O movimento migratório brasileiro segue em expansão. Segundo estimativas recentes do Ministério das Relações Exteriores, já são aproximadamente 5 milhões de brasileiros vivendo fora do país, América do Norte e Europa continuam liderando como os destinos favoritos, especialmente para quem busca melhores oportunidades profissionais, segurança, educação e qualidade de vida.
O novo perfil do brasileiro que deixa o país é
amplo e inclui profissionais qualificados, estudantes, famílias com crianças e
jovens em busca de ascensão profissional. Além do fator econômico, pesam também
questões como segurança pública, estabilidade política e perspectivas de
futuro.
Na América do Norte os Estados Unidos permanecem no
topo da lista de destinos mais procurados, com cerca de 1,9 milhão de
brasileiros, seguidos pelo Canadá, que já ultrapassa a marca de 130 mil
residentes. Na Europa, Portugal se mantém como o principal destino, acompanhado
por Espanha, Reino Unido, Alemanha e Itália.
Para quem planeja sair do Brasil nos próximos
meses, a advogada internacionalista Paula Civolani, reforça a importância de
priorizar e realizar o planejamento adequado. Para facilitar o processo, ela
listou cinco principais recomendações aos viajantes. Confira:
- Saída
Fiscal Definitiva do Brasil - O primeiro passo é formalizar a Saída Fiscal
Definitiva, comunicando à Receita Federal que você deixou de ser residente
fiscal no Brasil. Essa medida não é apenas burocrática: ela define onde
você será tributado, evita bitributação indevida, impede cobranças futuras
sobre rendimentos de fora do país e ajusta a relação com bancos,
corretoras e investimentos. Sem a saída fiscal, o brasileiro pode ser
tributado como residente, mesmo vivendo anos no exterior.
- Atualização
Patrimonial e Planejamento Previdenciário Internacional - O segundo instrumento
envolve organizar a situação patrimonial e previdenciária. Isso inclui
revisar investimentos no Brasil, ajustar contas bancárias para o status de
não residente, verificar impactos sobre Previdência Social (INSS), acordos
internacionais e estratégias de contribuição futura. A falta dessa
organização gera inconsistências, retenções indevidas, perda de direitos e
insegurança jurídica.
- Estruturação
Societária para Quem Mantém Empresas no Brasil - Para empresários ou sócios
de holdings, sociedades familiares ou pequenas empresas, é fundamental
revisar o enquadramento societário após a mudança. A condição de não
residente altera regras de distribuição de lucros, tributação sobre
ganhos, participação em atos societários, exigência de procuradores
residentes no Brasil e até as responsabilidades perante órgãos
reguladores. Essa etapa evita bloqueios administrativos e riscos
tributários.
- Procurações
e Autorizações com Validade Internacional - Viver fora do país exige que
certos atos sejam praticados por representantes no Brasil. Por isso, o
quarto instrumento é a preparação de procurações atualizadas, específicas
e compatíveis com a legislação brasileira e internacional. É comum que
imigrantes precisem resolver questões bancárias, judiciais, societárias ou
familiares à distância — e isso só é possível com instrumentos bem
redigidos, preferencialmente com poderes delimitados, revogação clara e
validade no exterior. Certificados digitais e o e-notariado podem ser
úteis na hora de praticar atos jurídicos no Brasil, obtê-los antes de sair
do país é um bom caminho.
- Testamento
e Planejamento Sucessório Multijurisdicional - Por fim, o planejamento
migratório só está completo quando inclui um testamento adequado ao país
de residência e às regras brasileiras. A vida internacional cria cenários
complexos: bens em diferentes países, regimes sucessórios distintos,
herança legítima no Brasil, e a necessidade de evitar conflitos entre
jurisdições. Um testamento estruturado garante que o patrimônio seja
transmitido conforme a vontade do titular, de forma eficiente e segura.
Em síntese, o planejamento migratório não é apenas
uma decisão pessoal ele funciona como uma decisão jurídica. Esses cinco
instrumentos formam a base de uma migração organizada, protegida e alinhada com
as regras de duas jurisdições que, muitas vezes, tem estrutura completamente
distinta. Preparar-se evita litígios futuros, facilita a vida cotidiana e
garante segurança patrimonial e familiar para quem escolhe viver além das
fronteiras do Brasil.
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