
Créditos imagens: Leandro Martins / Divulgação.
LUZ:
VITRAIS DA SÉ leva
recursos interativos para o grande público
Produzidos entre as décadas de 1940 e 1950, os vitrais da Catedral da Sé são exemplos da riqueza artística e histórica do principal templo da igreja em São Paulo. Com entrada gratuita, a exposição LUZ: VITRAIS DA SÉ oferece ao público um olhar inédito sobre as 56 obras de arte produzidas em vidro. Com autores da Hungria, França, Itália e Brasil, elas trazem desde cenas bíblicas a passagens da história do Brasil.
Fabricados na Itália, França e no Brasil, os vitrais foram desenhados por nomes com importante atuação na arte sacra (tendo obras presentes em catedrais como a de Milão e a basílica Santa Maria Maior, em Roma), arte contemporânea e design. Como, por exemplo, o francês Max Ingrand (1908 – 1969), autor de luminárias de sucesso mundial e um dos responsáveis pela reinstalação dos vitrais da Catedral de Notre Dame, em Paris, após a Segunda Guerra Mundial.
Para contar essas
histórias, foram desenvolvidos recursos que prometem atrair públicos de
diversas idades e interesses. “Buscamos uma aproximação diferente, exibindo
aspectos dos vitrais a partir de imagens e explorações sensoriais que devem
surpreender”, afirma Camilo Cassoli, curador da exposição LUZ:
VITRAIS DA SÉ. “Além de cenas captadas a mais de 20 metros de
altura – evidenciando detalhes que o grande público não tem normalmente acesso
-, há, por exemplo, uma obra que reproduz aromas de elementos naturais
retratados nos vitrais da Sé como uvas, maçãs e espécies de flores”,
complementa. Além de um filme com detalhes das obras de arte, o visitante da
mostra poderá observá-las in loco a partir de lunetas e totens informativos
destacando o que representam, quem são seus autores e onde foram produzidas.
Uma linha do tempo
narra os 280 anos da Diocese / Arquidiocese de São Paulo, comemorados em dezembro
de 2025, e relaciona alguns de seus principais momentos com fotos históricas e
a iluminação pública da cidade.
LUZ:
VITRAIS DA SÉ tem entrada gratuita – sem necessidade
de retirada de ingressos – e acontece no espaço principal da Catedral até 15 de
março de 2026.
Apresentada pela Catedral da Sé e pela Associação de Amigos da Catedral da Sé, a exposição tem produção do Estúdio Centro, Culturart e Parece Cinema, com patrocínio da Prefeitura da Cidade de São Paulo. A classificação etária da mostra é LIVRE.
O desafio
invisível das mulheres ao usar banheiros em eventos
Garantir banheiros
iluminados, acessíveis e seguros é um passo essencial para transformar o setor
em um ambiente de respeito e igualdade para todos os públicos
Em todos os tipos de eventos, sejam pequenos,
médios ou grandes, a experiência de ir ao banheiro pode se transformar em um
momento de tensão para muitas mulheres. A iluminação precária, os trincos frágeis e a
falta de privacidade tornam o uso dos sanitários públicos um desafio que mistura desconforto e insegurança. O simples ato
de fechar a porta e garantir que ninguém a abra torna-se um exercício de
vigilância constante. Somada à ausência de condições básicas de higiene, a
disposição dos banheiros em áreas isoladas ou mal sinalizadas reforça a
sensação de vulnerabilidade. Embora
a pauta da acessibilidade tenha avançado nos últimos anos, o debate sobre a
infraestrutura sanitária feminina ainda carece de atenção, reforçando o quanto
os organizadores dos eventos ignoram as especificidades e as necessidades reais
das mulheres.
O desconforto enfrentado pelas mulheres nesses espaços não se
resume à falta de higiene. As cabines portáteis, em sua maioria, apresentam
design que ignora as necessidades femininas: o espaço interno é limitado, a iluminação é insuficiente e
os trincos, muitas vezes frágeis, não oferecem a segurança necessária.
À noite, a ausência de luz e a localização afastada de muitas dessas estruturas
ampliam a sensação de vulnerabilidade, fazendo com que o simples ato de usar o
banheiro se torne um momento de alerta constante. Diante desse cenário, é comum
que mulheres evitem o uso dos sanitários por longos períodos, causando
desconforto físico e impacto direto no bem-estar durante eventos de todos os
portes.
Garantir conforto e segurança no uso dos
banheiros femininos em eventos exige planejamento e atenção a detalhes que
costumam passar despercebidos. A instalação das cabines deve considerar áreas
bem iluminadas, de fácil acesso e com fluxo constante de pessoas, contando com
segurança feminina, evitando locais isolados ou mal sinalizados. É essencial que os trincos
ofereçam um travamento firme e visível, garantindo privacidade e tranquilidade
a quem utiliza o espaço, além de não apresentarem vãos ou aberturas
desnecessárias que comprometam a segurança. Para Wéber Moreira, sócio e
fundador da Ativa Locação,
a escolha do toalete é um ato de respeito e cuidado. “A mulher precisa se
sentir segura em todos os aspectos, inclusive dentro do banheiro. Um evento só
é bem-sucedido quando oferece condições reais de conforto e dignidade para
todos os públicos”, destaca.
O compromisso com a segurança feminina deve estar presente desde o
planejamento até a instalação final. Detalhes como a escolha do terreno, a
iluminação noturna e a manutenção constante das cabines fazem parte de uma
cultura de responsabilidade que ainda precisa ser fortalecida no setor de
eventos. Garantir espaços
seguros e adequados não é um diferencial, mas uma necessidade básica para
promover experiências verdadeiramente inclusivas e humanas.
Em 2017, a então estudante Zaza Scopel, do Instituto Federal de
Santa Catarina (IFSC), analisou a infraestrutura dos banheiros portáteis sob a
ótica do público feminino em seu trabalho de conclusão de curso e revelou o
quanto o tema ainda é negligenciado. O
estudo mostrou que a estrutura desses sanitários, em sua maioria, não contempla
aspectos ergonômicos e de segurança essenciais às mulheres. A
falta de iluminação adequada, os trincos e estruturas frágeis e a ventilação
insuficiente criam um ambiente desconfortável e, muitas vezes, inseguro. Oito
anos após a publicação, o cenário permanece praticamente o mesmo: as decisões sobre instalações sanitárias
nos eventos seguem pautadas pela economia, em detrimento da segurança e da
integridade das mulheres, evidenciando o quanto ainda podemos avançar na
construção de espaços verdadeiramente inclusivos.
“Como produtora de eventos, eu entendo os motivos da escolha do
modelo mais barato. Existe uma relação clara entre custo-benefício, estrutura
do evento, preço do ingresso e o conforto oferecido ao público. Não houve
mudanças significativas, nem no modelo, nem no formato. Desde a época da minha
pesquisa até hoje, o que aconteceu foram pequenas evoluções em termos de
alternativas e de conscientização. As soluções adotadas hoje giram em torno da
forma como os sanitários são alocados e configurados, geralmente em formato de
‘U’, com uma equipe de segurança próxima”, explica Zaza Scopel, produtora de
eventos e responsável pelo Trabalho de Conclusão de Curso “Banheiro químico
feminino: pensando a segurança, higiene e o conforto da mulher em eventos
públicos”.
Garantir segurança e conforto às mulheres em eventos exige mais do que a simples instalação de cabines sanitárias. É necessário um planejamento que considere iluminação adequada, posicionamento estratégico dos banheiros e manutenção constante ao longo do evento. Essas medidas, embora pareçam básicas, são decisivas para evitar situações de vulnerabilidade e desconforto. No entanto, o que se observa na prática é que muitas decisões ainda priorizam a economia e a logística em detrimento da experiência do público. Para Zaza, essa mudança de mentalidade é urgente. “Desde a época em que realizei minha pesquisa e, depois, com a oportunidade de ver isso de perto, percebi claramente a diferença na estrutura dos banheiros, por exemplo, do The Town, evento do qual participei e posso falar com mais propriedade. Esses banheiros são construídos ou instalados em contêineres, o que já garante uma logística de manutenção muito melhor. Eles possuem um sistema de esgotamento próprio, que recolhe tanto os resíduos dos vasos quanto os direciona para caminhões responsáveis pela coleta, como os de fossa séptica. Isso faz com que o ambiente seja completamente diferente: o cheiro é controlado, o visual é mais limpo e a iluminação é bem planejada. Essa solução de banheiro em contêiner, sem dúvida, seria a mais adequada para eventos de todos os tipos de porte e ao ar livre”, explica Zaza. Mas ela alerta: “Quando analisamos a realidade atual, a diferença de orçamento entre um modelo e outro é significativa. Esses banheiros em contêiner são conhecidos como ‘banheiros VIP’ ou ‘banheiros VIP luxo’, conforme os fornecedores denominam”.
Promover a equidade em espaços coletivos passa, necessariamente, por repensar a infraestrutura que acolhe o público. Quando o planejamento de um evento considera a segurança e o conforto das mulheres, ele reafirma o respeito à diversidade e à integridade de todos os participantes. A experiência de ir ao banheiro, algo tão cotidiano, não deveria despertar medo ou desconforto. Tratar essa questão como prioridade, e não como detalhe, é um passo essencial para transformar eventos em ambientes verdadeiramente inclusivos, em que cada pessoa viva o momento com tranquilidade, respeito e pertencimento. “Quando falamos de estrutura para o público feminino, falamos de segurança, respeito e dignidade. Cada detalhe, da luz ao trinco da porta, influencia a sensação de proteção e no bem-estar de quem frequenta o evento”, finaliza Moreira.
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