Medicamentos
podem auxiliar no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças
consistentes de hábitos
Chegou o verão, e,
com ele, certa pressão pela atenção das pessoas para a imagem corporal. Daí, a
proximidade do carnaval intensifica ainda essa pressão. Ao mesmo tempo, médicos
alertam que buscar perda de peso apenas para um evento pode comprometer a saúde.
Emagrecer é um processo que exige continuidade e foco em resultados
sustentáveis, não apenas uma resposta a um calendário festivo.
O médico
gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Jácome explica que a obesidade é
uma condição médica crônica que exige abordagem de longo prazo. “Garantir saúde
significa adotar mudanças que perdurem de antes a após as festas. Perder peso
apenas para o carnaval tende a gerar frustração e reganho rápido. Isso não é
saúde. Além disso, a obesidade aumenta o risco de doenças como diabetes e
cardiovasculares e não deve ser tratada meramente como questão estética ou
temporária”, classifica.
Neste contexto,
medicamentos a base da tizerpatida e da semaglutida, muitas vezes chamados de
canetas emagrecedoras, podem fazer parte de um tratamento quando indicados por
médicos especializados. Dr. Mauro ressalta que essas medicações auxiliam no
controle do apetite mas não eliminam a necessidade de mudanças nos hábitos.
“Não existe solução farmacológica isolada. O uso deve ser parte de um plano
integrado com alimentação adequada e atividade física. Estudos apontam que a
eficácia desses medicamentos depende do contexto clínico e da adesão a um
estilo de vida saudável”, pontua.
Ensaios clínicos
randomizados publicados no New England Journal of Medicine demonstram que esse
tipo de fármaco derivado do GLP-1 promove perda de peso clinicamente relevante
quando associados a mudanças no estilo de vida e acompanhamento regular. Os
mesmos estudos indicam queda na manutenção dos resultados após a interrupção do
tratamento ou quando a medicação é utilizada de forma isolada.
Já de acordo com a
opinião de Dr. Mauro Jácome, algumas diretrizes da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia apontam que a obesidade requer manejo prolongado,
com avaliação individualizada e integração entre terapia medicamentosa,
alimentação equilibrada e atividade física para redução sustentada dos riscos à
saúde. A literatura médica associa esse fenômeno a alterações hormonais e à
redução da taxa metabólica, o que reforça a necessidade de abordagens contínuas
e estruturadas para o controle do peso.
Na prática, manter
a rotina de cuidados com a alimentação e atividade física durante as férias e
no carnaval exige planejamento. Comer com qualidade, manter hidratação e praticar
exercícios regulares são medidas que preservam a saúde mesmo em períodos de
maior exposição social. O foco em bem-estar integral ajuda a evitar quedas
bruscas de peso e reduz o efeito sanfona que acompanha regimes extremos.
“Abordar o
emagrecimento com rigor clínico reflete a visão de que a luta contra a
obesidade deve ser contínua. Modismos e expectativas de resultados imediatos
não substituem avaliação médica, educação nutricional e práticas sustentáveis
de saúde. Importante indicar que a consistência de hábitos saudáveis é mais
relevante do que metas de curto prazo”, completa o médico.
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