos passeios
antes da viagem
Use passeios curtos, como idas a praças ou parques,
como uma forma de treino. Intercale momentos em locais mais movimentados com
períodos em áreas mais calmas, para a criança poder se regular. Preste atenção
aos sinais de desconforto ou sobrecarga sensorial.
Observar como a criança reage a novos estímulos
nesses pequenos passeios pode fornecer insights valiosos sobre como lidar com
situações semelhantes durante a viagem.
4) Comunique-se com as pessoas
envolvidas
Além de preparar a criança autista, é igualmente
importante conversar com todos os participantes da viagem. Ao visitar
familiares ou amigos, informe sobre as necessidades específicas da criança,
estabeleça limites e compartilhe informações sobre a rotina, preferências e
possíveis sensibilidades.
Hotéis e empresas de transporte também devem ser
comunicados sobre as necessidades especiais da criança, garantindo que os
direitos legais sejam respeitados para evitar contratempos. O uso do cordão com
estampa de quebra-cabeça, símbolo internacional para o Transtorno do Espectro
Autista (TEA), por exemplo, ajuda a identificar e facilitar o acesso aos
direitos em diferentes ambientes.
5) Planeje pausas e momentos
de descanso
Durante a viagem, é fundamental programar
intervalos regulares para a criança poder descansar e se recompor. Evite longos
períodos seguidos de atividades intensas, pois isso pode levar à sobrecarga
sensorial. Escolha lugares tranquilos para essas pausas, onde a criança possa
relaxar, se acalmar e se reequilibrar.
Considere também o uso de fones de ouvido com
cancelamento de ruído ou outros dispositivos que ajudem a bloquear sons
excessivos, caso a criança tenha sensibilidade auditiva. Lembre-se de que uma
viagem agradável depende de momentos de descanso adequados, permitindo que a
criança aproveite melhor cada etapa do percurso.
6) Esteja atento aos sinais da
criança
Preste atenção aos sinais de estresse ou
desconforto que a criança possa apresentar durante a viagem. Mudanças de
comportamento, como agitação, irritabilidade ou inquietação, podem ser
indicadores que a criança está sentindo algum tipo de sobrecarga.
Observe também reações físicas, como a necessidade
de evitar estímulos sensoriais excessivos ou buscar espaços mais tranquilos. Ao
notar esses sinais, tenha um plano de ação preparado para ajudar a criança a se
autorregular, seja oferecendo um objeto calmante, diminuindo a intensidade dos
estímulos ao redor ou alterando a programação da viagem. A flexibilidade é
essencial para garantir o bem-estar da criança.
7) Assegure os direitos de viagem
Além da identificação e da comunicação com os meios
de transporte, é importante conhecer os direitos específicos de viagem para
pessoas com autismo. No transporte aéreo, por exemplo, a legislação prevê
benefícios para o acompanhante.
Conforme a Resolução n.º 280, de 11 de julho de
2013, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a pessoa com autismo paga a
tarifa integral da passagem, enquanto o acompanhante tem direito a pagar apenas
20% do valor original, acrescido da taxa de embarque.
Essa regulamentação se aplica a passageiros com
deficiência que precisam de apoio durante a viagem. Como o autismo é
considerado uma deficiência pela lei, os direitos destinados às Pessoas com
Deficiência (PCDs) também abrangem pessoas no espectro autista.
“Viajar com uma criança autista exige cuidados
especiais, como oferecer previsibilidade, respeitar a rotina e utilizar
estratégias visuais, garantindo uma experiência mais tranquila e agradável para
todos. Além disso, estar atento aos sinais da criança e buscar ambientes mais
calmos quando necessário é fundamental para proporcionar o máximo de conforto e
bem-estar durante a experiência”, conclui a Orientadora Genial da Genial Care,
Caroline Rorato.
Em resumo, a viagem pode ser enriquecedora para a
interação social, mas é fundamental respeitar os limites da criança e estar
preparado para adaptar as atividades das férias conforme necessário.
Genial Care
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