Quem
esperava que uma pandemia nos manteria isolados em casa durante anos e
mudaria, radicalmente, a forma como todo o mercado opera? Eventos como esse –
denominados como “Cisnes Negros” e propostos por Nassim Taleb – são quase impossíveis de serem previstos e antecipados,
gerando impactos severos a toda a sociedade
e economia mundial. Mas, há uma forma de mitigar seus riscos à
economia mundial.
Ao longo de
nossa história, podemos notar incidência cada vez maiores de acontecimentos
como esses. No século XX, por exemplo, costumávamos presenciar cerca de um
cisne negro por década (Revolução Industrial tardia, entre
1900 –1909; Quebra da Bolsa de 1929 etc.). Enquanto isso, com a
entrada do século XXI, a média passou para três cisnes negros por década (11
de setembro, Guerra ao Terror e Crise Financeira de
2008 entre 2000 e 2009; Primavera Árabe, Brexit e Ascensão
das big techs/IA de 2010 a 2019, etc.).
Mas, diante
de um cenário global marcado por instabilidade
geopolítica, aceleração tecnológica e crises
climáticas, 2026 desponta como um ano ainda especialmente sensível
a tais rupturas inesperadas, exigindo das empresas um máximo preparo
para que consigam se ajustar a qualquer imprevisto externo, mesmo que
desconhecido.
O Relatório
de Riscos Globais 2026 comprova essa delicadeza. Em seus dados, 50% dos
entrevistados preveem um cenário turbulento ou tempestuoso nos próximos dois
anos, se sentindo mais pessimistas a curto prazo quanto potenciais
resultados positivos. Mas, o que pode dificultar essa jornada? Separei abaixo
cinco possíveis Cisnes Negros para este ano:
#1 Colapso dos sistemas digitais de
cibersegurança e IA: à medida em que os ataques cibernéticos se tornam cada vez mais
constantes, governos e organizações estão sob crescente pressão para se
fortalecerem e impedirem tais tentativas. Hoje, existe uma série de tecnologias
que, ao mesmo tempo que podem reforçar essa segurança, também poderiam ser mal
utilizadas nesse sentido, como a computação quântica. Não à toa, 87% dos
líderes em cibersegurança apontam vulnerabilidades relacionadas à IA como o
risco que mais cresce este ano, segundo o relatório
Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico
Mundial. Como mitigar esse risco? Com o apoio de uma governança orientada
por dados que olhe para esses possíveis cenários e invista nas medidas
protetivas necessárias, como a ISO 27001.
#2 Choques de mercados financeiros pela IA: uma pesquisa realizada pelo Deutsche Bank revelou
que 57% dos profissionais consideram que uma queda nas avaliações de empresas
ligadas à IA representa o principal risco ao mercado em 2026. Estamos notando
uma queda brusca de muitas organizações de tecnologia devido a
um valuation irreal de suas operações, capaz de gerar uma forte crise
econômica global. Um sinal disso está na baixa quantidade de investimentos em
startups, consideradas, agora, como negócios de alto risco de retorno.
#3 Ruptura de cadeias logísticas: todas as tensões geopolíticas e mudanças climáticas
que temos visto recentemente também agravam outra questão delicada ao comércio
mundial: a sustentação das cadeias logísticas. No Brasil, as fortes enchentes
que acometeram o RS em 2024 são um ótimo exemplo disso, as quais impediram
que muitos suprimentos e auxílio chegassem ao estado, justamente, por
terem rompido esses meios de locomoção. E, quanto mais conflitos políticos
e econômicos forem presenciados, junto às demais instabilidades ecológicas,
maiores serão essas rupturas e danos ao mercado.
#4 Choque energético: poucos setores são tão estruturalmente sensíveis quanto o
energético. A falta de luz que acometeu grande parte da população de São
Paulo por dias no final de 2025, devido às fortes ventanias,
mostra como a nossa rede não está preparada para lidar com as instabilidades
climáticas. É urgente rever nossa matriz energética, olhando com muito mais
foco para fontes renováveis que auxiliem não apenas no atendimento às
necessidades da sociedade, como também com a preservação ambiental.
#5 Tensões comerciais: o acirramento da disputa entre a China e os Estados Unidos está
impactando todo o comércio mundial, principalmente em termos tecnológicos.
Muitas tarifas comerciais tendem a aumentar e disputar acordos e negociações
com outros países, o que mais vem gerando aumento de preços e invasões em busca
de novas oportunidades, do que qualquer intermediação e resolução. A própria
ONU não vem mais se destacando como gerenciadora desses conflitos, o que
aumenta as chances de mudanças extremas no mercado a todo o momento.
Não há como
escaparmos desses e de muitos outros cisnes negros. Até porque, o mercado muda
a todo o momento e, nem sempre, conseguiremos antecipar todos os cenários que
podem impactar as operações corporativas. Mas, ao invés de encará-los com medo,
podemos enxergá-los como uma oportunidade de reforçarmos a inovação,
buscando métodos e formas diferentes e melhores de comandarmos o mercado, sem
impactos severos na iminência de qualquer imprevisto político ou
econômico.
Este será
um ano de muita inflexão, ao mesmo tempo que também pode ser um período de
grandes inovações, caso as empresas remodelem seu olhar ao que estamos
presenciando. Empresas inovadoras não evitam riscos (cisnes negros),
evitam fragilidade.
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